04 janeiro 2019

Hungary Trip XIII - Leaving Vendvidék

No dia 24 de outubro eu retornaria à Budapeste.
Como eu não precisava chegar tão cedo, aproveitei a manhã para conhecer mais um ponto de interesse da região de Őrség: A igreja da Santíssima Trindade de Velemér ou, mais precisamente, Szentháromság-templom.
A pequena igreja de feições românicas, é similar à de Szent-Petér, que eu visitei na véspera.
Foi mencionada pela primeira vez em 1360, mas estima-se ser ainda mais antiga. Tem como destaque os afrescos de János Aquila, executados entre 1377 e 1378.

O que mais me impressionou foi a sua localização isolada, em meio à floresta. É fantástico imaginar que sua presença no local nos remete a séculos de história! Eu fico fascinado com esse tipo de construção, que resiste à passagem do tempo, quase como se lutasse para jamais desaparecer.
Passei uma agradável manhã ali, contemplando a arquitetura, o ambiente e desenhando com bastante calma e paciência.

Após esse breve visita, segui viagem rumo à Budapeste. Foi uma viagem difícil de retorno à capital. Peguei trânsito e bastante chuva pelo caminho, mas cheguei bem.
Assim eu me despedi dessa terra...foram 6 dias incríveis em Vendividék e Őrség.
A terra dos Trajbers, a terra dos Bajzeks.
Agora eu sei aonde meus antepassados viveram.
Posso, sem exagero, experimentar uma corrente suave de sentimentos, ou sensações, quando penso nos meus avós, bisavós, neles todos.
Eles eram provavelmente felizes. Com certeza eram alegres. Brincavam, dançavam, corriam pelas encostas de mato rasteiro, frequentavam as missas nos pequenos templos dos remotos vilarejos.
Mas também trabalhavam arduamente no campo, eu imagino. Percorriam longas distâncias a pé...
Passaram dificuldades. A Primeira Guerra acabara de terminar. Talvez não houvesse muito o que fazer, além de produzir o próprio alimento.
Assim, eles desejaram um futuro melhor, talvez com mais possibilidades.
E souberam do Brasil... alguém dissera tratar-se de um belo país. Distante, mas quente. E próspero.
E assim eles vieram. Se estabeleceram; permaneceram.
Sou parte deles, assim como sou parte dessas terras.
Inesquecível Vendvidék.
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On October 24, I started my journey back to Budapest.
As I didn't need to come back so early, I took the chance to visit another interesting spot on the Őrség region: the Holy Trinity of Velemér, or Szentháromság-templom.
This small romanesque church is quite similar to the one I visit before - Szent-Petér.
It was first mentioned in 1360, but it's said to be even older. It has beautiful and well kept frescoes from János Aquila, done between 1377 and 1378.
What impressed me the most was its isolated location, in the woods. It's amazing to imagine how much time and history this building has witnessed. This is the kind of thing that makes me wonder...I just love architecture and how it relates to us, being the set of our lives.
I spent a pleasant morning there, contemplating the architecture and the scenery. I sketched calmly and patiently.


After this brief visit, I finally began my trip back to Budapest. I got a bit of traffic and raining, but I arrived safely.
It was the end of 6 incredible days in the Vendvidék / Őrség region of Hungary.
The land of the Trajbers. The land of the Bajzeks.
Now I know where my ancestors lived.
I may experience some feelings when I think about my grandparents living there, decades ago. I can feel inside my heart.
They were probably happy, with many brothers and sisters, but surely they faced difficulties. The First War had just ended.
The played a lot, as kids should living in the countryside, but they also worked very hard on the land.
They wanted to have a better future...Once, they heard good things about a beautiful, warmer country on the other side of the world.
They came, they settled. They raised us.
I am part of them, as I am part of this unforgettable place, the Vendvidék.

01 janeiro 2019

Hungary Trip XII - My birthday at Vendvidék

Cecilia Simonyi
Dia 22 de outubro foi meu aniversário, comemorado e vivido de maneira especial. Comecei o dia de maneira doce, com presentes e um inesperado bolo de aniversário. Foi especial estar nesse lugar, neste dia.

Mais tarde, Cecilia e eu fizemos um rápido desenho do local onde a amiga dela passou a infância, próximo à Őriszentpéter. O desenho foi dado à amiga dela como recordação.
Mais tarde, fui conhecer mais uma parte da minha família que vive na Hungria, descendentes dos meus bisavós. Passei uma tarde super agradável com eles!

Oriszentpéter aspect
O dia seguinte foi passado sozinho, já que Cecilia foi visitar sua família em sua cidade natal.
Logo cedo, passei rapidamente no Szent Péter-templom, uma pequena igreja localizada próximo aonde eu estava hospedado. É uma igreja muito antiga, cuja construção foi concluída na primeira metade do sec XIII, por isso suas feições românicas.
Pages of my sketchbook with sketches done in different days or situations.























Um pouco mais tarde, fui novamente à Szentgotthárd, pois eu estava muito interessado em desenhar a igreja barroca da cidade. No dia 23 de outubro comemora-se o aniversário do Início da Revolução de 1956, uma revolta popular contra o governo autoritarista da Hungria e o domínio da União Soviética. Por conta desse feirado havia uma certa movimentação na cidade, a qual fiquei meio à margem, entretido pelo desenho que eu fazia.
Enquanto desenhava, encontrei com os queridos Tibor Horvat e Joël Gerber os quais, conforme mencionei em meu primeiro post sobre minha viagem, são os autores do site Vendvidék.com. Eles me reconheceram e vieram ao meu encontro, o que me deixou bastante contente.


Segui para Alsószölnök, passando ainda por  Szakonyfalu, de onde vem o ramo Majczán da minha família.
Alsószölnök dista apenas 7km ao sul de Szentgotthárd, e meu interesse por essa localidade se deu pelo fato de meu avô Jozséf (José) Bajzek ter passado alguns meses ali, trabalhando como ajudante de ferreiro, entre 1929 e 1930, ofício que de certa forma levou adiante já no Brasil, como armador de ferro na construção civil.
Foi uma ótima parada. Eu estava entusiasmado para desenhar, e vi muitos temas interessantes. Optei por uma construção decadente, à beira da estrada que corta a cidade.


Um pouco adiante, fiz um rápido piquenique e parei novamente em Felsőszölnök, pois havia decidido colorir o desenho que fizera dois dias antes (queria trazer uma recordação mais bacana de lá).
Logo mais, voltei à Kétvölgy para fazer um desenho. Escolhi a área pertencente à outrora vila de Permise.
Fiz um desenho da qual tenho bastante apreço.
Me senti um tanto sozinho ali, desenhando sentado em um talude à beira da via. Em cerca de 1,5 hora, vi apenas uns dois ou três carros, uma senhora de bicicleta, um cachorro desconfiado e um gato curioso.
Tive uma sensação bastante vívida da maneira como se vivia há mais de 100 anos, naquelas terras. Me conectei de algum modo à minha bisavó, Teréz Trajber, que não tive a oportunidade de conhecer, já que ela morreu antes do meu nascimento. Imaginei o isolamento e a solidão que devia sentir, principalmente no inverno, se é que isso não fora apenas uma projeção minha...talvez se vivia com mais plenitude à época, sem a excessiva e inquietante conectividade que temos hoje?

Enfim, este foi um dia que pude curtir uma certa solitude e silêncio, dedicando-me exclusivamente a passear e desenhar. No dia seguinte eu voltaria à Budapeste.

Sketching at Kétvölgy (Permise)


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October 22 was my birthday, specially spent at Vendvidék. My day started sweetly, with a birthday cake and some presents. Later on, Cecilia and I went sketching near Őriszentpéter, precisely at the spot where her friend Adrienn used to spend her childhood. From the sketch I did, I kept only a picture, as the original was a gift to Adrienn. Then, I left Cecilia at the train station and drove to Szentgotthárd, where I met some relatives! They were really nice with me, and I had a great time with them, talking about Hungary, Brazil and, most of all, our common roots. We are all descendants of the same great-grandparents.
The next day I was by my own, and I took the whole day to sketch. I started at the Szent Péter-templom, located between Őriszentpéter and Szalafő. This small and well preserved church was built at the XIII century. I sketched sitting in a gravestone, with the company of a cute cat.

I then head up to Szentgotthárd, as I wanted to sketch its beautiful Baroque church, which belongs to the Cistercian monastery of the city. It was October 23, so there was a kind of a parade going on, as this day marks the beginning of the 1956 Revolution. I met, by chance, the dear Tibor Horvat e Joël Gerber, who are the founders of the site Vendvidék, as I mentioned on my first post about this trip. It was really nice to meet them.
Next, I drove down to Alsószölnök, passing by Szakonyfalu, where the Majczán branch of my family came from.
Alsószölnök is only 7 kilometers south of Szentgotthárd, and my interest on this tiny village lies on the fact that my grandfather Jozséf Bajzek worked there as a blacksmith apprentice for a few months, before coming to Brazil in 1930.
The time I spent in the village was great. I was inspired. The place was really quiet and with some very interesting subjects for drawings.

Sketching at Alsószölnök

After one hour or so, I had a lunch in the car and moved to Felsőszölnök, where I finished the drawing I started two days before - I wanted to take a nice 'souvenier' from there too.
My last stop was at Kétvölgy, more precisely at Permise, where my great-grandmother Teréz Trajber was born. I sketched for more than an hour, and I only saw two or three cars passing by, a lady in a bike, a mistrusted dog and a curious cat.


I could feel the loneliness and isolation people would feel a hundred years ago. Well, maybe that was just a projection of mine. Maybe they lived with completeness back then, without the major distractions we have today.
The village of Kétvölgy (Permise), where my great-grandmother was born in 1893

Anyways, that was a day I could enjoy sketching with a certain solitude. On the next day I would return to a big town, Budapest, so my time at Vendvidék was almost over.

Félsoszölnök


Aquarelas 'en plein air,' ao final de dezembro...Plein air watercolors at late December

Nos últimos dias do ano, aproveitei o entusiasmo meu e de alguns amigos para fazer algumas aquarelas ao ar livre. No sábado dia 29 de dezembro, fui ao Parque do Ibirapuera com o Luiz Celestino, do Brushwork Atelier. Passamos o dia todo no parque, e fizemos 3 aquarelas cada um, lidando com o calor intenso e o parque bastante cheio. Foi um dia muito agradável, de estudos e troca de ideias. Voltei para casa com aquela sensação de preenchimento, quando temos um dia muito bem aproveitado.

Ontem, dia 31, encontrei-me com os aquarelistas Odil Miranda, de Londrina - PR e Renato Palmuti, de São Paulo. O local escolhido foi a Praça Cornélia, na Lapa, e o tema, a igreja São João Maria Vianney. Meus pais casaram-se nessa igreja há quase 50 anos. Eu morei nas imediações durante 4 ou 5 anos.
Passamos a manhã desenhando, pintando e trocando boas ideias sobre arte, trabalho e viagens.
Feliz 2019!

The last days of the year were well enjoyed. Me and some friends met to paint on location. On December 29 we chose one of the most popular parks in Sao Paulo, the Ibirapuera Park. It was a good choice, the park is beautiful and the weather was great, although it was way too hot. I did 3 watercolors and came back home really satisfied to have enjoyed the day at its most.
Yesterday, me and some other friends went to a small square near where I lived some time ago. We all chose the small beautiful church as our subject. It was a great morning as well. We sketched, painted, chat about art, work and travels.

Happy New Year!


26 dezembro 2018

Hungary Trip XI Felsőszölnök

Domingo, 21 de outubro de 2018.

Começamos o dia visitando novamente a igreja de Apátistvánfalva, mas dessa vez pudemos entrar e conhecer seu belo interior. Conforme eu mencionei em posts anteriores, essa igreja era, muito possivelmente, frequentada pelos meus antepassados que viveram nas cercanias - em Orfalu e Kétvölgy.

Fiquei surpreso com a beleza do interior da igreja - a julgar pelas austeras fachadas, pensei que fosse mais simples.
Então nos dirigimos à Felsőszölnök, distante apenas alguns quilômetros.
Foi nessa vila que se estabeleceu a família Bajzek!

A história da família, até onde eu tenho informações, remonta até o século XIX, quando nasceram meus bisavós Jozséf Bajzek (1875) e Teréz Talaber (1876). O casal teve 14 filhos, sendo que destes apenas 8 chegaram à vida adulta.  Em 16 de janeiro de 1911, nasceu meu avô Jozséf Bajzek, que veio para o Brasil em 1930, com sua irmã Teréz Bajzek. Dos outros 6 filhos, alguns ficaram na Hungria, e outros foram para o Canadá.
Assim que chegamos à vila, começamos a explorar. Primeiro fomos à igreja, que infelizmente estava fechada (conseguimos entrar mais tarde). Em seguida fomos a um pub local, onde Cecilia tentou descobrir alguma coisa com os sisudos senhores que tomavam cervejas, sem muito sucesso. Depois fomos ao cemitério, e tínhamos uma missão: encontrar a lápide de meus bisavós. Olhamos dezenas, talvez centenas delas. Eu tirava fotografias de todas as lápides com inscrições de algum "Bajzek" (eu sabia entretanto, que podia haver muitas famílias diferentes com esse sobrenome, relativamente comum nas redondezas).
 Após um certo tempo, Cecília teve mais sorte e localizou a lápide! Em ambos os lados desta, mais duas que descobrimos serem de irmãs de meu avô, pelas informações que eu tinha comigo. Fiquei emocionado com o achado!

Cecilia perguntou a uma senhora que ali estava se, por acaso, ela conhecia àquela família. Por um jogo do destino, esta senhora conhecia alguém que cuidava dos jazigos, que não pareciam abandonados, e nos indicou a casa onde morava essa pessoa.
Para lá fomos, muito entusiasmados e até um pouco nervosos.

O senhor que atendeu à campainha nos pediu para entrar, sem cerimônias. Sua simpática esposa e Cecilia começaram a conversar na cozinha - para nossa completa satisfação, ela confirmou a história e disse que conhecia uma senhora de nome Anna Kondor, que dizia ter 'parentes no Brasil'...chego a me arrepiar enquanto relato isso...foi muito incrível. Ela então ligou para Anna Kondor e avisou que estaríamos indo até lá!

Fomos recebidos à porta, e já convidados a entrar, sem necessidade de maiores explicações.

Tomamos pálinka e conversamos bastante sobre os Bajzek. Na verdade eu tirava fotos e filmava as conversas entre Anna e Cecilia, que anotava as novidades em uma folha de papel.


Fomos levados mais tarde a conhecer o exato local onde se encontrava, há mais de 100 anos, a casa da família Bajzek. Hoje há ali apenas um barracão e um poço.

A mata tomou conta do terreno, como se a história ali não importasse mais. E talvez seja assim mesmo...Onde hoje pulsa a vida humana, em cem anos pode nada mais haver, apenas a natureza tomando seu lugar de direito.
Foi uma longa caminhada até o sítio, entre ida e volta, repleta de histórias interessantes e, mais que tudo, de entusiasmo pelas descobertas.
Nosso dia em Felsőszölnök não podia terminar sem um sketch. E assim fomos desenhar a pequena igreja da vila, apesar do frio intenso que fazia.



24 dezembro 2018

Hungary Trip X - Pityerszer / Kétvölgy


Sketches from Pityerszer Open-Air Museum
No sábado, 20 de outubro, visitamos o museu a céu-aberto de Pityerszer, que consiste em um conjunto de construções típicas da região de Őrség.
As casas e armazéns do conjunto foram erguidas naquele terreno e preservam seu mobiliário original, exceto uma, que foi trazida de outro local e ali reconstruída. Essa visita me permitiu ter uma ideia muito real do modo de vida dos habitantes da região nos séculos XIX e início do século XX. Interessante notar os modos construtivos da época, com paredes de barro socado (a nossa 'taipa de pilão') ou mesmo somente madeira. Também é notável as coberturas de palha nas construções.
Entre outras coisas, descobrimos que a maioria das casas eram erguidas em formato de "U", tendo em vista a proteção contra o clima severo, com ambientes voltados para uma área interna. Em algumas casas, a cozinha fica junto aos demais aposentos para o fogão/forno servir também ao propósito de calefação. Enfim, ficamos lá por uma ou duas horas e fizemos alguns sketches.

Pityerszer Museum: "U" shaped house and interiors

They used the attic also as a storage room.
Mais tarde, seguimos para Kétvölgy. Este vilarejo, bastante disperso, foi fundado através da unificação de outros dois: Permise, onde nasceu minha bisavó Teréz Trajber, e Ritkaháza, onde nasceu meu bisavô János Rakkár (na verdade János foi padastro da minha avó Anna).

Views from Ketvölgy (the settlement of Permise in these two pictures)

É um lugar bastante isolado, silencioso e com algo de melancólico. Pelo menos foi essa a sensação que eu tive nas duas ou três que passei por lá naqueles dias.
Cecilia e eu passeamos a pé pela rua principal, tiramos fotos e visitamos o cemitério, na tentativa de encontrarmos lápides com inscrições de nomes conhecidos (Trajber, Mesics, Bajzek, Rakkár).
Depois visitamos o harangláb de Ritkaháza, erguido em 1865, onde eu fiz um desenho rápido.

Above, the sketch of the harangláb of Ritkaháza

Tivemos um dia cheio, já que a noite ainda participamos de um evento local em Orfalu: um passeio noturno pela floresta, que ocorre anualmente, em celebração da cultura eslovena na região, precisamente no que diz respeito a um folclore de bruxas, fantasmas e até demônios. Um tanto sombrio, e um pouco cansativo. Mas foi interessante conhecer um pouco mais sobre a cultura local e até imaginar minha vó e seus irmão se divertindo (ou se assustando) com essas lendas.
Night-walk in Orfalu: legends of witches and ghosts...a little scary!
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On Saturday, October 20, we visited the open-air museum of Pityerszer, which consists of a set of buildings typical of the Őrség region.
The houses and warehouses of the museum were built there (except one, which was brought from another place) and preserve their original furniture. This visit allowed me to have a real idea of ​​the way of life of the inhabitants of the region in the nineteenth and early twentieth centuries. It was interesting to see the construction way of that time, with walls of pounded clay or only wood. Also remarkable is the straw roofs on the buildings.
Pityerszer houses

Among other things, we found that most houses were erected in a "U" shape, in order to create a protection against severe weather, with most rooms facing an internal area. In some houses, the kitchen is next to the other rooms so the stove/oven also served as a heating system. We stayed there for an hour or two and we did some sketches.
Then, we went to Kétvölgy. This largely dispersed village was founded through the unification of two others: Permise, where my great grandmother Teréz Trajber was born, and Ritkaháza, where my great-grandfather János Rakkár was born (in fact, János was my grandmother Anna's stepfather).
Kévölgy is an isolated place, very quiet (maybe too much). At least that was the impression I had in the two or three times I went there. Cecilia and I strolled down the main street, took some pictures and visited the cemetery, trying to find tombstones with inscriptions of my family's names (Trajber, Mesics, Bajzek, Rakkár). Then we visited the Haranglab of Ritkaháza, built in 1865, where I made a quick drawing.


Sketching at Ritkaháza
We also attended a local event in Orfalu: a nightly walk through the forest, which takes place annually, in celebration of Slovene culture of the region, precisely in regard to a folklore of witches, ghosts and even devils. Somewhat obscure and a bit tiring. But it was interesting to know a little more about the local culture and even imagine my grandmother and her brothers having fun (or being scared) with these legends.
A map of the Vendividék region!


20 dezembro 2018

Hungary Trip IX - Őrség and Vendvidék: Orfalu.

No dia 18 de outubro, à noite, chegamos em Szalafő, um vilarejo pertencente ao parque nacional de Őrség, mas com estreita relação com Vendvidék, o 'país dos Vends'.
Szalafő é um localidade composta, na verdade, por 7 agrupamentos conhecidos como "szer". A pousada em que ficamos hospedados situa-se em um deles - "Csörgőszer".
A pousada 'Csörgő Vendégházak' (site) foi uma ótima escolha pois era próxima de todos os locais que eu queria conhecer, além de ter uma boa estrutura e ser aconchegante. O café da manhã era especialmente gostoso, trazido ao nosso chalé pela sra. "Lenke néni".

No dia seguinte (dia 19), seguimos para Orfalu. Eu estava emocionado, sentindo um misto de ansiedade, alegria e uma suave vibração interior. Saber que minha avó materna, nascera neste vilarejo há exatos 100 anos, era o motivo desses sentimentos. Deixamos o carro e começamos a caminhar pelas ruas de chão batido, próximas ao 'harangláb', o pequeno campanário visto nessas fotos e desenho. Esse tipo de construção é comum na região e tem uma função parecida com o campanário de uma igreja - o sino serve como alerta, indica as horas e outros eventos. Este é encimado por uma pequena cruz e tem uma base fechada.
Cecilia foi ao encontro de um senhor para perguntar sobre 'os Trajbers'. Minha bisavó chamava-se Teréz Trajber e minha avó Anna Trajber. O senhor foi simpático e disse não saber de mais nenhum Trajber vivendo nas cercanias, embora tenha dito que provavelmente viveram 'morro acima', apontando para uma colina. Eu estava muito entusiasmado, assim como minha companheira.
Sentamos então para um primeiro desenho do local. Enquanto eu desenhava, sentado no gramado, percebia a quietude daquele lugar. O vento às vezes soprava mais forte, fazendo remexer as árvores próximas...uma sensação intensa foi se apoderando de mim, quando pensei em minha avó. Foi inevitável me emocionar. Cecilia, carinhosamente me abraçou, enquanto eu me acalmava. Não era tristeza que eu sentia. Era, talvez, saudades.
Descemos a rua e paramos para mais um desenho rápido. Dessa vez retratamos o harangláb. Fiz um desenho realista, visando retratar com precisão as formas e proporções, enquanto Cecilia explorava com ousadia as manchas que aquarela provocava no papel.

À esquerda, o 'harangláb' de Orfalu e à direita a igreja de Apatistvánfalva
Mais tarde subimos de carro a colina indicada pelo senhor que mencionei antes. Exploramos mais profundamente a região, perguntando sobre minha família a quem pudéssemos encontrar. Cecilia, felizmente, estava comigo - evidentemente eu não teria condições de me comunicar facilmente com as pessoas.
Terminamos por conversar com um casal de velhinhos que nos convidaram para tomar uma pálinka. A vó desta senhora era Trajber. Mas ela não reconheceu nenhuma das fotos que mostramos, nem chegamos a nenhum vínculo familiar. Mesmo assim, foi muito interessante esse momento. Eles eram muito queridos.
Suavemente relaxados pela pálinka, Cecilia e eu caminhamos mais um pouco, muito animados.

Casal de simpáticos senhores que nos recebeu em sua casa.

Seguimos mais tarde à Apátistvánfalva.
Este vilarejo dista apenas 2 km de Orfalu, e é lá que se encontra a igreja das cercanias. Não foi difícil imaginar meus parentes caminhando, muito tempo atrás, entre uma vila e outra para ir à missa aos domingos. A igreja barroca, finalizada em 1785, domina a paisagem. É alta e robusta, com sua fachada principal escondida por grandes árvores.
Encontrava-se fechada naquela tarde de sexta-feira, o que não nos impediu de explorar um pouco o local. Eu me dirigi ao cemitério, para olhar as lápides, enquanto Cecilia falava com o padre, por telefone, na tentativa de encontrarmos documentos ou outras informações sobre minha família.

Foi um dia intenso e divertido em Vendvidék!

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On October 18, we arrived at Szalafő, a small village at Őrség National Park, with close relation with Vendvidék, the country of the Vends.
Szalafő is, actually, a set of seven tiny colonies, known as 'szer'. The inn we stayed at is at one of them - Csörgőszer.
The 'Csörgő Vendégházak' inn was a very good choice, as it was near to the places I wanted to go to, besides being very cozy. The breakfast was specially good, brought every morning by a smily "Lenke néni", the owner.

The Csörgő inn
On the next morning, we head to Orfalu. I was moved, feeling a mix of anxiety, joy and a gentle inner vibration. To know that my grandmother was born in that very place, a hundred years ago, was the reason of those feelings.
We left the car and started wandering around the village, near the 'harangláb', the small belfry seeing in the pictures and in the drawing above. This type of construction is typical in this region.
After talking to an old man, who pointed out where the 'Trajbers' (my relatives) used to live, Cecilia and I sat on the ground to sketch.


As I was sketching, I noticed how quiet the place was. Sometimes the wind blew stronger, shaking the trees nearby. A strong sensation took over me, when I thought of my grandmother. It was inevitable to get emotional. Cecilia fondly hug me, as I was getting calmer. It wasn't sadness...I just missed my grandmother.

We get down the road and stopped for another sketch. This time we sketched the harangláb. I did a more realistic kind of drawing while Cecilia explored the watercolor with freedom.
We went up the road where the old man told us where the "Trajbers" used to live. We explored the area, asking to anyone we saw, about my family. It was fun! I was glad Cecilia was with me - I would not be able to communicate, of course.
We eventually talked to an old lady whose grandparents were Trajber, but she didn't see any connection. Nonetheless, she and her husband invited us to come inside and offered us a pálinka (a local spirit). It was a great moment. They were very nice.
Feeling happy and a little relaxed by the pálinka, we walked around a bit more.

Then we head to Apatistvánfalva later.


This village is 2 km away from Orfalu and that's where the only church of the region is.
It wasn't difficult to imagine my relatives walking to attend to the Sunday masses a hundred years ago.
The church dominates the landscape. It was build in 1785 in Baroque style.
It was closed that Friday afternoon, but we spent some time around it, looking at the cemetery and sketching.

It was a great day at the Vendvidék!

Church at Apatistvánfalva

19 dezembro 2018

CURSOS EM JANEIRO DE 2019

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17 dezembro 2018

Hungary Trip VIII - Balaton


Aquarela feita no sketchbook

Iniciamos, no dia 17 de outubro, nossa viagem pelo interior da Hungria, cujo principal objetivo era conhecer os vilarejos onde meus avós e bisavós nasceram.
A primeira parada foi no lago Balaton, distante a cerca de 120 km de Budapeste e considerado como a 'praia' de Budapeste, dado sua vasta extensão costeira (mais de 200 km). Diz-se que a região fica lotada na alta temporada de verão.
Chegamos em Balatonfüred pela manhã, onde nos encontramos com um casal de amigos da Cecilia, que ali vivem. Fomos muito bem recebidos, com um passeio às margens do lago seguido de um delicioso e suculento almoço.
Pela tarde, Cecilia e eu nos dirigimos à Tihany, uma vila pitoresca que fica na ponta de uma península, e de onde se tem belas vistas do lago. 
Assim que chegamos, fomos surpreendidos com o pedido de uma entrevista para uma rede de televisão húngara. Foi divertido

Em seguida, sem nada hesitar, fomos procurar um cafe local, de onde se tem uma belíssima vista panorâmica do lago. Ficamos ali por horas, tomando café, comendo doces incríveis e, claro, desenhando e pintando. O passeio pela vila ao anoitecer foi especialmente prazeroso.


No dia seguinte, fizemos um tour por diversos vilarejos, parando em alguns para caminhar e explorar. Esses locais me pareceram muito quietos, quase vazios. Andávamos sem cruzar com uma pessoa sequer. Devem, no entanto, ficar bastante movimentados na alta temporada. 

Foi um dia muito tranquilo, e é sempre gostoso viajar de carro descompromissadamente. 
Enfim, nos despedimos do casal e seguimos rumo à Szalafó, onde ficaríamos hospedados pelos próximos dias.

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On October 17, Cecilia and I started a trip to the countryside. Our main focus was to get to know the villages where my family came from. 
Our first stop was at Balatonfüred, a summer resort at Balaton's lake shore, where we met a couple - Cecilia's friends. We were very welcomed! They took us to a nice stroll at the lake shore and later we had a delicious lunch cooked by them.
Later on, Cecilia and I went to Tihany, a small village perched over a hill on a peninsula that stretches into the lake
From there we had an amazing view of the vast and quiet lake. We spent most of our time having fun at a cafe promenade, drinking coffee, eating delicious desserts and, of course, sketching. I did two small watercolors there, one in my sketchbook and another in a loose sheet of paper.
Tihany is such a nice place...it was specially nice wandering its empty streets at dusk. 
On the next day, we all toured around some other villages, stopping to walk and explore in some of them. They look all very, very quiet to me. There were no souls, but us. I wonder how busy those villages are during high season.
Anyways, after saying goodbye to the nice couple, we head to Szalafó, where we stayed to over the next few days.

A spread of my sketchbook with random drawings: some from the car trip around Balaton and a few from the next days

Enjoying Balaton views with tasteful desserts