11 setembro 2018

Curso de Desenho de Vegetação

Em breve acontecerá nova turma do meu curso de Desenho de Vegetação!
Será nos dias 22/09, 29/09 e 06/10, sempre das 09:00 às 18:00hs.

Este curso nasceu em 2016, devido a uma grande demanda dos alunos dos meus outros cursos a respeito desse tema, que é muito rico em termos de abordagens de desenho.

Veja nesta postagem mais informações sobre o curso.
http://ebbilustracoes.blogspot.com/2016/08/nova-turma-do-curso-de-desenho-de.html

O endereço permanece na Rua Baronesa de Itu, 610, próximo ao metrô Marechal. São Paulo - SP


Para maiores informações envie uma mensagem para o e-mail que aparece no flyer!

Obrigado

03 setembro 2018

Centenário de Anna Bajzek.

Hoje minha querida vó Anna Bajzek, batizada Anna Trajber, faria 100 anos. Ela nasceu em 03 de setembro de 1918 em uma aldeia chamada Orfalu, na Hungria, próxima à fronteira da Eslovênia.
Veio ao Brasil em 1937, aos 17 anos, juntamente com seu irmão mais novo João Rakkar. Passou algum tempo em Szentgotthárd e depois rumou a Budapest, acredito que para reunir os documentos para imigrar ao Brasil. Segundo ela, foram de carro para Trieste, na Itália, onde embarcaram para o cá. A viagem durou 17 dias.
Infelizmente não dei conta do centenário de nascimento dos meus outros avós, tão queridos quanto ela.
Mas fica aqui minha homenagem com essa bela foto onde ela aparece ao lado do meu avô, em seu casamento (meu tio avô está em pé atrás dela, de terno claro). Existe uma certa seriedade em seu olhar...talvez na época fosse de bom tom que os retratados aparecessem assim? Ou ela estava apenas cansada? Ou sentia-se, de certa forma, só, naquele momento, longe de sua terra natal...
De qualquer forma quando vi essa foto pela primeira vez achei que ela parecia uma princesa. Ainda acho. Uma linda princesa húngara.

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Today, my grandmother would turn 100 years old. Anna Bajzek was born in September 03, 1918 in a small village in Hungary, near the border of Slovenia.
She came to Brazil in 1937 with her younger brother...she was only 17!
She spent some time in Szentgotthárd and then head to Budapest where I believe she got their documents to immigrate to Brazil. As she once said, she and her brother were taken by car to Trieste in Italy, where they board to Brazil. The whole trip took 17 days.
Unfortunately I didn't realized my other grandparents birth centenaries - they were so loved as she was.
However, here is my homage to her, with this beautiful picture of her marriage.
There is a certain deepness in her look, she looks serious. Was this expected when they used to take these kind of pictures? Was she only tired? Or maybe she was somehow feeling lonely, in this precise moment, far from her land?
Nonetheless, when I first saw this picture I thought she looked like a princess...still do. A beautiful Hungarian princess.

27 agosto 2018

São Francisco e a Árvore de Jessé


Este é uma outra página dupla do meu sketchbook do Porto.
Mostra vários aspectos internos e externos da Igreja - museu de São Francisco.
Primeiro entrei no agora chamado 'museu' (não funciona mais como um templo religioso). Infelizmente não se podem tirar fotografias...porém, ninguém mencionou sobre desenhar.... Assim comecei tentando retratar a incrível (e talvez indescritível, 'indesenhável') 'Árvore de Jesse', uma imensa escultura altamente rebuscada e complexa. Usei uma caneta que nunca havia usado...resultado, me dei mal! rs Para tentar salvar a página, decidi seguir o caminho sinuoso e caótico que é ir desenhando sem planejar, uma coisa sobre a outra. Os arquitetos diriam 'tomar partido' do caos.
Enfim, ao sair adicionei aquarela e criei essa bagunça de imagens, linhas e manchas. (o azul escorreu de outra aquarela).
Depois fiz o desenho da fachada gótica, tão bela, mesmo cortada pela metade pelo outro edifício. Da vontade de estudar e saber quando foram construídas, porque são interligadas assim, etc.
O tempo alternava-se entre nublado e ensolarado, frio e calor... 'Facinho' de lidar.

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This is another spread from my Porto sketchbook.
It shows some sketches I did at Sao Francisco Church/Museum. I first got inside to which now is considered a museum (no longer used as a religious temple), and got once again amazed by its rich interior. I went there in 2007, with my parents.
It's almost all covered by gold leaf. It's stunning. Unfortunately, no pictures allowed. No one said anything about sketching though.
So, I tried to use a new brush pen 'and' with a very difficult subject: the incredible 'Tree of Jesse' sculpture. It didn't worked out, of course. But I insisted on the page and started to add random sketches around, and once outside, applied some watercolor which, in the end, helped a little.
Then I did the sketch of the church's Gothic facade. It's just beautiful, even it seems cut in half by the other building.

19 agosto 2018

Ponte Luis I, em jejum e com coragem.


Ponte Luis I, Porto, 2018.
Fiz este sketch logo cedo...a luz estava linda. O fiz sem ter tomado meu café da manhã, por isso acho que eu estava mais corajoso hehe. Fiz umas linhas rápidas de lápis para situar a composição e lancei as pinceladas com uma certa ousadia (porque não fazer mais trabalhos assim?)
Eu poderia ter deixado o poste à direita fora da composição, mas enfim, tudo bem. O foco aqui era, de certa forma, a luz e a escala da ponte.
Há uma certa controvérsia quanto ao nome da ponte: consta como" Ponte Luis I" a inscrição em placas comemorativas fixadas nas colunas, sendo este considerado seu nome oficial, e não "Dom Luis I". Diz-se que o motivo de terem retirado o "Dom" se deveu ao fato de o rei não ter comparecido à inauguração da ponte, em 1888, ficando o povo da cidade ressentido. Segundo li, entretanto, nessa época era comum não incluir o título do homenageado nessas ocasiões.

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Luís I Bridge, Porto.
I sketched this view early in the morning...the light was so beautiful!
I didn't have breakfast when I did this, that's the reason I think I was more courageous. :)
Other than that, I wish I could skipped the light pole on the right...but you know, that's fine.

18 agosto 2018

Porto lines...

Mais duas páginas escaneadas: A direita, as Escadas do Codessal, uma das vistas mais incríveis que eu já desenhei e com certeza uma das mais fantásticas do Porto: a ponte Luiz I passando sobre as escadas e literalmente tocando as casinhas que ali se aninham é de tirar o folego. Parece exagero, mas é verdade, é muito legal! A escala da ponte em contraste com as casinhas miúdas é muito impressionante. O Rio Douro à distância, as caves na outra margem...pacote completo para o sketcher. Demorei muito tempo desenhando e assim acabei não pintando o desenho. Fiquei com um pouco de medo de estragá-lo também.

Na página da direita, uma colagem de desenhos de diversos locais da cidade, feitos em momentos diferentes, mostram diversos aspectos da arquitetura do Porto: o gótico, o barroco e o art noveau. Muitos desenhistas fazem esse tipo de trabalho, os quais me lembro agora de Gerard Michel e Mario Linhares.

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These pages were fun do! On the left, one of the most incredible views I sketched in Porto: Luis I bridge crossing above the Escadarias do Codessal, literally touching the houses bellow it, with the Douro River and Gaia bank on the background. I wish I had watercolored it, but I was hungry and a little afraid to spoil the drawing, I must confess.
On the right, a collage of line drawings, something many sketchers do, like Gerard Michel and Mario Linhares, whose works I admire a lot and come to my mind now.

Mosteiro da Serra do Pilar e a pilha de edifícios...

Vista através do Rio Douro, com a ponte Dom Luis I e o Mosteiro da Serra do Pilar sobre a colina. Fiz este desenho em duas sessões: antes e depois do café da manhã (linhas e depois aquarela).
Adorei como os prédios parecem empilhar-se uns sobre os outros formando linhas horizontais interessantes. Em um outro dia andei entre eles, que parecem estar abandonados por enquanto. Imagino que podem virar um ótimo atrativo turístico no futuro, com restaurantes, cafés, e outras atrações.


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The view across the Douro River, with Dom Luis I Bridge and the Mosteiro da Serra do Pilar up hill. I did this in two sessions: before breakfast (lines), and after breakfast (watercolor).
I love the stack of buildings. Later on, I wandered between them, and they are all abandoned now. Great subject and great possibilities for tourism in the future.

10 agosto 2018

Ângulos improváveis e chapas corrugadas

Mais uma do Porto. Eu fiquei encantado com a maneira como os prédios são sempre desalinhados, em suas faces e suas alturas. Alguns tem esse revestimento de chapa metálica que geralmente está enferrujado, o que torna tudo muito atraente. A luz nessa tarde era fantástica.
Final do primeiro dia no Porto.

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Another one of Porto...I love how the buildings are always facing different directions... the roof lines are always creating interesting shapes against the sky. Perspective games.
Those rusty corrugated surfaces are also an interesting subject themselves.

Não consigo chegar à Sé! I can't reach the Sé Cathedral!

Este é o 4º desenho escaneado do meu sketchbook do Porto (fiz outros desenhos antes, mas em folhas soltas, como estudos para minhas oficinas).
Esta rua é praticamente um convite ao desenho. Não pode ser ignorada. As casas todas grudadas, levemente desalinhadas, cheias de tranqueiras, remendos, canos, antenas, roupas penduradas, balcões, etc, formam um tema que eu julgo perfeito.
Sentei no barranco ao lado da escada e ali permaneci por cerca de 3 horas. Comecei o desenho pelas casinhas, deixando a escada para um segundo momento. À medida que o desenho ia crescendo para a esquerda, eu ia 'subindo' junto o parapeito da escadaria. Quando me senti confortável com a perspectiva adicionei os degraus que fazem uma curva à minha frente. Foi um desafio prazeroso. Escolhi deixar a escadaria sem cores para contrapor as casas cheias de cores e detalhes.
Como eu estava no barranco, ninguém veio conversar comigo, embora eu estivesse chamando bastante a atenção 😃.
Enquanto eu subia a colina, da Ribeira à Sé, pensava "Não consigo chegar à Catedral!" Toda hora havia um lugar lindo para fotografar, para desenhar! Daí batizei esse desenho: "Não consigo chegar a Sé"...meio bobo, mas fazia sentido na hora 😂
Alias, eu estava bobo ali, falando sozinho, rindo dos meus pensamentos. Estava feliz.

This is the fourth drawing of my Porto's sketchbook (I made a few before, in loose sheets, as studies for my workshops).
This is a very peculiar street near Se Cathedral. I loved the way the houses are attached to each other, following the slight curve of the street, all of them full of intricacies, details, pipes, satellite dishes, hanging clothes, lamps, balconies, etc etc.
I sat on the top of the hill, and sketched this for near three hours.
I added the staircase little by little, from right to the left, as I was becoming more aware of the perspective problems (the stairs make a long curve in front of me).
The sketch should be called "I can't reach Sé" - that was my goal that day, but the city and its amazing subjects kept me busy on my way.
Nobody came to talk to me as I was over the hill, although I was drawing a lot of attention seating there.
I was silly...smiling and laughing from my own thoughts. I was happy there.

08 agosto 2018

Pontes, torres e perspectivas sedutoras...

A ponte de ferro que se expande sobre as águas do Douro, conectando duas altas colinas, enquanto faz sombras entre as ruas, casinhas, escadarias e igrejas.
A torre de pedra que se ergue imponente, entre altas paredes e telhados, foi ali percebida com os cantos dos olhos, quase como se clamasse para ser por mim notada e desenhada... assim são as perspectivas do Porto. Os desenhos não demonstram nem de longe sua escala e profundidade...acho que tão pouco uma fotografia conseguiria tal feito. Resta apenas ver com os próprios olhos!

Second day... as I posted before, my breakfast was a little late so I did some sketches before it, like this one of the bridge. I think this spread is all about Porto perspectives: challenging, enticing...
I believe sometimes it's impossible to show, in a sketch or even in a photography, the scale and depth of some scenes, like these ones. You gotta see with your own eyes. All we can try to do is giving an impression of it.

07 agosto 2018

A Ribeira do Porto

Esta foi o desenho inaugural do meu novo sketchbook Laloran. Foi também meu primeiro desenho urbano feito com caneta e colorido, depois de cerca de 2 meses de preparação para meus workshops no UskSymposium2018.
Depois de passar o dia todo treinando no local onde eu daria meus workshops, desci à Ribeira, bairro charmoso que fica às margens do rio Douro, e onde eu estava hospedado.
Gostei muito dessa cena, pela luz, pela perspectiva da rua à esquerda, pela inclinação do terreno, e pelo forte contraste da construção branca com a empena escura do edifício vizinho. Foi exatamente essa empena que me atraiu, e que me colocou em apuros. Eu tentei reproduzi-la tal como era, mas em um tom um pouco mais quente (era preta praticamente, ou cinza bem escuro, frio). Mas não gostei muito do resultado, apesar dos ótimos feedbacks que recebi no Instagram quando postei a foto.
Bem, deixei de lado, e após escanear o original, resolvi fazer um ajuste na prancheta, aqui em casa.
Gostei, felizmente do resultado final. Ufa. ME arrisquei bastante, tentando remover parte da pintura original e colocando outra camada. Aliviei algumas sombras, criei outras e ainda adicionei uma textura de telhas para dar uma 'graça' à parede (essas telhas em empenas são relativamente comuns lá).
Enfim...eis o desenho.


Logo depois fiz mais um sketch rápido, que ficou incompleto. Aproveitei o espaço vazio do caderno para escrever algumas memórias.

So, I’ve started scanning my drawings from Porto. I worked a little bit in this one - I was not satisfied with the color/look of the side wall of that building. It was a drawing trick. I think the problem was that it was in the center of composition, had a weird color and it was dark. But that was, on the other hand, exactly what caught my attention there: the strong contrast between the dark wall and the bright building in front. Also, the street that seems to vanish in the shadow... I think I’m happy now. And kudos for the Laloran Book Sketch Sketchbook which hold up all the struggle and the water and the paint beautifully

30 julho 2018

Missing Porto - 9th International Urban Sketchers Symposium





















Vou começar do fim...
Há uma semana eu retornava da cidade do Porto, onde fiquei 12 dias. O motivo da viagem foi minha participação no 9º Simpósio Internacional de Urban Sketchers. O simpósio aconteceu entre os dias 18 e 21 de julho, mas eu cheguei com uma semana de antecedência para me preparar e para aproveitar a cidade.
Foram dias intensamente vividos, que reuniram desenho, descobertas e desafios.
Escrevi o texto abaixo, em inglês, na semana passada em minha página do Facebook.
Eu ainda estava completamente tomado pela miscelânea de sentimentos que ocupavam meu coração e minha mente: atordoado, depois de ter dormido 17 horas,  meio grogue, me sentia feliz, orgulhoso, amoroso e saudoso. Sim, já sentia saudades. Saudades de andar, à esmo, pelas ruas desta indescritível cidade, sozinho ou acompanhado, e encontrar temas para desenhos a cada esquina. Saudades de fazer novos amigos, de estreitar antigas amizades. Saudades de ficar admirando o trabalho de tanta gente talentosa, saudades da comida boa, dos garçons atenciosos de um restaurante, da voz aveludada do cantor da Ribeira, saudades de muitas coisas e pessoas.
Durante a semana que passou, fui tentando retomar meu trabalho, apesar de um certo mal humor querer me pegar, assim como a enxaqueca, que veio só para me dizer, com um tapinha em minhas costas: "você está de volta".
Foram dias mágicos, na terra dos meus avós. Que saudades deles que me deu nesse momento. Vó Maria e vô Ismael, que saíram jovens de Portugal rumo ao Brasil...
Obrigado por terem deixado, em meu coração e em meu sangue, um pedaço dessa terra.

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After sleeping for 17 hours, I'm here, being silly and emotional, thinking about all the amazing things I lived in Porto the last two weeks. Sweet Lord, can I come back to the very first day? I'd even mind spending 13 hours at Madrid's airport again due to that flight cancellation! Seriously! I know that Porto would be waiting for me, with a big smile, a warm hug, its breeze, and an awesome perspective everywhere, as a gentle reward...
Well, I'll stop here. This is the kind of things that, if you read again, at some point in the future, you think "how silly I was!"...
But I can't help it...sorry, Eduardo-in-the-future.
I was trying to find a picture or a drawing to go along with what I wanted to say, and that's almost impossible. However, I believe this one, with hundreds of people (thinking about count one by one) is a nice sum-up to this experience. It was funny, because, I wanted to take this picture myself. So, I was not there, in the middle of the crowd. I was taking pictures. Like if I was a Porto citizen, passing by, and thinking "wow, this people are so happy! It looks they have had a lot of fun".
I also always wanted to have this picture in a high resolution. And it was fun to zooming in, and all I can see is 800 hundreds happy faces. Some I can consider friends, some I had the chance do meet now, some I'll meet again next year.

Well, the wave of silliness, just like a seagull flying away, has gone.
I know I'm in front of my computer and I got to start working, replying emails, organizing things.

Maybe I'll feel this again soon. I'll let you know.

Bye Porto.

04 julho 2018

Fim de tarde no Ibirapuera


No último sábado à tarde visitei a feira MADE no Ibirapuera e aproveitei para fazer um desenho. Continuo na onda do grafite, que vai durar pelo menos até o simpósio de Porto.
Fiquei ali, andando e lá pra cá para tentar achar a composição 'perfeita', e de tão 'perfeita' será que ficou sem graça? rs...mas não vou falar mal do meu desenho, ele não merece minha crítica insensível.
Adorei a luz de fim de tarde que procurei capturar com grafite, as curvas da arquitetura, as bordas que aparecem e desaparecem, os troncos altos e as esculturas rasteiras, os skatistas que, se eu pudesse, desenhava todos... passando rapidamente pelo 'observador'.
Mas quem é o 'observador'?
O que crítica, ou o que vivencia?
O que fica satisfeito pelo simples fato de produzir ou aquele que se regojiza com comentários carinhosos?
O que desenha descompromissadamente, ou o que desenha pensando no que os outros vão achar?
Não sei ainda...
E viva o Ego, que nos faz lutar, que nos faz querer ser melhor.
E dane-se o Ego, que nos faz sofrer com comparações e autocobranças.

27 junho 2018

Entre Santa Cecília e Barra Funda

Passei o dia desenhando na região de Santa Cecília e Barra Funda. Fiz apenas 3 desenhos apesar de tantas horas produzindo. E ainda assim, desenhos meio inacabados.
Na verdade esse do Minhocão foi interrompido mesmo, devido ao sol. Sabe quando você começa a ficar meio impaciente, sentindo o suor escorrer dentro da roupa, a visão meio embaralhada? rs...aguentei até onde foi possível.
E ficou assim. Não sei se vou mexer ou se voltarei lá algum dia para finalizar ou recomeçar.
Levantei e acabei entrando num boteco...tomei um pingado! ...suando.

Esse é o segundo desenho que fiz ontem.
O Palacete Momo e o Chorão.
Esse predinho fica à rua Vitorino Carmillo, quase na esquina com a Alameda Northman. Uma beleza de edificação, repleta de detalhes preciosos.
Trata-se de um prédio com térreo p/ comércio, mais dois pavimentos e sótão. Cada apartamento tem acesso por uma das escadas laterais. Hoje é uma pensão, pelo que me informaram, e está bem conservado, pelo menos por fora.
Fiquei sentado à sombra de uma árvore. O chorão que tentei retratar tampava boa parte da fachada, assim como a árvore do outro lado da rua.
A luz estava linda, mas banhava somente a empena lateral, embora tenha formado um recorte interessante (que fui retratando aos poucos) na fachada principal, nisso que se assemelha a uma bay-window.
Tentei deixar o desenho o mais leve possível, porque queria ser rápido. Apanhei do chorão. Fiquei com vontade de apagá-lo por inteiro. Mas como dizem: assim é.

Este foi o último feito no último sábado...detalhe do "Parque Savóia", na mesma rua Vitorino Carmillo. Trata-se de uma vila edificada na década de 1930 pelo engenheiro Arnaldo Mais Lello, para uma família de um imigrante polonês.
Essa é uma vista dos terraços que se projetam sobre o portão principal com destaque para o dragão de pedra que me chamou muito a atenção. Um senhor que passava me perguntou qual era a função desses terraços e minha sugestão foi que devíamos imaginar essa construção na época em que foi construída...com certeza a vista ali de cima devia ser bem atraente, com a região pontuada apenas por mansões e muito verde.
Ah se eu pudesse passar um dia todo desenhando para dentro dos portões. Quem sabe um dia.

Apanhei muito para tentar construir essa perspectiva de baixo pra cima. Nessa altura já estava meio cansado, apesar do animador tapinha nas costas que ganhei de uma senhora que passara por lá.


09 junho 2018

Sr. Maví, o sapateiro

Hoje foi um dia de sentimentos distintos.
Fiz este desenho do Sr. Maví, o sapateiro, e sua oficina na Av. Paula Ferreira - Freguesia do Ó, São Paulo.
Durante a semana fui levar lá uma blusa que estava com o ziper emperrado. Ele consertou pra mim e não quis cobrar. Notei a oficina dele...uma bagunça! Mas que tema...Perguntei se eu podia ir 'qualquer dia' desenhar lá. Ele não sei se entendeu bem, mas concordou com a cabeça.
Pois...fui hoje mesmo. Cheguei, expliquei o que ia fazer e ele já foi bem solícito. Me ofereceu uma cadeira, mas eu disse que ia ficar em pé mesmo, para não se preocupar comigo.
Fiquei das 10:00 às 13:00hs, quando parei para almoçar na padaria ali perto. Depois voltei e fiquei mais 2 horas. Ao todo, 5 horas de desenho, meu novo recorde (acho).
Não fiquei cansado...acho que os exercícios para a lombar na academia estão ajudando rs.
Tomei café e guaraná oferecidos por ele...conversamos sobre tudo. De futebol à espiritualidade. Ele é evangélico. Chegou a parar para orar, pegando a bíblia que se encontra no balcão (no desenho, no suporte à esquerda). Não sei se ajoelhou ou sentou-se no chão, porque sumiu atrás do balcão por uns instantes.
Pernambucano de Caruaru, tem 3 filhos e é separado.
Disse que vai retornar para sua cidade natal para ficar com os filhos, que moram por lá. Está há 18 anos trabalhando neste local, mas ha muito tempo em São Paulo. Trabalha com calçados desde jovem.
Nos despedimos com a promessa que levarei uma cópia do desenho para ele "guardar de lembrança".

Sr. Maví em seus afazeres diários.

Enquanto ele mastigava um sanduíche, eu tirei essa foto, já indo embora.

Ensinando-me a apontar o lápis com o estilete

Foram momentos intensos, mas prazerosos. Mais tarde, fiquei sabendo que a gatinha que eu tive com minha ex-esposa faleceu. Viveu 14 aninhos e era um doce de ser.

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I made this drawing of Mr. Mavi, the shoemaker, and his workshop at Paula Ferreira Avenue in São Paulo. I went there to get the zipper of one of my jackets fixed. He fixed it for me and didn’t even want to charge me. I couldn’t help but notice how messy the workshop was. But what a great scene! I asked if I could come by to draw it some other time. I don’t know if he understood, but he nodded his head.

When I showed up days later, I explained what I planned to do and he quickly offered me a chair. He was very willing to help, but I said I would stand up and not to worry! I spent from ten in the morning to one in the afternoon, then took a break to have lunch nearby. Then I came back and stayed for another two hours. In all, five hours of drawing, a new record. I didn’t even get tired. I think my fitness exercises must be helping!

Mr. Mavi, who is in his mid 60s, also offered coffee and guarana and we chatted a bit about everything, from soccer to spirituality. He’s Evangelical. He took a break to pray, taking a Bible that was on the counter – you can see in the drawing to the left. I don’t know if he kneeled or sat on the floor because he disappeared behind the counter for a moment.

He is originally from Caruaru in the state of Pernambuco. He has three children and is separated. He said he will return to his hometown to stay with his children, who live there. He's been working in this workshop for the last 18 years, but has spent many more in São Paulo, working as a shoemaker since he was young.

We said goodbye, and I promised to bring him a copy of the drawing so he can keep it as a memento of the workshop.


03 junho 2018

Mercado de Pirituba


Aproveitei o feriado de Corpus Christie e fui visitar o Mercado Municipal de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Foram 3km de caminhada para chegar desde aqui, o Largo da Matriz na Freguesia.
Fiquei impressionado com a beleza do edifício! Trata-se de uma enorme cobertura de concreto sustentada apenas em um núcleo central, com uma grande coluna de concreto que funciona tb como caixa d´água. Tem 70 metros de diametro. É incrivel a delicadeza da estrutura - deve ter meros 10cm na extremidade, talvez nem isso!
O projeto é do arquiteto Abelardo Riedy de Souza, o mesmo que projetou o ed. Nações Unidas na esquina da Av. Paulista com a Brigadeiro. O projeto estrutural foi assinado pelo engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (que entre tantas obras calculou o MASP, a cúpula da catedral da Sé e o planetário do Ibirapuera).
Cheguei às 10:00 e logo recebi uma visita...fiquei conversando com o Sr. Fernando, morador do bairro, angolano no Brasil há 50 anos, filho de portugueses. Batemos um bom papo. Ao se despedir, dizendo que já estava me "atrapalhando", deu-me a mão e desejou-me um bom trabalho. Um pouco adiante parou, e perguntou meu nome. Completou dizendo que seus pais chamavam ... (não lembro o nome do pai) e Laura. "Lindo esse nome né?" "olha, fico até arrepiado ao lembrar dos meus pais...". Virou e foi embora com a cachorrinha. O arrepio do braço dele passou para o meu.
Ás 12:00 parei e entrei no mercado para tomar um pingado e comer um enrolado de calabresa. Fui ao banheiro também.
Voltei e fiquei desenhando até quase às 14:00.
Mais algumas pessoas pararam e conversaram comigo, elogiando o prédio, lamentando as condições de manutenção.
Um outro senhor me informou que o janelão foi adicionado a posteriori. "Era pra ser aberto!"...mas fecharam, pois obviamente chovia dentro.
Uma outra moça ainda disse "sou apaixonada por esse prédio...parece uma flor".
Fui retornando pra casa...infelizmente fiquei com uma forte dor de cabeça. Ainda comi uma coxinha e uma esfiha no caminho rs. Dormi para passar a dor e trabalhei mais alguns minutos no desenho.

Ao postar este desenho no Facebook, fiquei muito contente com o feedback que as pessoas me deram. Alguns comentaram que moram ou moravam ali perto, e o prédio sempre foi uma referência para eles:

"Vc me fez relembrar tantas histórias! Morei bem pertinho dai qdo era criança. Esse prédio fez parte dela! Sempre o achei muito diferentão e gostava de passar pelos arredores, no escadão, parquinho... Ele ficava sempre no meio do caminho pra algum lugar. Meio do caminho da casa da minha vó Cida, pro outro lafo da casa da tia Bela, pra outro pra igreja e escola, loterica do meu avô... Pra cada lado tinha uma história..." (Arq.Daniela Hladkyi)




14 maio 2018

Catedral Metodista de São Paulo

Ontem, domingo dia 13 de maio, fui à Av. da Liberdade desenhar um edifício que fazia tempo que estava na minha (interminável) lista: a Catedral Metodista de São Paulo. Uma bela construção em estilo neo-gótico, com proporções bonitas e detalhes preciosos. Utilizei lápis grafite e trabalhei durante cerca de 2 horas.
Em alguns momentos algumas pessoas paravam para olhar o desenho e algumas fizeram comentários. O que eu mais gostei foi "Quem sabe faz ao vivo!"...hehe.
Foi uma manhã agradável na cidade.

19 fevereiro 2018

Dia Inesquecível em Taliesin - Frank Lloyd Wright Sketching Tour XV (02.08.2017)

Sketches feitos em Taliesin - terraço próximo ao teatro, vista da sede, midway barn e visitor center
Este dia foi muito especial. Visitei Taliesin East, a vasta propriedade que FLLW herdou da família, próxima à cidade de Spring Green, em Wisconsin, e onde viveu ou passou temporadas entre 1911 e 1959.
Visitor Center e placa no acostamento da estrada com design inconfundível.
Comecei cedo, me divertindo no Visitor Center, enquanto aguardava o inicio do "Estate Tour", que eu havia reservado meses antes.
O tour começa pela Hillside Home School, a primeira construção da propriedade, projetada por Wright em 1902 para suas tias Jane e Ellen Lloyd Jones.
O arquiteto depois remodelou e expandiu esse conjunto, adicionando o famoso 'drafting room', um teatro e alojamentos para a Taliesin Fellowship - comunidade que proporcionava aprendizado em arquitetura através de um sistema de internato (onde seus aprendizes inclusive colocavam a 'mão na massa', trabalhando no campo e nas frequentes obras do complexo).
Hillside Home School e alguns sketches feitos na primeira parte do tour
Durante esse primeiro trecho da visita, tentei fazer alguns sketches, tomando cuidado para não perder, entretanto, as explanações da experiente guia que nos acompanhava. Infelizmente não havia tempo para fazer desenhos mais elaborados, e não podíamos ficar desacompanhados durante o tour. Notei com atenção os detalhes construtivos que me encantaram desde que era um estudante de arquitetura: o assentamento de pedras, os longos beirais, a elegância das linhas e a comunhão com a natureza e a paisagem local.
Aspecto característico dessa fase do arquiteto: amplos beirais, paredes em pedra e madeira
Serviços de manutenção sendo executados naquele dia

Drafting room com colunas em forma de triângulo invertido.

Teatro com painel de cortina ao fundo.
A segunda parte do tour se deu na pequena casa de Jane Porter, irmã de Wright, no alto de uma colina e próxima ao pequeno e gracioso "Romeo and Juliet Windmill" (moinho de vento). A residência erguida para Jane é um tanto convencional ao se levar em conta o ímpeto criativo de Wright..."Eu quero uma casa, não um experimento", disse a mesma ao irmão, o que explica o motivo da simplicidade da construção.
Romeo and Juliet Windmill e Jane Porter House

Seguimos a pé para a sede da propriedade, passando antes pelos celeiros "Midway Barn", cuja torre com pináculo se destaca.
A aproximação à sede revela gradualmente a construção que se lança sobre uma colina, entre árvores generosas. Chama a atenção a horizontalidade do conjunto (característico do estilo 'Praire'), e o longo terraço que projeta-se à frente do bloco.
Midway Barn e a sede de Taliesin com terraço-mirante destacando-se entre as árvores
Uma intensa caminhada nos levou ao pátio, cercado pelas diversas alas do conjunto (é difícil entender como a construção se organiza pelo terreno - um mapa detalhado ajudaria nesse sentido).
Depois de uns refrescos, avançamos por entre as diversas alas, ora externamente, ora visitando alguns aposentos.
Pátio 

Escada em um dos cantos do pátio
Alguns dos pontos altos da visita são, certamente, o living room e terraço adjacente, o estúdio e o quarto do arquiteto. Fiquei muito entusiasmado tirando fotos das belas e originais lareiras (há dezenas delas), dos caixilhos e cantos de vidro, de objetos de decoração que Wright colecionou durante sua vida, do mobiliário e outras curiosidades.
Muitas lareiras, todas com design original

O famoso terraço-mirante que projeta-se sobre a copa das árvores (infelizmente sem acesso ao público -  mas compreensível)

Alguns pormenores da construção

Estúdio

Ao sair do edifício, passamos mais uma vez pelos belos e bem cuidados jardins que cercam o pátio principal e pude ver ainda um canto um tanto icônico que ilustra muitos livros sobre o arquiteto.
Ao fundo, vista clássica de Taliesin. À frente, um homem cansado mas farto de felicidade :)

Entramos na van e fomo deixados no Visitor Center onde comi um ótimo lanche. Após umas comprinhas na Gift Shop ;), fiz um desenho mais caprichoso. Segui viagem, feliz por ter realizado um sonho!
Vista panorâmica de Taliesin!



12 fevereiro 2018

Manhã de Carnaval...desenhando.

Ontem fui passear e desenhar com minha namorada pelo Elevado João Goulart (o Minhocão) e Higienópolis.
No Elevado, desenhei este edifício antigo, colado à via. Chamou-me à atenção as sombras projetadas pelas pequenas sacadas, seu tom único de cinza que traz unidade à imagem, e até as pichações que conferem um ar de abandono e decadência.
Fiz o desenho utilizando primeiro lápis grafite para capturar as massas gerais do edificio, além de posicionar as sacadas e ajustar a perspectiva. Depois passei para a caneta nanquim, a fim de 'adiantar' o processo, na medida em que torna-se mais fácil definir as arestas e detalhes com linhas. Depois voltei ao lápis escurecendo tons e delineando sombras. A borracha foi utilizada para refinar algumas arestas, criar pontos de luz (vide roupas penduradas nas sacadas), e modelar nuvens.
Essa técnica de construção foi utilizada por mim pela primeira vez em um desenho que fiz a partir da cobertura do Shopping Light, em 2016. Acho que é uma ótima parceria essa entre lápis e nanquim.

Após um almoço 'esquecível' em uma padaria de Santa Cecília, caminhamos em direção a um edifício que chama a atenção de todos os que sobem a rua Aureliano Coutinho, que na esquina com a Marques de Itú torna-se rua Sabará. Trata-se do Edifício Domus, de 1958, projetado pelo casal de arquitetos italianos Maria Bardelli e Ermanno Siffredi, os mesmos que projetaram a famosa Galeria do Rock, no centro da cidade.
É muito interessante a forma curva dos terraços que, como disse o autor do livro São Paulo nas Alturas, Raul Juste Lores, "lembram a proa de um navio, decorados por pequenos furos que evocam um negativo de filme". Acho particularmente interessante também a forma refinada dos terraços à esquerda. Chama atenção ademais, o contraste das curvas com a trama reticular do imenso bloco de apartamentos do edifício Parque Higienópolis.
Neste desenho utilizei caneta Bic preta e markers. Foi dificil tomar a decisão de colorir o desenho que mostrava-se muito elegante somente em traços. Mas eu e minha namorada decidimos que valia a pena arriscar.

01 fevereiro 2018

Jacobs I House - FLLW Sketching Tour XIV (01.08.2017)

Ainda no mesmo dia, peguei o carro e corri para ver mais algumas obras do arquiteto. A que eu estava mais interessado era essa: Herbert and Katherine Jacobs First House, considerada a primeira Usonian House construída pelo arquiteto.
A casa térrea, de 140 m2, parece pequena e reservada vista da rua. Da calçada nota-se apenas as paredes de madeira corrida encimadas por caixilhos, o tijolo à vista de algumas empenas de alvenaria,  os grandes beirais e a garagem discreta, porém audaciosa (está inteira em balanço). Mal se vê a porta de entrada. Dito isso, e entretanto, a casa projetada por Wright e construída em 1937 fora concebida para se abrir para os fundos do lote, com implantação em forma de "L".

Como mencionado acima, esse projeto foi o precursor do sistema de casas 'populares' idealizado pelo arquiteto durante a grande Depressão dos anos 30, conhecido como Usonian. A ideia básica era criar  sistemas construtivos simples, inovativos e com uso de pré-fabricados, minimizando os custos com mão de obra no canteiro, e que atendessem às expectativas de famílias de classe média norte-americanas. Herbert Jacobs solicitou ao arquiteto construir sua casa por $5,000 (atualmente cerca de 90,000 USD ou R$ 315.000,00), o que fora atendido exceto por uma pequena defasagem de 10% ;)
Wright utilizou paredes de sanduíche de plywood (madeira compensada) com 5,7 cm, uma fundação 'radier' (ou seja, de laje maciça de concreto) e até tijolos 'desviados' da construção da fábrica da Johnson Wax, de Racine, segundo 'reza a lenda'. A parte da inventividade deu-se pelo sistema de aquecimento desenvolvido para a casa, com trama de tubos alojados em um colchão de areia, sob a laje de fundação.
Enquanto tirava algumas fotos, uma simpática senhora deu-me a dica para bisbilhotar a casa pela rua lateral, de onde fiz um rapidíssimo sketch enquanto era atacado por mosquitos.
Sketches feitos no local - Jacobs House I (à esquerda), e Taliesin.

Visite este site para mais informações.
Segui ainda, para uma última visita a uma obra de Wright nesse entusiasmante dia: a Walter Rudin House, de 1959 (abaixo).