04 janeiro 2019

Hungary Trip XIII - Leaving Vendvidék

No dia 24 de outubro eu retornaria à Budapeste.
Como eu não precisava chegar tão cedo, aproveitei a manhã para conhecer mais um ponto de interesse da região de Őrség: A igreja da Santíssima Trindade de Velemér ou, mais precisamente, Szentháromság-templom.
A pequena igreja de feições românicas, é similar à de Szent-Petér, que eu visitei na véspera.
Foi mencionada pela primeira vez em 1360, mas estima-se ser ainda mais antiga. Tem como destaque os afrescos de János Aquila, executados entre 1377 e 1378.

O que mais me impressionou foi a sua localização isolada, em meio à floresta. É fantástico imaginar que sua presença no local nos remete a séculos de história! Eu fico fascinado com esse tipo de construção, que resiste à passagem do tempo, quase como se lutasse para jamais desaparecer.
Passei uma agradável manhã ali, contemplando a arquitetura, o ambiente e desenhando com bastante calma e paciência.

Após esse breve visita, segui viagem rumo à Budapeste. Foi uma viagem difícil de retorno à capital. Peguei trânsito e bastante chuva pelo caminho, mas cheguei bem.
Assim eu me despedi dessa terra...foram 6 dias incríveis em Vendividék e Őrség.
A terra dos Trajbers, a terra dos Bajzeks.
Agora eu sei aonde meus antepassados viveram.
Posso, sem exagero, experimentar uma corrente suave de sentimentos, ou sensações, quando penso nos meus avós, bisavós, neles todos.
Eles eram provavelmente felizes. Com certeza eram alegres. Brincavam, dançavam, corriam pelas encostas de mato rasteiro, frequentavam as missas nos pequenos templos dos remotos vilarejos.
Mas também trabalhavam arduamente no campo, eu imagino. Percorriam longas distâncias a pé...
Passaram dificuldades. A Primeira Guerra acabara de terminar. Talvez não houvesse muito o que fazer, além de produzir o próprio alimento.
Assim, eles desejaram um futuro melhor, talvez com mais possibilidades.
E souberam do Brasil... alguém dissera tratar-se de um belo país. Distante, mas quente. E próspero.
E assim eles vieram. Se estabeleceram; permaneceram.
Sou parte deles, assim como sou parte dessas terras.
Inesquecível Vendvidék.
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On October 24, I started my journey back to Budapest.
As I didn't need to come back so early, I took the chance to visit another interesting spot on the Őrség region: the Holy Trinity of Velemér, or Szentháromság-templom.
This small romanesque church is quite similar to the one I visit before - Szent-Petér.
It was first mentioned in 1360, but it's said to be even older. It has beautiful and well kept frescoes from János Aquila, done between 1377 and 1378.
What impressed me the most was its isolated location, in the woods. It's amazing to imagine how much time and history this building has witnessed. This is the kind of thing that makes me wonder...I just love architecture and how it relates to us, being the set of our lives.
I spent a pleasant morning there, contemplating the architecture and the scenery. I sketched calmly and patiently.


After this brief visit, I finally began my trip back to Budapest. I got a bit of traffic and raining, but I arrived safely.
It was the end of 6 incredible days in the Vendvidék / Őrség region of Hungary.
The land of the Trajbers. The land of the Bajzeks.
Now I know where my ancestors lived.
I may experience some feelings when I think about my grandparents living there, decades ago. I can feel inside my heart.
They were probably happy, with many brothers and sisters, but surely they faced difficulties. The First War had just ended.
The played a lot, as kids should living in the countryside, but they also worked very hard on the land.
They wanted to have a better future...Once, they heard good things about a beautiful, warmer country on the other side of the world.
They came, they settled. They raised us.
I am part of them, as I am part of this unforgettable place, the Vendvidék.

01 janeiro 2019

Hungary Trip XII - My birthday at Vendvidék

Cecilia Simonyi
Dia 22 de outubro foi meu aniversário, comemorado e vivido de maneira especial. Comecei o dia de maneira doce, com presentes e um inesperado bolo de aniversário. Foi especial estar nesse lugar, neste dia.

Mais tarde, Cecilia e eu fizemos um rápido desenho do local onde a amiga dela passou a infância, próximo à Őriszentpéter. O desenho foi dado à amiga dela como recordação.
Mais tarde, fui conhecer mais uma parte da minha família que vive na Hungria, descendentes dos meus bisavós. Passei uma tarde super agradável com eles!

Oriszentpéter aspect
O dia seguinte foi passado sozinho, já que Cecilia foi visitar sua família em sua cidade natal.
Logo cedo, passei rapidamente no Szent Péter-templom, uma pequena igreja localizada próximo aonde eu estava hospedado. É uma igreja muito antiga, cuja construção foi concluída na primeira metade do sec XIII, por isso suas feições românicas.
Pages of my sketchbook with sketches done in different days or situations.























Um pouco mais tarde, fui novamente à Szentgotthárd, pois eu estava muito interessado em desenhar a igreja barroca da cidade. No dia 23 de outubro comemora-se o aniversário do Início da Revolução de 1956, uma revolta popular contra o governo autoritarista da Hungria e o domínio da União Soviética. Por conta desse feirado havia uma certa movimentação na cidade, a qual fiquei meio à margem, entretido pelo desenho que eu fazia.
Enquanto desenhava, encontrei com os queridos Tibor Horvat e Joël Gerber os quais, conforme mencionei em meu primeiro post sobre minha viagem, são os autores do site Vendvidék.com. Eles me reconheceram e vieram ao meu encontro, o que me deixou bastante contente.


Segui para Alsószölnök, passando ainda por  Szakonyfalu, de onde vem o ramo Majczán da minha família.
Alsószölnök dista apenas 7km ao sul de Szentgotthárd, e meu interesse por essa localidade se deu pelo fato de meu avô Jozséf (José) Bajzek ter passado alguns meses ali, trabalhando como ajudante de ferreiro, entre 1929 e 1930, ofício que de certa forma levou adiante já no Brasil, como armador de ferro na construção civil.
Foi uma ótima parada. Eu estava entusiasmado para desenhar, e vi muitos temas interessantes. Optei por uma construção decadente, à beira da estrada que corta a cidade.


Um pouco adiante, fiz um rápido piquenique e parei novamente em Felsőszölnök, pois havia decidido colorir o desenho que fizera dois dias antes (queria trazer uma recordação mais bacana de lá).
Logo mais, voltei à Kétvölgy para fazer um desenho. Escolhi a área pertencente à outrora vila de Permise.
Fiz um desenho da qual tenho bastante apreço.
Me senti um tanto sozinho ali, desenhando sentado em um talude à beira da via. Em cerca de 1,5 hora, vi apenas uns dois ou três carros, uma senhora de bicicleta, um cachorro desconfiado e um gato curioso.
Tive uma sensação bastante vívida da maneira como se vivia há mais de 100 anos, naquelas terras. Me conectei de algum modo à minha bisavó, Teréz Trajber, que não tive a oportunidade de conhecer, já que ela morreu antes do meu nascimento. Imaginei o isolamento e a solidão que devia sentir, principalmente no inverno, se é que isso não fora apenas uma projeção minha...talvez se vivia com mais plenitude à época, sem a excessiva e inquietante conectividade que temos hoje?

Enfim, este foi um dia que pude curtir uma certa solitude e silêncio, dedicando-me exclusivamente a passear e desenhar. No dia seguinte eu voltaria à Budapeste.

Sketching at Kétvölgy (Permise)


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October 22 was my birthday, specially spent at Vendvidék. My day started sweetly, with a birthday cake and some presents. Later on, Cecilia and I went sketching near Őriszentpéter, precisely at the spot where her friend Adrienn used to spend her childhood. From the sketch I did, I kept only a picture, as the original was a gift to Adrienn. Then, I left Cecilia at the train station and drove to Szentgotthárd, where I met some relatives! They were really nice with me, and I had a great time with them, talking about Hungary, Brazil and, most of all, our common roots. We are all descendants of the same great-grandparents.
The next day I was by my own, and I took the whole day to sketch. I started at the Szent Péter-templom, located between Őriszentpéter and Szalafő. This small and well preserved church was built at the XIII century. I sketched sitting in a gravestone, with the company of a cute cat.

I then head up to Szentgotthárd, as I wanted to sketch its beautiful Baroque church, which belongs to the Cistercian monastery of the city. It was October 23, so there was a kind of a parade going on, as this day marks the beginning of the 1956 Revolution. I met, by chance, the dear Tibor Horvat e Joël Gerber, who are the founders of the site Vendvidék, as I mentioned on my first post about this trip. It was really nice to meet them.
Next, I drove down to Alsószölnök, passing by Szakonyfalu, where the Majczán branch of my family came from.
Alsószölnök is only 7 kilometers south of Szentgotthárd, and my interest on this tiny village lies on the fact that my grandfather Jozséf Bajzek worked there as a blacksmith apprentice for a few months, before coming to Brazil in 1930.
The time I spent in the village was great. I was inspired. The place was really quiet and with some very interesting subjects for drawings.

Sketching at Alsószölnök

After one hour or so, I had a lunch in the car and moved to Felsőszölnök, where I finished the drawing I started two days before - I wanted to take a nice 'souvenier' from there too.
My last stop was at Kétvölgy, more precisely at Permise, where my great-grandmother Teréz Trajber was born. I sketched for more than an hour, and I only saw two or three cars passing by, a lady in a bike, a mistrusted dog and a curious cat.


I could feel the loneliness and isolation people would feel a hundred years ago. Well, maybe that was just a projection of mine. Maybe they lived with completeness back then, without the major distractions we have today.
The village of Kétvölgy (Permise), where my great-grandmother was born in 1893

Anyways, that was a day I could enjoy sketching with a certain solitude. On the next day I would return to a big town, Budapest, so my time at Vendvidék was almost over.

Félsoszölnök


Aquarelas 'en plein air,' ao final de dezembro...Plein air watercolors at late December

Nos últimos dias do ano, aproveitei o entusiasmo meu e de alguns amigos para fazer algumas aquarelas ao ar livre. No sábado dia 29 de dezembro, fui ao Parque do Ibirapuera com o Luiz Celestino, do Brushwork Atelier. Passamos o dia todo no parque, e fizemos 3 aquarelas cada um, lidando com o calor intenso e o parque bastante cheio. Foi um dia muito agradável, de estudos e troca de ideias. Voltei para casa com aquela sensação de preenchimento, quando temos um dia muito bem aproveitado.

Ontem, dia 31, encontrei-me com os aquarelistas Odil Miranda, de Londrina - PR e Renato Palmuti, de São Paulo. O local escolhido foi a Praça Cornélia, na Lapa, e o tema, a igreja São João Maria Vianney. Meus pais casaram-se nessa igreja há quase 50 anos. Eu morei nas imediações durante 4 ou 5 anos.
Passamos a manhã desenhando, pintando e trocando boas ideias sobre arte, trabalho e viagens.
Feliz 2019!

The last days of the year were well enjoyed. Me and some friends met to paint on location. On December 29 we chose one of the most popular parks in Sao Paulo, the Ibirapuera Park. It was a good choice, the park is beautiful and the weather was great, although it was way too hot. I did 3 watercolors and came back home really satisfied to have enjoyed the day at its most.
Yesterday, me and some other friends went to a small square near where I lived some time ago. We all chose the small beautiful church as our subject. It was a great morning as well. We sketched, painted, chat about art, work and travels.

Happy New Year!