04 julho 2018

Fim de tarde no Ibirapuera


No último sábado à tarde visitei a feira MADE no Ibirapuera e aproveitei para fazer um desenho. Continuo na onda do grafite, que vai durar pelo menos até o simpósio de Porto.
Fiquei ali, andando e lá pra cá para tentar achar a composição 'perfeita', e de tão 'perfeita' será que ficou sem graça? rs...mas não vou falar mal do meu desenho, ele não merece minha crítica insensível.
Adorei a luz de fim de tarde que procurei capturar com grafite, as curvas da arquitetura, as bordas que aparecem e desaparecem, os troncos altos e as esculturas rasteiras, os skatistas que, se eu pudesse, desenhava todos... passando rapidamente pelo 'observador'.
Mas quem é o 'observador'?
O que crítica, ou o que vivencia?
O que fica satisfeito pelo simples fato de produzir ou aquele que se regojiza com comentários carinhosos?
O que desenha descompromissadamente, ou o que desenha pensando no que os outros vão achar?
Não sei ainda...
E viva o Ego, que nos faz lutar, que nos faz querer ser melhor.
E dane-se o Ego, que nos faz sofrer com comparações e autocobranças.

27 junho 2018

Entre Santa Cecília e Barra Funda

Passei o dia desenhando na região de Santa Cecília e Barra Funda. Fiz apenas 3 desenhos apesar de tantas horas produzindo. E ainda assim, desenhos meio inacabados.
Na verdade esse do Minhocão foi interrompido mesmo, devido ao sol. Sabe quando você começa a ficar meio impaciente, sentindo o suor escorrer dentro da roupa, a visão meio embaralhada? rs...aguentei até onde foi possível.
E ficou assim. Não sei se vou mexer ou se voltarei lá algum dia para finalizar ou recomeçar.
Levantei e acabei entrando num boteco...tomei um pingado! ...suando.

Esse é o segundo desenho que fiz ontem.
O Palacete Momo e o Chorão.
Esse predinho fica à rua Vitorino Carmillo, quase na esquina com a Alameda Northman. Uma beleza de edificação, repleta de detalhes preciosos.
Trata-se de um prédio com térreo p/ comércio, mais dois pavimentos e sótão. Cada apartamento tem acesso por uma das escadas laterais. Hoje é uma pensão, pelo que me informaram, e está bem conservado, pelo menos por fora.
Fiquei sentado à sombra de uma árvore. O chorão que tentei retratar tampava boa parte da fachada, assim como a árvore do outro lado da rua.
A luz estava linda, mas banhava somente a empena lateral, embora tenha formado um recorte interessante (que fui retratando aos poucos) na fachada principal, nisso que se assemelha a uma bay-window.
Tentei deixar o desenho o mais leve possível, porque queria ser rápido. Apanhei do chorão. Fiquei com vontade de apagá-lo por inteiro. Mas como dizem: assim é.

Este foi o último feito no último sábado...detalhe do "Parque Savóia", na mesma rua Vitorino Carmillo. Trata-se de uma vila edificada na década de 1930 pelo engenheiro Arnaldo Mais Lello, para uma família de um imigrante polonês.
Essa é uma vista dos terraços que se projetam sobre o portão principal com destaque para o dragão de pedra que me chamou muito a atenção. Um senhor que passava me perguntou qual era a função desses terraços e minha sugestão foi que devíamos imaginar essa construção na época em que foi construída...com certeza a vista ali de cima devia ser bem atraente, com a região pontuada apenas por mansões e muito verde.
Ah se eu pudesse passar um dia todo desenhando para dentro dos portões. Quem sabe um dia.

Apanhei muito para tentar construir essa perspectiva de baixo pra cima. Nessa altura já estava meio cansado, apesar do animador tapinha nas costas que ganhei de uma senhora que passara por lá.


09 junho 2018

Sr. Maví, o sapateiro

Hoje foi um dia de sentimentos distintos.
Fiz este desenho do Sr. Maví, o sapateiro, e sua oficina na Av. Paula Ferreira - Freguesia do Ó, São Paulo.
Durante a semana fui levar lá uma blusa que estava com o ziper emperrado. Ele consertou pra mim e não quis cobrar. Notei a oficina dele...uma bagunça! Mas que tema...Perguntei se eu podia ir 'qualquer dia' desenhar lá. Ele não sei se entendeu bem, mas concordou com a cabeça.
Pois...fui hoje mesmo. Cheguei, expliquei o que ia fazer e ele já foi bem solícito. Me ofereceu uma cadeira, mas eu disse que ia ficar em pé mesmo, para não se preocupar comigo.
Fiquei das 10:00 às 13:00hs, quando parei para almoçar na padaria ali perto. Depois voltei e fiquei mais 2 horas. Ao todo, 5 horas de desenho, meu novo recorde (acho).
Não fiquei cansado...acho que os exercícios para a lombar na academia estão ajudando rs.
Tomei café e guaraná oferecidos por ele...conversamos sobre tudo. De futebol à espiritualidade. Ele é evangélico. Chegou a parar para orar, pegando a bíblia que se encontra no balcão (no desenho, no suporte à esquerda). Não sei se ajoelhou ou sentou-se no chão, porque sumiu atrás do balcão por uns instantes.
Pernambucano de Caruaru, tem 3 filhos e é separado.
Disse que vai retornar para sua cidade natal para ficar com os filhos, que moram por lá. Está há 18 anos trabalhando neste local, mas ha muito tempo em São Paulo. Trabalha com calçados desde jovem.
Nos despedimos com a promessa que levarei uma cópia do desenho para ele "guardar de lembrança".

Sr. Maví em seus afazeres diários.

Enquanto ele mastigava um sanduíche, eu tirei essa foto, já indo embora.

Ensinando-me a apontar o lápis com o estilete

Foram momentos intensos, mas prazerosos. Mais tarde, fiquei sabendo que a gatinha que eu tive com minha ex-esposa faleceu. Viveu 14 aninhos e era um doce de ser.

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I made this drawing of Mr. Mavi, the shoemaker, and his workshop at Paula Ferreira Avenue in São Paulo. I went there to get the zipper of one of my jackets fixed. He fixed it for me and didn’t even want to charge me. I couldn’t help but notice how messy the workshop was. But what a great scene! I asked if I could come by to draw it some other time. I don’t know if he understood, but he nodded his head.

When I showed up days later, I explained what I planned to do and he quickly offered me a chair. He was very willing to help, but I said I would stand up and not to worry! I spent from ten in the morning to one in the afternoon, then took a break to have lunch nearby. Then I came back and stayed for another two hours. In all, five hours of drawing, a new record. I didn’t even get tired. I think my fitness exercises must be helping!

Mr. Mavi, who is in his mid 60s, also offered coffee and guarana and we chatted a bit about everything, from soccer to spirituality. He’s Evangelical. He took a break to pray, taking a Bible that was on the counter – you can see in the drawing to the left. I don’t know if he kneeled or sat on the floor because he disappeared behind the counter for a moment.

He is originally from Caruaru in the state of Pernambuco. He has three children and is separated. He said he will return to his hometown to stay with his children, who live there. He's been working in this workshop for the last 18 years, but has spent many more in São Paulo, working as a shoemaker since he was young.

We said goodbye, and I promised to bring him a copy of the drawing so he can keep it as a memento of the workshop.


03 junho 2018

Mercado de Pirituba


Aproveitei o feriado de Corpus Christie e fui visitar o Mercado Municipal de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Foram 3km de caminhada para chegar desde aqui, o Largo da Matriz na Freguesia.
Fiquei impressionado com a beleza do edifício! Trata-se de uma enorme cobertura de concreto sustentada apenas em um núcleo central, com uma grande coluna de concreto que funciona tb como caixa d´água. Tem 70 metros de diametro. É incrivel a delicadeza da estrutura - deve ter meros 10cm na extremidade, talvez nem isso!
O projeto é do arquiteto Abelardo Riedy de Souza, o mesmo que projetou o ed. Nações Unidas na esquina da Av. Paulista com a Brigadeiro. O projeto estrutural foi assinado pelo engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz (que entre tantas obras calculou o MASP, a cúpula da catedral da Sé e o planetário do Ibirapuera).
Cheguei às 10:00 e logo recebi uma visita...fiquei conversando com o Sr. Fernando, morador do bairro, angolano no Brasil há 50 anos, filho de portugueses. Batemos um bom papo. Ao se despedir, dizendo que já estava me "atrapalhando", deu-me a mão e desejou-me um bom trabalho. Um pouco adiante parou, e perguntou meu nome. Completou dizendo que seus pais chamavam ... (não lembro o nome do pai) e Laura. "Lindo esse nome né?" "olha, fico até arrepiado ao lembrar dos meus pais...". Virou e foi embora com a cachorrinha. O arrepio do braço dele passou para o meu.
Ás 12:00 parei e entrei no mercado para tomar um pingado e comer um enrolado de calabresa. Fui ao banheiro também.
Voltei e fiquei desenhando até quase às 14:00.
Mais algumas pessoas pararam e conversaram comigo, elogiando o prédio, lamentando as condições de manutenção.
Um outro senhor me informou que o janelão foi adicionado a posteriori. "Era pra ser aberto!"...mas fecharam, pois obviamente chovia dentro.
Uma outra moça ainda disse "sou apaixonada por esse prédio...parece uma flor".
Fui retornando pra casa...infelizmente fiquei com uma forte dor de cabeça. Ainda comi uma coxinha e uma esfiha no caminho rs. Dormi para passar a dor e trabalhei mais alguns minutos no desenho.

Ao postar este desenho no Facebook, fiquei muito contente com o feedback que as pessoas me deram. Alguns comentaram que moram ou moravam ali perto, e o prédio sempre foi uma referência para eles:

"Vc me fez relembrar tantas histórias! Morei bem pertinho dai qdo era criança. Esse prédio fez parte dela! Sempre o achei muito diferentão e gostava de passar pelos arredores, no escadão, parquinho... Ele ficava sempre no meio do caminho pra algum lugar. Meio do caminho da casa da minha vó Cida, pro outro lafo da casa da tia Bela, pra outro pra igreja e escola, loterica do meu avô... Pra cada lado tinha uma história..." (Arq.Daniela Hladkyi)




14 maio 2018

Catedral Metodista de São Paulo

Ontem, domingo dia 13 de maio, fui à Av. da Liberdade desenhar um edifício que fazia tempo que estava na minha (interminável) lista: a Catedral Metodista de São Paulo. Uma bela construção em estilo neo-gótico, com proporções bonitas e detalhes preciosos. Utilizei lápis grafite e trabalhei durante cerca de 2 horas.
Em alguns momentos algumas pessoas paravam para olhar o desenho e algumas fizeram comentários. O que eu mais gostei foi "Quem sabe faz ao vivo!"...hehe.
Foi uma manhã agradável na cidade.

19 fevereiro 2018

Dia Inesquecível em Taliesin - Frank Lloyd Wright Sketching Tour XV (02.08.2017)

Sketches feitos em Taliesin - terraço próximo ao teatro, vista da sede, midway barn e visitor center
Este dia foi muito especial. Visitei Taliesin East, a vasta propriedade que FLLW herdou da família, próxima à cidade de Spring Green, em Wisconsin, e onde viveu ou passou temporadas entre 1911 e 1959.
Visitor Center e placa no acostamento da estrada com design inconfundível.
Comecei cedo, me divertindo no Visitor Center, enquanto aguardava o inicio do "Estate Tour", que eu havia reservado meses antes.
O tour começa pela Hillside Home School, a primeira construção da propriedade, projetada por Wright em 1902 para suas tias Jane e Ellen Lloyd Jones.
O arquiteto depois remodelou e expandiu esse conjunto, adicionando o famoso 'drafting room', um teatro e alojamentos para a Taliesin Fellowship - comunidade que proporcionava aprendizado em arquitetura através de um sistema de internato (onde seus aprendizes inclusive colocavam a 'mão na massa', trabalhando no campo e nas frequentes obras do complexo).
Hillside Home School e alguns sketches feitos na primeira parte do tour
Durante esse primeiro trecho da visita, tentei fazer alguns sketches, tomando cuidado para não perder, entretanto, as explanações da experiente guia que nos acompanhava. Infelizmente não havia tempo para fazer desenhos mais elaborados, e não podíamos ficar desacompanhados durante o tour. Notei com atenção os detalhes construtivos que me encantaram desde que era um estudante de arquitetura: o assentamento de pedras, os longos beirais, a elegância das linhas e a comunhão com a natureza e a paisagem local.
Aspecto característico dessa fase do arquiteto: amplos beirais, paredes em pedra e madeira
Serviços de manutenção sendo executados naquele dia

Drafting room com colunas em forma de triângulo invertido.

Teatro com painel de cortina ao fundo.
A segunda parte do tour se deu na pequena casa de Jane Porter, irmã de Wright, no alto de uma colina e próxima ao pequeno e gracioso "Romeo and Juliet Windmill" (moinho de vento). A residência erguida para Jane é um tanto convencional ao se levar em conta o ímpeto criativo de Wright..."Eu quero uma casa, não um experimento", disse a mesma ao irmão, o que explica o motivo da simplicidade da construção.
Romeo and Juliet Windmill e Jane Porter House

Seguimos a pé para a sede da propriedade, passando antes pelos celeiros "Midway Barn", cuja torre com pináculo se destaca.
A aproximação à sede revela gradualmente a construção que se lança sobre uma colina, entre árvores generosas. Chama a atenção a horizontalidade do conjunto (característico do estilo 'Praire'), e o longo terraço que projeta-se à frente do bloco.
Midway Barn e a sede de Taliesin com terraço-mirante destacando-se entre as árvores
Uma intensa caminhada nos levou ao pátio, cercado pelas diversas alas do conjunto (é difícil entender como a construção se organiza pelo terreno - um mapa detalhado ajudaria nesse sentido).
Depois de uns refrescos, avançamos por entre as diversas alas, ora externamente, ora visitando alguns aposentos.
Pátio 

Escada em um dos cantos do pátio
Alguns dos pontos altos da visita são, certamente, o living room e terraço adjacente, o estúdio e o quarto do arquiteto. Fiquei muito entusiasmado tirando fotos das belas e originais lareiras (há dezenas delas), dos caixilhos e cantos de vidro, de objetos de decoração que Wright colecionou durante sua vida, do mobiliário e outras curiosidades.
Muitas lareiras, todas com design original

O famoso terraço-mirante que projeta-se sobre a copa das árvores (infelizmente sem acesso ao público -  mas compreensível)

Alguns pormenores da construção

Estúdio

Ao sair do edifício, passamos mais uma vez pelos belos e bem cuidados jardins que cercam o pátio principal e pude ver ainda um canto um tanto icônico que ilustra muitos livros sobre o arquiteto.
Ao fundo, vista clássica de Taliesin. À frente, um homem cansado mas farto de felicidade :)

Entramos na van e fomo deixados no Visitor Center onde comi um ótimo lanche. Após umas comprinhas na Gift Shop ;), fiz um desenho mais caprichoso. Segui viagem, feliz por ter realizado um sonho!
Vista panorâmica de Taliesin!



12 fevereiro 2018

Manhã de Carnaval...desenhando.

Ontem fui passear e desenhar com minha namorada pelo Elevado João Goulart (o Minhocão) e Higienópolis.
No Elevado, desenhei este edifício antigo, colado à via. Chamou-me à atenção as sombras projetadas pelas pequenas sacadas, seu tom único de cinza que traz unidade à imagem, e até as pichações que conferem um ar de abandono e decadência.
Fiz o desenho utilizando primeiro lápis grafite para capturar as massas gerais do edificio, além de posicionar as sacadas e ajustar a perspectiva. Depois passei para a caneta nanquim, a fim de 'adiantar' o processo, na medida em que torna-se mais fácil definir as arestas e detalhes com linhas. Depois voltei ao lápis escurecendo tons e delineando sombras. A borracha foi utilizada para refinar algumas arestas, criar pontos de luz (vide roupas penduradas nas sacadas), e modelar nuvens.
Essa técnica de construção foi utilizada por mim pela primeira vez em um desenho que fiz a partir da cobertura do Shopping Light, em 2016. Acho que é uma ótima parceria essa entre lápis e nanquim.

Após um almoço 'esquecível' em uma padaria de Santa Cecília, caminhamos em direção a um edifício que chama a atenção de todos os que sobem a rua Aureliano Coutinho, que na esquina com a Marques de Itú torna-se rua Sabará. Trata-se do Edifício Domus, de 1958, projetado pelo casal de arquitetos italianos Maria Bardelli e Ermanno Siffredi, os mesmos que projetaram a famosa Galeria do Rock, no centro da cidade.
É muito interessante a forma curva dos terraços que, como disse o autor do livro São Paulo nas Alturas, Raul Juste Lores, "lembram a proa de um navio, decorados por pequenos furos que evocam um negativo de filme". Acho particularmente interessante também a forma refinada dos terraços à esquerda. Chama atenção ademais, o contraste das curvas com a trama reticular do imenso bloco de apartamentos do edifício Parque Higienópolis.
Neste desenho utilizei caneta Bic preta e markers. Foi dificil tomar a decisão de colorir o desenho que mostrava-se muito elegante somente em traços. Mas eu e minha namorada decidimos que valia a pena arriscar.

01 fevereiro 2018

Jacobs I House - FLLW Sketching Tour XIV (01.08.2017)

Ainda no mesmo dia, peguei o carro e corri para ver mais algumas obras do arquiteto. A que eu estava mais interessado era essa: Herbert and Katherine Jacobs First House, considerada a primeira Usonian House construída pelo arquiteto.
A casa térrea, de 140 m2, parece pequena e reservada vista da rua. Da calçada nota-se apenas as paredes de madeira corrida encimadas por caixilhos, o tijolo à vista de algumas empenas de alvenaria,  os grandes beirais e a garagem discreta, porém audaciosa (está inteira em balanço). Mal se vê a porta de entrada. Dito isso, e entretanto, a casa projetada por Wright e construída em 1937 fora concebida para se abrir para os fundos do lote, com implantação em forma de "L".

Como mencionado acima, esse projeto foi o precursor do sistema de casas 'populares' idealizado pelo arquiteto durante a grande Depressão dos anos 30, conhecido como Usonian. A ideia básica era criar  sistemas construtivos simples, inovativos e com uso de pré-fabricados, minimizando os custos com mão de obra no canteiro, e que atendessem às expectativas de famílias de classe média norte-americanas. Herbert Jacobs solicitou ao arquiteto construir sua casa por $5,000 (atualmente cerca de 90,000 USD ou R$ 315.000,00), o que fora atendido exceto por uma pequena defasagem de 10% ;)
Wright utilizou paredes de sanduíche de plywood (madeira compensada) com 5,7 cm, uma fundação 'radier' (ou seja, de laje maciça de concreto) e até tijolos 'desviados' da construção da fábrica da Johnson Wax, de Racine, segundo 'reza a lenda'. A parte da inventividade deu-se pelo sistema de aquecimento desenvolvido para a casa, com trama de tubos alojados em um colchão de areia, sob a laje de fundação.
Enquanto tirava algumas fotos, uma simpática senhora deu-me a dica para bisbilhotar a casa pela rua lateral, de onde fiz um rapidíssimo sketch enquanto era atacado por mosquitos.
Sketches feitos no local - Jacobs House I (à esquerda), e Taliesin.

Visite este site para mais informações.
Segui ainda, para uma última visita a uma obra de Wright nesse entusiasmante dia: a Walter Rudin House, de 1959 (abaixo).


Monona Terrace Convention Center - FLLW Sketching Tour XIII (01.08.2017)

Um post sem sketches para variar, apenas pois gostaria de compartilhar um local bacana que visitei durante minha viagem pelo estado de Wisconsin nos Estados Unidos.
Após minha visita ao Capitólio, na cidade de Madison, fui conhecer o Monona Terrace, que é um grandioso centro cívico, para convenções e eventos. Segundo o Wikipedia, o local abriga mais de 600 eventos todos os anos, incluindo inúmeras atividades culturais e sociais. 
A obra durou 3 anos e custou 67 milhões de dólares. Neste link do site oficial, você encontra um panorama da história desse projeto grandioso e polêmico, que nasceu na prancheta do arquiteto Frank Lloyd Wright em 1938 e só foi concretizado na década de 1990, depois de muitas modificações, aprovações e cancelamentos.
Eu acessei o complexo pelo belveder de cobertura, que se debruça sobre o lago Monona. O dia era bem agradável, foi gostoso passar alguns instantes observando o lago e tirando fotos dos canteiros de flores.

Depois, procurei a gift shop exclusiva do arquiteto, mas que infelizmente já encontrava-se fechada. Restou-me conhecer uma exposição do fotógrafo Pedro E. Guerrero, que acompanhou Wright durante toda a sua carreira reproduzindo fotos fantásticas de sua obra e relativa intimidade.





26 janeiro 2018

Wisconsin State Capitol - Frank Lloyd Wright Sketching Tour XII (01082017)

Após visitar a First Unitarian Church (e um breve lanche em um Colectivo Coffee), eu quis conhecer o Capitólio do Estado de Wisconsin, na cidade de Madison. Havia visto algumas fotos deste pomposo mas elegante edifício na internet.
Entrei timidamente, mas logo cheguei à rotunda deste edifício de 85 metros de altura, construído entre 1906 e 1917. Fiquei muito impressionado com as dimensões do recinto e a beleza do interior do domo. Ao perguntar sobre visitação, valor de ticket etc a um senhor da recepção, fui surpreendido com a resposta: "basta pegar o elevador logo ali". Gratuito e fácil.

Um senhor de terno pegou o elevador comigo e com um sorriso simpático demonstrou surpresa ao ouvir que eu era do Brasil. Com um outro sorriso, dessa vez enigmático, perguntou se o Lula seria presidente no Brasil novamente (...).
O Capitólio de Wisconsin é um vasto edifício em forma de cruz grega, abrigando as câmeras legislativas, a suprema corte do estado e o gabinete do governador. Uma lei proibi que nenhum outro edifício em um raio de 1 milha seja mais alto que o domo, resguardando visualmente sua arquitetura.

A vista da cobertura é magnifica. O dia estava lindo e ao longe era possível avistar o Monona Terrace Convention Center, edifício concluído nos anos 1990, a partir do traço do arquiteto FLLW.

Não resisti e resolvi fazer um sketch de um dos conjuntos escultóricos. Os vigias do local foram simpáticos comigo.

Este foi o típico passeio despretensioso, mas muito gostoso e interessante.