17 novembro 2018

Hungary Trip - Jó napot!

Jó napot!

Pelas próximas semanas, postarei alguns desenhos e contarei algumas histórias da minha recente viagem à Hungria. Espero terminar esse pequeno 'projeto', muito embora devo confessar que dificilmente eu consigo manter uma disciplina e chegar até o fim, como foi o caso da viagem de Porto, em julho deste ano. Veremos o que posso fazer. Essa viagem tem um apelo maior, já que tenho um carinho especial por esse país e pela história da minha família, cuja origem é húngara (pelo lado materno).

Como falei anteriormente, neste post, meus avós e bisavós eram húngaros.
Pude, ao longo dos últimos meses, resgatar um pouco sobre a história deles. Na verdade, esse interesse nasceu ainda quando minha vó era viva. Respondendo à minha curiosidade, certo dia (em 2008) ela me trouxe uma caixa repleta de fotografias e documentos da família. Eu fiquei fascinado com tudo aquilo. Fiz muitas perguntas, anotei muitas coisas, pesquisei na internet à época e comecei a digitalizar esse material. Descobri, por exemplo, que apesar da região onde nasceram pertencer à Hungria (mesmo no passado), eles eram mais ligados à cultura Eslovena que à Húngara.

Muitos anos se passaram até que esse interesse veio à tona novamente, impulsionado pela possibilidade de visitar o país e explorar esse passado! Muito entusiasmado, fui com o coração aberto, e a curiosidade transbordando.
Eu tive a ajuda de algumas pessoas queridas, incluindo minha prima Marcia, que visitou a Hungria anteriormente e da minha amiga Cecilia, artista e sketcher húngara que conheci em 2011, no simpósio de urban sketchers de Lisboa.

Então -  apenas para introduzir o assunto da história familiar -  meus bisavós e avós nasceram na região de Vendvidék, no oeste da Hungria, muito próxima à fronteira da Eslovênia e Austria, no condado de Vas.
Vendvidék é o 'país dos Vendek', ou a 'Região Eslovena do Rio Raba'. 'Wend', em alemão significa 'forasteiro', ou 'estrangeiro', e designava o povo de origem eslava vivendo à leste do território germânico. O termo continuou designando, da mesma forma, o povo esloveno que passou a viver na região, trazidos por monges francos de Szentgotthárd, para ocupar e trabalhar a terra.
Os "Vendek" (o povo, palavra húngara no plural) tem sua própria identidade, cultura e língua. Minha vó (até onde sei) falava "Vend", um dialeto que mistura esloveno e húngaro.
Vendvidék compreende a área ao sul de Szentgotthárd, e à oeste de Orség, um parque nacional, repleto de florestas preservadas, região pontuada por inúmeros vilarejos.
A região de Vendvidék, propriamente dita, tem 7 vilarejos. Minha família tem origem em 4 deles: Felsőszölnök, Kétvölgy, Orfalu and Szakonyfalu. Os outros 3 vilarejos são Alsószölnök, Apátistvánfalva and Rábatótfalu. Falarei de cada um deles mais pra frente. Claro que visitei e desenhei em todos (exceto em Rábatótfalu). A cidade de Szentgotthárd também tem estreita ligação com os Vendek (inclusive tenho familiares vivendo lá, como eu iria descobrir ao longo da viagem!).

Essas informações foram estudadas no site Vendvidék.com, um projeto pessoal dos queridos Tibor Horvat e Joël Gerber, que vivem em Szentgotthárd e que tive o prazer de conhecer pessoalmente. Eles estudam o assunto há anos e estão sempre interessados em ajudar.

Abaixo, uma página dupla do meu sketchbook com dois mapas. à esquerda, o mapa da Hungria, onde pontuei as principais cidades, os dois principais rios (Danúbio, ou "Duna" e o Tisza), além do lago Balaton. Também está destacada a pequena região que mencionei acima, cujo ampliação vê-se no mapa da direita. Neste mapa, estão destacadas os principais vilarejos da região e os sobrenomes da minha família, que podemos dividir em 5 'braços': Bajzek, Trajber, Rákár, Mesics e Majczán.

Em breve postarei os primeiros desenhos da viagem.

Espero que você goste de viajar comigo!






For the next weeks, I'll be posting my drawings and telling some stories about my recent trip to Hungary. I hope I'll be able to finish this small project as I usually post just a few of each trip. For example, I have a lot more drawings from the Porto symposium yet to post. Anyways...let's see what can I do.

As I told before, my great-grandparents and grandparents (from my mother side) were born in Hungary.  Over the past few months, and mostly during the trip, I could trace back their roots. Actually, this little research started in 2008, when my grandmother was still alive. Back then, as she realized I was curious about her history, she gave me a box full of pictures and documents. I started scanning all of this material, and taking some notes about things she said.

This curiosity came back again recently, with the possibility to visit Hungary and explore this past! I took this chance with my heart and my mind open. I was helped by some people, including my cousin Marcia and my Hungarian friend Cecilia, artist and sketcher I met in 2011, at the Lisbon Urban Sketchers Symposium.

So, my Hungarian ancestors were born in a region called 'Vendvidék', in the western Hungary, near the Slovenian and Austria border - at the Vas County. 
Vendvidék is the 'country of the Vendek' or the 'Slovenes Raba Region' (Raba is a river). 'Wends' is a German word for "foreign".
The history of these people goes back hundreds of years. They have their own culture, language and identity. My grandmother used to speak 'Vend' (the language), which is a mixture of Slovenian and Hungarian. 
Vendvidék  is geographically connected to the Orség National Park in Hungary, a beautiful and picturesque region covered with forests and splattered with small villages.
There are 7 villages in Vendvidék itself. My family lived in four of them: Felsőszölnök, Kétvölgy, Orfalu and Szakonyfalu. The other three are: Alsószölnök, Apátistvánfalva and Rábatótfalu. Szentgotthárd has also straight connection with this culture. I visit (and sketched) all of them, except Rábatótfalu.

These information were collected at the Vendvidék.com, a website which belongs to Tibor Horvath and Joël Gerber, whom I have the pleasure to meet in person in Szentgotthárd, where they live. They were very thoughtful and willing to help.

Bellow, you'll see a spread of my sketchbook, with two maps I did at home. The first one is the map of Hungary, showing the main cities, the two most important rivers - Danube and Tisza and the lake Balaton. It is also marked the region I mentioned above (on the left). The region is featured on the other map, which shows the villages and the names of my ancestors (there were 5 'branches: Bajzek, Trajber, Rákár, Mesics and Majczán).





















I hope you enjoy taking this trip with me!

(Next, the first sketches of the trip).

11 novembro 2018

Graphite is the Matter in Budapest - Results

The group at the end of the workshop. (Picture by Jakab Erdely)
Após cerca de um mês desde o último post, quando anunciei meu workshop em Budapest, estou aqui para compartilhar minhas impressões sobre a realização do mesmo. Na verdade, tenho muito a compartilhar sobre minha recente viagem à Hungria, mas vou começar pelo workshop, que aconteceu no último dia 28 de outubro.
O local escolhido para o workshop foi ótimo, com uma boa oferta de temas apropriados para a abordagem de lápis e massas. Fui ao local, na Kossuth Lajos utca com Ferenciek Tere, duas vezes antes da data da realização, a fim de estudar os temas, ângulos, movimento do local e alternativas em caso de chuva.

Our subjects
Na primeira vez que fui estava um frio quase insuportável, e ainda garoava em alguns momentos. Mas havia uma arcada onde poderíamos ficar em caso de chuva, o que me deixou aliviado. Voltei novamente no outro dia, bem mais agradável e seco, o que me possibilitou progredir nos estudos. Encontrei um tema para o inicio do workshop, onde os alunos deveriam fazer uma leitura da silhueta de uma igreja, não pelo contorno, mas pela sua massa visual. O tema para o estudo principal seria o belo e rebuscado edificio "Párisi Udvar". Felizmente a escolha dos temas foi bastante apropriada.
No domingo, dia 28, o tempo estava firme! Felizmente.
Foram ao todo 20 participantes, um número expressivo que me deixou bastante contente e animado.
Comecei falando sobre meu trabalho, sobre desenho urbano e sobre o grupo Urban Sketchers, o qual muitos já conheciam sendo frequentadores do grupo na cidade. A minha amiga Cecilia Simonyi fez a tradução e mais que isso, me ajudou bastante, já que é artista e urban sketcher.
Was I reciting a poem? Praying for inspiration? Singing? (Picture by Jakab Erdely)
Em seguida fiz uma rápida demonstração, falando sobre os materiais e sobre o primeiro exercício.
Todos pareceram entender bem, pois 'pegaram' a ideia desde o inicio. Alguns comentaram sobre a dificuldade de evitar a linha de contorno, fato muito natural dada a forma como todos aprendemos a representar o mundo físico, quando crianças e mesmo em nosso desenvolvimento artístico posterior.

First exercise going on. (Pictures by Cecilia Simonyi)

Em seguida, fiz uma nova e rápida demonstração da abordagem do 'Párisi Udvar', e os alunos enfim tiveram até o fim da aula para trabalhar nesse tema, com minha assistência e de Cecilia.
Talking about the results. (Picture by Jakab Erdely)

Ao final, espalhamos os cadernos pela calçada e avaliamos os resultados. Eu sempre convido os participantes a comentar seus próprios trabalhos e se quiserem, os dos colegas.

Same subject, same approach, same technique - 20 different works. (Picture by Cecilia Simonyi)

Essa foi uma das aulas que eu mais gostei de realizar. Foi intensa e produtiva e acho que houve uma troca incrível com os participantes. Foi um momento muito especial para mim, realizar um workshop de desenho em Budapeste, capital do país de origem da minha família.

Muito obrigado Budapeste!
Köszönöm szépen!


Conheça o belo trabalho de ilustração de Cecilia Simonyi em seu website.

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On October 28, I taught the workshop "Graphite is the Matter" in Budapest, as announced.
I have plenty of stories and drawings to share about my recently trip to Hungary, but I'm starting with this workshop.
The workshop was planned by me and the local artist and friend Cecilia Simonyi. It was approved as an official Urban Sketchers workshop and it also had local support by Usk Budapest.
The workshop location, at Kossuth Lajos U and Ferenciek Tere, was a great choice. It had some interesting subjects for a painterly approach with graphite.

I went to the spot twice before it happened to study the location, its subjects, possible angles and alternatives in case of rain.
On the first day, the weather was challenging. It was very cold and wet, which forced me to work quickly and to stop for a coffee nearby. At least, I was relieved as I noticed the existence of a loggia where we could be sheltered in case of bad weather on the day of the workshop.
I came back on the the next day. As the weather improved, I worked peacefully on a few pieces for the demos. I could finally feel well prepared - it was the same feeling of teaching at an Urban Sketchers symposium.
On Sunday morning, the day of the workshop, the weather was just perfect for teaching and drawing.
I started talking about my own work, about urban sketching and the Urban Sketchers organization itself. Cecilia assisted me, and did the translation to Hungarian.
Then, I did a quick demo showing the first exercise, taking the opportunity to talk about the materials and pencil technique themselves.
Everyone seemed to grasp the idea of working with masses, looking at the whole visual mass of the subject, trying to avoid doing contour lines.
After everyone finished I did another quick demo showing how to proceed next. I remember some participants asking what the "next steps" were. I showed then how to keep focusing on the masses, improving the general composition whilst adding smaller shapes for windows, doors, building ornaments, people and so on.
At the end, we put all the drawings on the ground and shared the impressions of the technique, approach and results. People were happy with the experience and so was I!

I honestly believe it was one on the best workshops I've ever taught. It was very productive and the group was eager to learn and to try this approach. For me it was really special teaching at Hungary, the country where part of my family came from!

I'd like to thank Cecilia for her assistance and to help me making this workshop happen. I'd also want to thank Urban Sketchers and Urban Sketchers Budapest!

Köszönöm szépen!

Get to know the beautiful work by Cecilia Simonyi on her website.

Relaxing after the workshop, taking a look at some of my drawings. (Picture by Cecilia Simonyi)
"I'd like to introduce you the kneaded eraser!" (Picture by Jakab Erdely)
Thinking with the students (Picture by Cecilia Simonyi)


05 outubro 2018

Graphite is the Matter in Budapest


The workshop 'Graphite is the Matter' will be in Budapest, 3 months after the 9th Urban Sketchers Symposium.
Back at the symposium, which took place in Porto / Portugal, I led three sessions of this workshop and I was happy to heard some very good feedback about it. 
I continue to be excited about how interesting and promising this approach to urban sketching is. The idea of focusing more on the mass of forms rather than its contours and to build the drawings through values has been fascinated me since 2012, when I led the workshop 'Straight to Colors' in the Santo Domingo symposium. Since then, I've been developing this approach and eventually choose pencil as the most appropriate technique to teach in workshops.
Workshop description
This workshop is about a different way to see which leads to a new sketching approach, using pencil as the main tool in order to create a tonal atmospheric drawing.

In this workshop, 3 types of tools will be necessary:
  1. Graded pencil: an affordable and simple art tool. Easy to work with;
  2. Erasers: there are a few useful kinds, like kneaded eraser and mechanical eraser. We will use them to build in and reveal lights;
  3. Blending stump: it’s a shortcut. It put the matter together and makes the drawing visually stronger.
Pencil can be also very rich in terms of character. We can refine the drawing as we add more and more information on it, in layers and in increasingly smaller areas. We may achieve a nice atmospheric effect. Perhaps, a beautiful and expressive painterly style.

This workshop balances:
A technique - graded pencil;
An approach - seeking angles / shapes and working with masses;

The technique: we are using our tools to create shapes, one on top of the other.
Graphite is the matter. We will use this matter to build forms.

The approach: instead of contours of forms, we will focus on their mass, translate them into shapes. These shapes have angles on their boundaries. If these angles are correctly seen (there are some tricks to do that), perspective will be there. Shapes will be big, loose and open at the beginning, more compact and darker at the end.

What do you get in this workshop?
  • You’ll learn how to use graded pencils, a kneaded eraser and a blending stump to build up a tonal drawing;
  • You’ll learn some tricks to see angles and to put them correctly on the paper - this is about perspective, without being too technical;
  • You’ll see how rich the results of pencil sketches might be. I hope that happens on your own sketchbook. If doesn’t, hopefully you will be inspired to try it again.

Learning goals 
  • How to plan the composition, working in a loose manner and using light masses of pencil;
  • How to build perspective using a more flexible and intuitive approach;
  • How to organize your work in layers, from bigger areas to smaller ones; 
  • How to use a stump to blend masses and a kneaded eraser to 'sculpt' the sketch;
  • How to add details and contrast little by little, preserving the control of the entire process.

Workshop location 
The meeting point to the workshop will be at:
FUGA – Budapesti Építészeti Központ (Budapest Center of Architecture)
1052 Budapest, Petofi Sándor utca 5

Budapest – Hungary.

Dates:
October 28, 2018

Duration 
The workshop is 3,5 hours long, running from 9:30 a.m. to 13:00;

Maximum number of participants:
The maximum number of participants is 15.

Minimum number of participants:
The minimum number is 5.

Supply list

  • Pencil 3B to 6B: Koh-I-Noor, Derwent, Cretacolor, Staedler or similar;
  • Eraser: “Tombow Mono Light Eraser” / “Staedler Mars Plastic” or similar (white / soft / latex-free);
  • Kneaded rubber eraser: Cretacolor / Prismacolor / Staedler / Faber-Castell;
  • Mechanical / Precision erasers (pen-style body): Tombow Mono Zero Round 2,3mm and/or 3,8mm;
  • Blending Stump: medium size (usually nº 5);
  • Paper: your sketchbook (ideally A4 / smooth surface)


Registration fee
5.500 HUF
3.000 HUF (students / pensioner)

Looking forward to sketching with you in Budapest!


11 setembro 2018

Curso de Desenho de Vegetação

Em breve acontecerá nova turma do meu curso de Desenho de Vegetação!
Será nos dias 22/09, 29/09 e 06/10, sempre das 09:00 às 18:00hs.

Este curso nasceu em 2016, devido a uma grande demanda dos alunos dos meus outros cursos a respeito desse tema, que é muito rico em termos de abordagens de desenho.

Veja nesta postagem mais informações sobre o curso.
http://ebbilustracoes.blogspot.com/2016/08/nova-turma-do-curso-de-desenho-de.html

O endereço permanece na Rua Baronesa de Itu, 610, próximo ao metrô Marechal. São Paulo - SP


Para maiores informações envie uma mensagem para o e-mail que aparece no flyer!

Obrigado

03 setembro 2018

Centenário de Anna Bajzek.

Hoje minha querida vó Anna Bajzek, batizada Anna Trajber, faria 100 anos. Ela nasceu em 03 de setembro de 1918 em uma aldeia chamada Orfalu, na Hungria, próxima à fronteira da Eslovênia.
Veio ao Brasil em 1937, aos 17 anos, juntamente com seu irmão mais novo João Rakkar. Passou algum tempo em Szentgotthárd e depois rumou a Budapest, acredito que para reunir os documentos para imigrar ao Brasil. Segundo ela, foram de carro para Trieste, na Itália, onde embarcaram para o cá. A viagem durou 17 dias.
Infelizmente não dei conta do centenário de nascimento dos meus outros avós, tão queridos quanto ela.
Mas fica aqui minha homenagem com essa bela foto onde ela aparece ao lado do meu avô, em seu casamento (meu tio avô está em pé atrás dela, de terno claro). Existe uma certa seriedade em seu olhar...talvez na época fosse de bom tom que os retratados aparecessem assim? Ou ela estava apenas cansada? Ou sentia-se, de certa forma, só, naquele momento, longe de sua terra natal...
De qualquer forma quando vi essa foto pela primeira vez achei que ela parecia uma princesa. Ainda acho. Uma linda princesa húngara.

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Today, my grandmother would turn 100 years old. Anna Bajzek was born in September 03, 1918 in a small village in Hungary, near the border of Slovenia.
She came to Brazil in 1937 with her younger brother...she was only 17!
She spent some time in Szentgotthárd and then head to Budapest where I believe she got their documents to immigrate to Brazil. As she once said, she and her brother were taken by car to Trieste in Italy, where they board to Brazil. The whole trip took 17 days.
Unfortunately I didn't realized my other grandparents birth centenaries - they were so loved as she was.
However, here is my homage to her, with this beautiful picture of her marriage.
There is a certain deepness in her look, she looks serious. Was this expected when they used to take these kind of pictures? Was she only tired? Or maybe she was somehow feeling lonely, in this precise moment, far from her land?
Nonetheless, when I first saw this picture I thought she looked like a princess...still do. A beautiful Hungarian princess.

27 agosto 2018

São Francisco e a Árvore de Jessé


Este é uma outra página dupla do meu sketchbook do Porto.
Mostra vários aspectos internos e externos da Igreja - museu de São Francisco.
Primeiro entrei no agora chamado 'museu' (não funciona mais como um templo religioso). Infelizmente não se podem tirar fotografias...porém, ninguém mencionou sobre desenhar.... Assim comecei tentando retratar a incrível (e talvez indescritível, 'indesenhável') 'Árvore de Jesse', uma imensa escultura altamente rebuscada e complexa. Usei uma caneta que nunca havia usado...resultado, me dei mal! rs Para tentar salvar a página, decidi seguir o caminho sinuoso e caótico que é ir desenhando sem planejar, uma coisa sobre a outra. Os arquitetos diriam 'tomar partido' do caos.
Enfim, ao sair adicionei aquarela e criei essa bagunça de imagens, linhas e manchas. (o azul escorreu de outra aquarela).
Depois fiz o desenho da fachada gótica, tão bela, mesmo cortada pela metade pelo outro edifício. Da vontade de estudar e saber quando foram construídas, porque são interligadas assim, etc.
O tempo alternava-se entre nublado e ensolarado, frio e calor... 'Facinho' de lidar.

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This is another spread from my Porto sketchbook.
It shows some sketches I did at Sao Francisco Church/Museum. I first got inside to which now is considered a museum (no longer used as a religious temple), and got once again amazed by its rich interior. I went there in 2007, with my parents.
It's almost all covered by gold leaf. It's stunning. Unfortunately, no pictures allowed. No one said anything about sketching though.
So, I tried to use a new brush pen 'and' with a very difficult subject: the incredible 'Tree of Jesse' sculpture. It didn't worked out, of course. But I insisted on the page and started to add random sketches around, and once outside, applied some watercolor which, in the end, helped a little.
Then I did the sketch of the church's Gothic facade. It's just beautiful, even it seems cut in half by the other building.

19 agosto 2018

Ponte Luis I, em jejum e com coragem.


Ponte Luis I, Porto, 2018.
Fiz este sketch logo cedo...a luz estava linda. O fiz sem ter tomado meu café da manhã, por isso acho que eu estava mais corajoso hehe. Fiz umas linhas rápidas de lápis para situar a composição e lancei as pinceladas com uma certa ousadia (porque não fazer mais trabalhos assim?)
Eu poderia ter deixado o poste à direita fora da composição, mas enfim, tudo bem. O foco aqui era, de certa forma, a luz e a escala da ponte.
Há uma certa controvérsia quanto ao nome da ponte: consta como" Ponte Luis I" a inscrição em placas comemorativas fixadas nas colunas, sendo este considerado seu nome oficial, e não "Dom Luis I". Diz-se que o motivo de terem retirado o "Dom" se deveu ao fato de o rei não ter comparecido à inauguração da ponte, em 1888, ficando o povo da cidade ressentido. Segundo li, entretanto, nessa época era comum não incluir o título do homenageado nessas ocasiões.

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Luís I Bridge, Porto.
I sketched this view early in the morning...the light was so beautiful!
I didn't have breakfast when I did this, that's the reason I think I was more courageous. :)
Other than that, I wish I could skipped the light pole on the right...but you know, that's fine.

18 agosto 2018

Porto lines...

Mais duas páginas escaneadas: A direita, as Escadas do Codessal, uma das vistas mais incríveis que eu já desenhei e com certeza uma das mais fantásticas do Porto: a ponte Luiz I passando sobre as escadas e literalmente tocando as casinhas que ali se aninham é de tirar o folego. Parece exagero, mas é verdade, é muito legal! A escala da ponte em contraste com as casinhas miúdas é muito impressionante. O Rio Douro à distância, as caves na outra margem...pacote completo para o sketcher. Demorei muito tempo desenhando e assim acabei não pintando o desenho. Fiquei com um pouco de medo de estragá-lo também.

Na página da direita, uma colagem de desenhos de diversos locais da cidade, feitos em momentos diferentes, mostram diversos aspectos da arquitetura do Porto: o gótico, o barroco e o art noveau. Muitos desenhistas fazem esse tipo de trabalho, os quais me lembro agora de Gerard Michel e Mario Linhares.

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These pages were fun do! On the left, one of the most incredible views I sketched in Porto: Luis I bridge crossing above the Escadarias do Codessal, literally touching the houses bellow it, with the Douro River and Gaia bank on the background. I wish I had watercolored it, but I was hungry and a little afraid to spoil the drawing, I must confess.
On the right, a collage of line drawings, something many sketchers do, like Gerard Michel and Mario Linhares, whose works I admire a lot and come to my mind now.

Mosteiro da Serra do Pilar e a pilha de edifícios...

Vista através do Rio Douro, com a ponte Dom Luis I e o Mosteiro da Serra do Pilar sobre a colina. Fiz este desenho em duas sessões: antes e depois do café da manhã (linhas e depois aquarela).
Adorei como os prédios parecem empilhar-se uns sobre os outros formando linhas horizontais interessantes. Em um outro dia andei entre eles, que parecem estar abandonados por enquanto. Imagino que podem virar um ótimo atrativo turístico no futuro, com restaurantes, cafés, e outras atrações.


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The view across the Douro River, with Dom Luis I Bridge and the Mosteiro da Serra do Pilar up hill. I did this in two sessions: before breakfast (lines), and after breakfast (watercolor).
I love the stack of buildings. Later on, I wandered between them, and they are all abandoned now. Great subject and great possibilities for tourism in the future.

10 agosto 2018

Ângulos improváveis e chapas corrugadas

Mais uma do Porto. Eu fiquei encantado com a maneira como os prédios são sempre desalinhados, em suas faces e suas alturas. Alguns tem esse revestimento de chapa metálica que geralmente está enferrujado, o que torna tudo muito atraente. A luz nessa tarde era fantástica.
Final do primeiro dia no Porto.

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Another one of Porto...I love how the buildings are always facing different directions... the roof lines are always creating interesting shapes against the sky. Perspective games.
Those rusty corrugated surfaces are also an interesting subject themselves.

Não consigo chegar à Sé! I can't reach the Sé Cathedral!

Este é o 4º desenho escaneado do meu sketchbook do Porto (fiz outros desenhos antes, mas em folhas soltas, como estudos para minhas oficinas).
Esta rua é praticamente um convite ao desenho. Não pode ser ignorada. As casas todas grudadas, levemente desalinhadas, cheias de tranqueiras, remendos, canos, antenas, roupas penduradas, balcões, etc, formam um tema que eu julgo perfeito.
Sentei no barranco ao lado da escada e ali permaneci por cerca de 3 horas. Comecei o desenho pelas casinhas, deixando a escada para um segundo momento. À medida que o desenho ia crescendo para a esquerda, eu ia 'subindo' junto o parapeito da escadaria. Quando me senti confortável com a perspectiva adicionei os degraus que fazem uma curva à minha frente. Foi um desafio prazeroso. Escolhi deixar a escadaria sem cores para contrapor as casas cheias de cores e detalhes.
Como eu estava no barranco, ninguém veio conversar comigo, embora eu estivesse chamando bastante a atenção 😃.
Enquanto eu subia a colina, da Ribeira à Sé, pensava "Não consigo chegar à Catedral!" Toda hora havia um lugar lindo para fotografar, para desenhar! Daí batizei esse desenho: "Não consigo chegar a Sé"...meio bobo, mas fazia sentido na hora 😂
Alias, eu estava bobo ali, falando sozinho, rindo dos meus pensamentos. Estava feliz.

This is the fourth drawing of my Porto's sketchbook (I made a few before, in loose sheets, as studies for my workshops).
This is a very peculiar street near Se Cathedral. I loved the way the houses are attached to each other, following the slight curve of the street, all of them full of intricacies, details, pipes, satellite dishes, hanging clothes, lamps, balconies, etc etc.
I sat on the top of the hill, and sketched this for near three hours.
I added the staircase little by little, from right to the left, as I was becoming more aware of the perspective problems (the stairs make a long curve in front of me).
The sketch should be called "I can't reach Sé" - that was my goal that day, but the city and its amazing subjects kept me busy on my way.
Nobody came to talk to me as I was over the hill, although I was drawing a lot of attention seating there.
I was silly...smiling and laughing from my own thoughts. I was happy there.

08 agosto 2018

Pontes, torres e perspectivas sedutoras...

A ponte de ferro que se expande sobre as águas do Douro, conectando duas altas colinas, enquanto faz sombras entre as ruas, casinhas, escadarias e igrejas.
A torre de pedra que se ergue imponente, entre altas paredes e telhados, foi ali percebida com os cantos dos olhos, quase como se clamasse para ser por mim notada e desenhada... assim são as perspectivas do Porto. Os desenhos não demonstram nem de longe sua escala e profundidade...acho que tão pouco uma fotografia conseguiria tal feito. Resta apenas ver com os próprios olhos!

Second day... as I posted before, my breakfast was a little late so I did some sketches before it, like this one of the bridge. I think this spread is all about Porto perspectives: challenging, enticing...
I believe sometimes it's impossible to show, in a sketch or even in a photography, the scale and depth of some scenes, like these ones. You gotta see with your own eyes. All we can try to do is giving an impression of it.