08 fevereiro 2019

Hungary Trip XXII - The end of a journey



No dia seguinte, véspera do meu retorno para o Brasil, fiz mais alguns desenhos do castelo. Me concentrei na área das antigas muralhas, um lindo percurso, cheio de surpresas interessantes.
A luz e as cores do outono eram convidativas à contemplação e ao registro.
Mais tarde, caminhei e conversei bastante com minha amiga. Tomamos café, comemos pães e doces e fomos, aos poucos, nos despedindo.
Escrever sobre essa viagem, em 22 postagens ilustradas com cerca de 37 desenhos, foi um desafio e ao mesmo tempo um prazer. O desafio foi ir até o fim, mesmo que 3 meses depois de meu retorno. O prazer se deu em explorar tudo novamente, retocar alguns desenhos, produzir outros e compartilhar tudo.

Confesso que foi difícil deixar Budapeste e a Hungria de modo geral. Hoje, 3 meses depois, sinto saudades, claro. E, por falar em saudades, descobri que não há palavra semelhante em inglês, pelo menos não tal como a usamos em português, como um substantivo. "Saudades" carrega consigo tantos significados não é? Pode refletir tanto sentimentos dolorosos quanto alegrias. Ás vezes dizemos até que temos "saudades de um tempo que não vivemos", tal como foi a sensação de visitar  os locais por onde meus antepassados viveram.

Tenho saudades de fazer cada um dos desenhos que fiz durante essa viagem. Mas é reconfortante saber que esses desenhos estão aqui do meu lado, em meu caderno. Caderno este que, marcado pelo uso, expressa minhas experiências, desafios, alegrias e até tristezas.
Lembranças vão se diluindo com o tempo, é sabido. Saudades também...suavizam-se. Dão lugar a outras, as mais recentes. Das antigas percebemos, apenas, uma sutil e quase indefinida presença.

Tenho saudades da Hungria.

Se você acompanhou estas postagens, ou leu apenas essa, não importa. Deixe um comentário, compartilhe também uma lembrança, uma saudade...

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On the next day, the day before I came back to Brazil, I did a few more drawings of the Castle. I focused on the area of the ancient walls, a beautiful path, full of interesting surprises.
The light and colors of late October were inviting to contemplation and capturing.
Later, me and my friend took a walk and chatted a lot. We drank coffee, eat bread and desserts and started saying goodbye.

Writing about this trip, within 22 blog posts, with almost 40 drawings, was a challenge and a pleasure, at the same time. It was challenging to go till the end, but pleasurable and meaningful to explore everything else again, to retouch some drawings, to make others and to share everything.
It was difficult leaving Hungary. It was also difficult to deal with the emotions on the first days after I came back home. Now, three months later, I miss Hungary. I miss everything about it.

I miss doing all the drawings I did. I miss my friend, I miss the places I visited, the food, the people I met.
It's good to have here, by my side, my sketchbook. It's a bit worn out, which is nice. It shows all my experiences, challenges, joy and even the troubles.

"Budapest I love you"





04 fevereiro 2019

Hungary Trip XXI - Wandering and sketching Budapest

Nos meus últimos dias na Hungria, procurei aproveitar meu tempo desenhando, sem muitas pretensões. Eu fui mais duas vezes ao distrito do Castelo, porque há muitos temas para retratar por lá. As vistas da cidade são lindas...
De fato, àquela altura eu já estava de certa forma 'indo com o vento'...sem muito raciocinar, planejar. Por isso acabei voltando para este local tantas vezes. Eu podia ter visitado outros lugares de Budapeste (como Gellért Hill, Margaret Island, etc), conhecido outros museus, termas, etc., mas meu foco não era fazer um turismo, digamos, tradicional.  Enfim.
Em uma manhã fria e meio chuvosa eu encontrei um cantinho para desenhar no Bastião dos Pescadores, um complexo de passagens, terraços e torreões erguido entre 1895 e 1902, em estilos neogótico-românico.
 
Fiz um desenho tranquilo do panorama do Rio Danúbio. Já havia feito um sketch bem rápido em 2009, quando visitei Budapeste pela primeira vez.
Às vezes eu parecia incomodar alguns turistas que praticamente tropeçavam em mim, meio distraídos pela vista. Compreensível. Outros pediam licença para passar a minha frente. Alguns tiraram fotos, e um rapaz pediu-me educadamente autorização para me filmar 'em ação'.


My point of view that afternoon.
Mais tarde sentei-me em outro lugar para fazer uma vista diferente da igreja de Matias. Eu queria de alguma forma retratar melhor o telhado da igreja, composto de telhas multicoloridas. No local que encontrei disponível, também se encontrava em destaque a estátua do rei St. István. E assim permaneci por horas...desenhando calmamente. O sol apareceu e fez tudo ficar mais vibrante (e menos frio)
Minha amiga chegou e fomos juntos tomar um chá noutro canto da cidade. Mais tarde, jantei com um casal de primos húngaros, de um ramo diferente da família. Foi um encontro delicioso, apesar da relativa dificuldade de comunicação.

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On my last days in Hungary, I tried to spend my time sketching, as much as possible, with no bigger aspirations. I went two times more to the castle district, where I knew I could easily find nice subjects to draw. The views of the city from up there are just amazing.
In fact, by this point, I wasn't planning my time as much. I could have visited other places, like Gellért Hill or Margaret Island, visited other museums or even some baths, but I just wanted to seat quietly and sketch. I was also a bit tired.

In a rainy morning I found a spot at "Fisherman's Bastion", a complex of passageways, terraces and turrets, built between 1895 and 1902 in neo-Gothic-Romanesque style.
I sketch the view of the Danube river with the Parliament quite slowly. Sometimes I seemed to bother the tourists, who almost step on me, distracted by the gorgeous view.

Fisherman's Bastion
Later on, I found another place to sketch the Mátyás Templom (I sketched this church on my second day in Hungary) - I wanted to capture its beautiful colored rooftop (which soon I realized was way to difficult to get it in a simple on-the-spot drawing). At the same spot, I could see the statue of Saint István, so I caught both, the church and the statue. I spent hours there, sketching calmly.
My friend arrived and we went to have a couple of tea somewhere in town.



Then, I had dinner with a couple of cousins, from a different branch of the family. It was a wonderful meeting, even with the language difficult.

Wandering between the Walls


31 janeiro 2019

Hungary Trip XX - After the workshop

Na segunda-feira dia 29 de outubro eu acordei com sentimentos muito diversos. Se por um lado eu estava muito contente com o sucesso do workshop da véspera (foram 22 pessoas), por outro eu estava confuso e cansado. Já sentia saudades de casa, misturada com uma sensação de que, infelizmente, minha viagem estava chegando ao fim. Essa viagem foi intensa em muitos sentidos.
Mas enfim, eu tinha um dia pela frente e queria aproveitá-lo, claro.
Fui logo pela manhã continuar o desenho da ponte, que eu havia começado alguns dias antes. O tempo estava ótimo, então passei horas no local, desenhando e pintando calmamente.

Almocei nas imediações em um restaurante pequeno e sentei-me à mesa de um casal de húngaros, à convite do garçom. O casal não se incomodou e foram até muito solícitos, lendo para mim o cardápio do dia, que estava escrito em uma das paredes. Comi muito bem e gastei pouco. Fiquei contente pela gentileza do casal e pela comida.
Peguei o funicular para subir ao distrito do castelo (Buda), onde se desenvolveu historicamente a cidade. A colina de Buda é dominada, por um lado, pelo extenso complexo do Castelo/Palácio Real (que abriga a Galeria Nacional), e pelo outro, pela Igreja de Matias (Mátyás Templom) e centro histórico, onde ficam diversas construções históricas, hotéis e restaurantes.
Como já escurecia cedo a essa altura (fim de outubro), não hesitei muito a escolher algo para retratar. Esquivando-me da sedutora, porém complexa vista panorâmica da cidade, sentei-me para desenhar a estátua do príncipe Engênio de Sabóia. Desenhei rapidamente e logo colori com aquarela. Adorei fazer os escorridos de verde do cobre da estátua, algo que sempre quis fazer :)

Anoiteceu rapidamente quando retomei meu longo caminho de volta ao meu apartamento em Budapeste.

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On October 29, I woke up with mixed feelings. On one hand, I was very happy about the workshop, which had a big attendance (with 22 participants!). On the other hand, I was confused and tired. I was missing home already, and at the same time I was sad because it was coming to an end (probably something every traveler feels, of course).
This trip was very intense in many senses.
 So, I went right to the bridge's side, to finish the drawing I started a few days earlier. The weather was great, so I spent a lot of time in there, drawing and painting slowly.
I had lunch in a small place called Ildikó-Konyhaja (or something like that), at Fő utca, near Clark Adám Tér. I sat together with a couple, who didn't bother my presence and actually was very helpful: they read all the menu in Hungarian that was written in a wall. I ate very well, and I was happy to meet them.
I then took the funicular to the Castle district, where the city has grown from. The Buda hill is dominated, on one side, by the huge Castle/Palace complex - where you find the National Gallery - and the Mátyás Templom and historic center on the other side - where you find the hotels, restaurants and some other historical buildings.

As it was getting dark early by this time of the year (late October), I didn't hesitate to find something to sketch. Avoiding the alluring but complex panoramic view of the city I, instead, sketched the statue of prince Eugene of Savoy, right in front of the National Gallery entrance. I sketched quickly and add colors right away. I loved to make the stains of copper on the marble, something I always wanted to do.
Finally, I started to get back to my air-bnb, amazed by the beautifully lit Budapest at night.

28 janeiro 2019

Hungary Trip XIX - A few days in Budapest

Após passar alguns dias no interior da Hungria retornei a Budapest no dia 24 de outubro. A partir deste dia, passei a ficar hospedado em um air-bnb, na Lövölde Ter - uma praça ("Ter" significa Praça), a cerca de 300 metros da estação de metrô Kodály Körönd. Era um ótimo lugar, com fácil acesso de transporte público e bastante comércio nas imediações.
Assim que voltei à Budapeste, meu foco foi me preparar para o workshop que aconteceria no domingo dia 28 de outubro, como postei anteriormente. (veja neste link sobre este workshop). Para tanto, fiquei nas imediações da Ferenciek Ter por muitas horas, durante dois dias, tentando não ser vencido pelo forte frio que fazia. Quando chovia, me abrigava em algum café próximo (e me deliciava comendo Somlói galuska).

Na quinta-feira à tarde fui desenhar a ponte Széchenyi Lánchíd - a famosa ponte das correntes, inaugurada em 1849. Fazia um frio insuportável, o que me obrigou a abandonar o desenho e correr para mais um café.
Fui finalizar este desenho 3 dias depois, em um dia bem mais agradável.

Um dos melhores momentos que vivi em toda a viagem foi assistir a uma apresentação de música e dança tradicionais húngara, não em um local turístico, mas em um clube de bairro. Foi uma fantástica experiência para mim. Além de ter realizado alguns desenhos que me deixaram bastante satisfeito, eu me encantei com a apresentação.

Além disso, pude ver húngaros dançando em duplas ou em grandes rodas. Fiquei especialmente admirado de ver muitos jovens, crianças e adolescentes de 10 anos em diante, dançando juntos! Interessante essa valorização da cultura e das tradições do país por pessoas especialmente desta idade. Eu dancei bastante também. Apesar de meio desajeitado, eu não resisti e me deixei envolver.

No sábado, véspera do workshop, choveu bastante, o que me obrigou a fazer desenhos rápidos e procurar um lugar fechado. Escolhi o Magyar Nemzeti Múzeum, ou Museu Nacional da Hungria.
A visita foi interessante. Aprendi um pouco sobre as origens do povo húngaro, fiz alguns desenhos e esperei a chuva passar. Uma pena ter sido grosseiramente tratado por uma das funcionárias do museu - tirando esse fato, valeu a visita.

Fiz ainda uma aquarela do Mercado Central de Budapeste - Központi Vásárcsarnok (experimente pronunciar essa palavra), a partir da Fővám tér. Já era tarde quando terminei.
No dia seguinte eu ministrei o workshop com minha amiga Cecilia Simonyi.

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After spending great times at Hungary's countryside, I came back to Budapest on October 24. From this day on, I stayed at Lövölde Ter, at an air-bnb, near the Kodály Körönd subway station. It was a great area, with easy access to public transportation and plenty of comercial services.
As soon as possible, I started getting prepared for the workshop I would teach on the following Sunday, October 28, as I posted before. So I spent many hours at Ferenciek square, trying to not be defeated by the cold weather.

On Thrusday afternoon I went to Széchenyi Lánchid bridge - the famous "Chain Bridge", inaugurated in 1849. It was really cold that day, so I gave up sketching.
One of the best moments I had during the entire trip was watching to folk music pocket show in a small club, away from any touristic spots. It was a fantastic experience for me. Besides doing some good sketches I was enchanted by the presentation. I also found very interesting to see people from all ages dancing happily. I couldn't help but join them... I danced a lot!



On Saturday, it was raining, so I had to sketch indoors. I chose the Magyar Nemzeti Múzeum (Hungarian National Museum), which was interesting. I learned about the Hungary past, sketched and waited the rain to stop. The bad side of it was dealing with a very rude lady from the staff. Dear God...what a bad job they must have!
I still did a watercolor of the city market - Központi Vásárcsarnok - from Fővám tér.
It was late when I finished.



The next day, I ran the workshop with my friend Cecilia Simonyi.

04 janeiro 2019

Hungary Trip XIII - Leaving Vendvidék

No dia 24 de outubro eu retornaria à Budapeste.
Como eu não precisava chegar tão cedo, aproveitei a manhã para conhecer mais um ponto de interesse da região de Őrség: A igreja da Santíssima Trindade de Velemér ou, mais precisamente, Szentháromság-templom.
A pequena igreja de feições românicas, é similar à de Szent-Petér, que eu visitei na véspera.
Foi mencionada pela primeira vez em 1360, mas estima-se ser ainda mais antiga. Tem como destaque os afrescos de János Aquila, executados entre 1377 e 1378.

O que mais me impressionou foi a sua localização isolada, em meio à floresta. É fantástico imaginar que sua presença no local nos remete a séculos de história! Eu fico fascinado com esse tipo de construção, que resiste à passagem do tempo, quase como se lutasse para jamais desaparecer.
Passei uma agradável manhã ali, contemplando a arquitetura, o ambiente e desenhando com bastante calma e paciência.

Após esse breve visita, segui viagem rumo à Budapeste. Foi uma viagem difícil de retorno à capital. Peguei trânsito e bastante chuva pelo caminho, mas cheguei bem.
Assim eu me despedi dessa terra...foram 6 dias incríveis em Vendividék e Őrség.
A terra dos Trajbers, a terra dos Bajzeks.
Agora eu sei aonde meus antepassados viveram.
Posso, sem exagero, experimentar uma corrente suave de sentimentos, ou sensações, quando penso nos meus avós, bisavós, neles todos.
Eles eram provavelmente felizes. Com certeza eram alegres. Brincavam, dançavam, corriam pelas encostas de mato rasteiro, frequentavam as missas nos pequenos templos dos remotos vilarejos.
Mas também trabalhavam arduamente no campo, eu imagino. Percorriam longas distâncias a pé...
Passaram dificuldades. A Primeira Guerra acabara de terminar. Talvez não houvesse muito o que fazer, além de produzir o próprio alimento.
Assim, eles desejaram um futuro melhor, talvez com mais possibilidades.
E souberam do Brasil... alguém dissera tratar-se de um belo país. Distante, mas quente. E próspero.
E assim eles vieram. Se estabeleceram; permaneceram.
Sou parte deles, assim como sou parte dessas terras.
Inesquecível Vendvidék.
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On October 24, I started my journey back to Budapest.
As I didn't need to come back so early, I took the chance to visit another interesting spot on the Őrség region: the Holy Trinity of Velemér, or Szentháromság-templom.
This small romanesque church is quite similar to the one I visit before - Szent-Petér.
It was first mentioned in 1360, but it's said to be even older. It has beautiful and well kept frescoes from János Aquila, done between 1377 and 1378.
What impressed me the most was its isolated location, in the woods. It's amazing to imagine how much time and history this building has witnessed. This is the kind of thing that makes me wonder...I just love architecture and how it relates to us, being the set of our lives.
I spent a pleasant morning there, contemplating the architecture and the scenery. I sketched calmly and patiently.


After this brief visit, I finally began my trip back to Budapest. I got a bit of traffic and raining, but I arrived safely.
It was the end of 6 incredible days in the Vendvidék / Őrség region of Hungary.
The land of the Trajbers. The land of the Bajzeks.
Now I know where my ancestors lived.
I may experience some feelings when I think about my grandparents living there, decades ago. I can feel inside my heart.
They were probably happy, with many brothers and sisters, but surely they faced difficulties. The First War had just ended.
The played a lot, as kids should living in the countryside, but they also worked very hard on the land.
They wanted to have a better future...Once, they heard good things about a beautiful, warmer country on the other side of the world.
They came, they settled. They raised us.
I am part of them, as I am part of this unforgettable place, the Vendvidék.

01 janeiro 2019

Hungary Trip XII - My birthday at Vendvidék

Cecilia Simonyi
Dia 22 de outubro foi meu aniversário, comemorado e vivido de maneira especial. Comecei o dia de maneira doce, com presentes e um inesperado bolo de aniversário. Foi especial estar nesse lugar, neste dia.

Mais tarde, Cecilia e eu fizemos um rápido desenho do local onde a amiga dela passou a infância, próximo à Őriszentpéter. O desenho foi dado à amiga dela como recordação.
Mais tarde, fui conhecer mais uma parte da minha família que vive na Hungria, descendentes dos meus bisavós. Passei uma tarde super agradável com eles!

Oriszentpéter aspect
O dia seguinte foi passado sozinho, já que Cecilia foi visitar sua família em sua cidade natal.
Logo cedo, passei rapidamente no Szent Péter-templom, uma pequena igreja localizada próximo aonde eu estava hospedado. É uma igreja muito antiga, cuja construção foi concluída na primeira metade do sec XIII, por isso suas feições românicas.
Pages of my sketchbook with sketches done in different days or situations.























Um pouco mais tarde, fui novamente à Szentgotthárd, pois eu estava muito interessado em desenhar a igreja barroca da cidade. No dia 23 de outubro comemora-se o aniversário do Início da Revolução de 1956, uma revolta popular contra o governo autoritarista da Hungria e o domínio da União Soviética. Por conta desse feirado havia uma certa movimentação na cidade, a qual fiquei meio à margem, entretido pelo desenho que eu fazia.
Enquanto desenhava, encontrei com os queridos Tibor Horvat e Joël Gerber os quais, conforme mencionei em meu primeiro post sobre minha viagem, são os autores do site Vendvidék.com. Eles me reconheceram e vieram ao meu encontro, o que me deixou bastante contente.


Segui para Alsószölnök, passando ainda por  Szakonyfalu, de onde vem o ramo Majczán da minha família.
Alsószölnök dista apenas 7km ao sul de Szentgotthárd, e meu interesse por essa localidade se deu pelo fato de meu avô Jozséf (José) Bajzek ter passado alguns meses ali, trabalhando como ajudante de ferreiro, entre 1929 e 1930, ofício que de certa forma levou adiante já no Brasil, como armador de ferro na construção civil.
Foi uma ótima parada. Eu estava entusiasmado para desenhar, e vi muitos temas interessantes. Optei por uma construção decadente, à beira da estrada que corta a cidade.


Um pouco adiante, fiz um rápido piquenique e parei novamente em Felsőszölnök, pois havia decidido colorir o desenho que fizera dois dias antes (queria trazer uma recordação mais bacana de lá).
Logo mais, voltei à Kétvölgy para fazer um desenho. Escolhi a área pertencente à outrora vila de Permise.
Fiz um desenho da qual tenho bastante apreço.
Me senti um tanto sozinho ali, desenhando sentado em um talude à beira da via. Em cerca de 1,5 hora, vi apenas uns dois ou três carros, uma senhora de bicicleta, um cachorro desconfiado e um gato curioso.
Tive uma sensação bastante vívida da maneira como se vivia há mais de 100 anos, naquelas terras. Me conectei de algum modo à minha bisavó, Teréz Trajber, que não tive a oportunidade de conhecer, já que ela morreu antes do meu nascimento. Imaginei o isolamento e a solidão que devia sentir, principalmente no inverno, se é que isso não fora apenas uma projeção minha...talvez se vivia com mais plenitude à época, sem a excessiva e inquietante conectividade que temos hoje?

Enfim, este foi um dia que pude curtir uma certa solitude e silêncio, dedicando-me exclusivamente a passear e desenhar. No dia seguinte eu voltaria à Budapeste.

Sketching at Kétvölgy (Permise)


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October 22 was my birthday, specially spent at Vendvidék. My day started sweetly, with a birthday cake and some presents. Later on, Cecilia and I went sketching near Őriszentpéter, precisely at the spot where her friend Adrienn used to spend her childhood. From the sketch I did, I kept only a picture, as the original was a gift to Adrienn. Then, I left Cecilia at the train station and drove to Szentgotthárd, where I met some relatives! They were really nice with me, and I had a great time with them, talking about Hungary, Brazil and, most of all, our common roots. We are all descendants of the same great-grandparents.
The next day I was by my own, and I took the whole day to sketch. I started at the Szent Péter-templom, located between Őriszentpéter and Szalafő. This small and well preserved church was built at the XIII century. I sketched sitting in a gravestone, with the company of a cute cat.

I then head up to Szentgotthárd, as I wanted to sketch its beautiful Baroque church, which belongs to the Cistercian monastery of the city. It was October 23, so there was a kind of a parade going on, as this day marks the beginning of the 1956 Revolution. I met, by chance, the dear Tibor Horvat e Joël Gerber, who are the founders of the site Vendvidék, as I mentioned on my first post about this trip. It was really nice to meet them.
Next, I drove down to Alsószölnök, passing by Szakonyfalu, where the Majczán branch of my family came from.
Alsószölnök is only 7 kilometers south of Szentgotthárd, and my interest on this tiny village lies on the fact that my grandfather Jozséf Bajzek worked there as a blacksmith apprentice for a few months, before coming to Brazil in 1930.
The time I spent in the village was great. I was inspired. The place was really quiet and with some very interesting subjects for drawings.

Sketching at Alsószölnök

After one hour or so, I had a lunch in the car and moved to Felsőszölnök, where I finished the drawing I started two days before - I wanted to take a nice 'souvenier' from there too.
My last stop was at Kétvölgy, more precisely at Permise, where my great-grandmother Teréz Trajber was born. I sketched for more than an hour, and I only saw two or three cars passing by, a lady in a bike, a mistrusted dog and a curious cat.


I could feel the loneliness and isolation people would feel a hundred years ago. Well, maybe that was just a projection of mine. Maybe they lived with completeness back then, without the major distractions we have today.
The village of Kétvölgy (Permise), where my great-grandmother was born in 1893

Anyways, that was a day I could enjoy sketching with a certain solitude. On the next day I would return to a big town, Budapest, so my time at Vendvidék was almost over.

Félsoszölnök


Aquarelas 'en plein air,' ao final de dezembro...Plein air watercolors at late December

Nos últimos dias do ano, aproveitei o entusiasmo meu e de alguns amigos para fazer algumas aquarelas ao ar livre. No sábado dia 29 de dezembro, fui ao Parque do Ibirapuera com o Luiz Celestino, do Brushwork Atelier. Passamos o dia todo no parque, e fizemos 3 aquarelas cada um, lidando com o calor intenso e o parque bastante cheio. Foi um dia muito agradável, de estudos e troca de ideias. Voltei para casa com aquela sensação de preenchimento, quando temos um dia muito bem aproveitado.

Ontem, dia 31, encontrei-me com os aquarelistas Odil Miranda, de Londrina - PR e Renato Palmuti, de São Paulo. O local escolhido foi a Praça Cornélia, na Lapa, e o tema, a igreja São João Maria Vianney. Meus pais casaram-se nessa igreja há quase 50 anos. Eu morei nas imediações durante 4 ou 5 anos.
Passamos a manhã desenhando, pintando e trocando boas ideias sobre arte, trabalho e viagens.
Feliz 2019!

The last days of the year were well enjoyed. Me and some friends met to paint on location. On December 29 we chose one of the most popular parks in Sao Paulo, the Ibirapuera Park. It was a good choice, the park is beautiful and the weather was great, although it was way too hot. I did 3 watercolors and came back home really satisfied to have enjoyed the day at its most.
Yesterday, me and some other friends went to a small square near where I lived some time ago. We all chose the small beautiful church as our subject. It was a great morning as well. We sketched, painted, chat about art, work and travels.

Happy New Year!


26 dezembro 2018

Hungary Trip XI Felsőszölnök

Domingo, 21 de outubro de 2018.

Começamos o dia visitando novamente a igreja de Apátistvánfalva, mas dessa vez pudemos entrar e conhecer seu belo interior. Conforme eu mencionei em posts anteriores, essa igreja era, muito possivelmente, frequentada pelos meus antepassados que viveram nas cercanias - em Orfalu e Kétvölgy.

Fiquei surpreso com a beleza do interior da igreja - a julgar pelas austeras fachadas, pensei que fosse mais simples.
Então nos dirigimos à Felsőszölnök, distante apenas alguns quilômetros.
Foi nessa vila que se estabeleceu a família Bajzek!

A história da família, até onde eu tenho informações, remonta até o século XIX, quando nasceram meus bisavós Jozséf Bajzek (1875) e Teréz Talaber (1876). O casal teve 14 filhos, sendo que destes apenas 8 chegaram à vida adulta.  Em 16 de janeiro de 1911, nasceu meu avô Jozséf Bajzek, que veio para o Brasil em 1930, com sua irmã Teréz Bajzek. Dos outros 6 filhos, alguns ficaram na Hungria, e outros foram para o Canadá.
Assim que chegamos à vila, começamos a explorar. Primeiro fomos à igreja, que infelizmente estava fechada (conseguimos entrar mais tarde). Em seguida fomos a um pub local, onde Cecilia tentou descobrir alguma coisa com os sisudos senhores que tomavam cervejas, sem muito sucesso. Depois fomos ao cemitério, e tínhamos uma missão: encontrar a lápide de meus bisavós. Olhamos dezenas, talvez centenas delas. Eu tirava fotografias de todas as lápides com inscrições de algum "Bajzek" (eu sabia entretanto, que podia haver muitas famílias diferentes com esse sobrenome, relativamente comum nas redondezas).
 Após um certo tempo, Cecília teve mais sorte e localizou a lápide! Em ambos os lados desta, mais duas que descobrimos serem de irmãs de meu avô, pelas informações que eu tinha comigo. Fiquei emocionado com o achado!

Cecilia perguntou a uma senhora que ali estava se, por acaso, ela conhecia àquela família. Por um jogo do destino, esta senhora conhecia alguém que cuidava dos jazigos, que não pareciam abandonados, e nos indicou a casa onde morava essa pessoa.
Para lá fomos, muito entusiasmados e até um pouco nervosos.

O senhor que atendeu à campainha nos pediu para entrar, sem cerimônias. Sua simpática esposa e Cecilia começaram a conversar na cozinha - para nossa completa satisfação, ela confirmou a história e disse que conhecia uma senhora de nome Anna Kondor, que dizia ter 'parentes no Brasil'...chego a me arrepiar enquanto relato isso...foi muito incrível. Ela então ligou para Anna Kondor e avisou que estaríamos indo até lá!

Fomos recebidos à porta, e já convidados a entrar, sem necessidade de maiores explicações.

Tomamos pálinka e conversamos bastante sobre os Bajzek. Na verdade eu tirava fotos e filmava as conversas entre Anna e Cecilia, que anotava as novidades em uma folha de papel.


Fomos levados mais tarde a conhecer o exato local onde se encontrava, há mais de 100 anos, a casa da família Bajzek. Hoje há ali apenas um barracão e um poço.

A mata tomou conta do terreno, como se a história ali não importasse mais. E talvez seja assim mesmo...Onde hoje pulsa a vida humana, em cem anos pode nada mais haver, apenas a natureza tomando seu lugar de direito.
Foi uma longa caminhada até o sítio, entre ida e volta, repleta de histórias interessantes e, mais que tudo, de entusiasmo pelas descobertas.
Nosso dia em Felsőszölnök não podia terminar sem um sketch. E assim fomos desenhar a pequena igreja da vila, apesar do frio intenso que fazia.