15 fevereiro 2010

Carnaval - Tempo de Desenhar


Casa das Rosas
Desenho feito em 13.02 - sábado de Carnaval.
Fiquei admirado com a beleza da casa e o jardim em estilo francês. Que manhã de sábado agradável para se passar! Em um canto sombreado do jardim, sentado em uma cadeira (quantas vezes desenhamos em pé ou sentados no chão?) e um tema espetacular à frente...Certamente o desenho mostra toda a exitação do meu pensamento na hora desenhar: começo em um ritmo, super detalhado e sempre tenho que mudar a velocidade, acelerando para não ter que voltar no dia seguinte...
Dessa vez abusei dos marcadores. Material muito versátil para esse tipo de desenho urbano.
Um pouco de história: a casa foi projetada por Ramos de Azevedo em 1928 e finalizada em 1935, seis anos após sua morte. Foi felizmente tombada pelo patrimônio histórico em 1985 e assim preservada durante a construção da torre comercial no fundo do lote. Hoje abriga o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

Hospital Santa Catarina
Desenho feito em 14.02 - Domingo de Carnaval.
80% dos brasileiros dormiam se recuperando da noitada de carnaval eu e o meu amigo Tiago Pimentel estavámos na avenida Paulista novamente para exercitar o desenho e registrar mais um singular local de São Paulo - o Hospital Santa Catarina (fundado em 1906), em seu estilo neogótico contrastando com a fachada de vidro e as imensas marquises em concreto armado das construçoes novas do hospital. Esse edificio abriga a capela do hospital, e tem uma arcada com afrescos que esconde um pequeno pátio nos fundos. Os altos ciprestes dão charme para a cena, na minha opinião.
Neste desenho tentei uma técnica diferente: marcador direto no papel, sem nanquim. Comecei com umas linhas básicas em french gray 20% e fui adicionando peso às cores aos poucos. Gostei do resultado, mas acho que talvez o desenho fique um pouco sóbrio demais.
Olha o que tive que ouvir enquanto desenhavámos:
"Ô mano, dá uns 50 centavos ai pra mim? Não? Então me dá uma caneta dessa de lembrança ai?"
Apesar da avenida ser relativamente tranquila tem muitos caras sinistros, muito loucos andando por ali...em meio aos paulistas, paulistanos, alemães, americanos e espanhóis...

11 fevereiro 2010

Marcadores / Art Markers


Faz tempo que eu estava querendo fazer uma tabela com meus marcadores. Ás vezes alguns amigos também me pedem umas dicas de que cores comprar, marcas, etc. A primeira coisa que digo é, não comprem estojos fechados e sim cores avulsas. Os estojos vêm sempre com aquelas cores berrantes que nunca usaremos.

Quanto às marcas:
Existem muitas marcas, mas é claro, falarei das que eu conheço:
Prismacolor: Sempre trabalhei com eles e são excelentes, principalmente depois que mudaram a ponta, que era super fina e passou a ser média. Catálogo com 156 cores;
Promarker, da Letraset: Não tenho muitos, mas são excelentes. Catálogo com 148 cores;
Tria Markers, da Letraset: Tenho um monte, mas o catálogo, que era Pantone mudou para sistema HSL (Hue, Saturation, Luminosity). Várias cores bacanas sumiram (como o Green Black que eu uso muito) e todas mudaram de nome. Portanto, excluí da minha tabela essa marca. Mesmo com toda essa mudança, o catálogo atual abrange 300 cores e é a única com 3 pontas e refil.

Quanto às tabelas:
A primeira tabela, tem o básico do básico. Mesmo assim eu contei 21 canetas. O investimento é alto. Aqui no Brasil um marcador está na faixa de R$ 20,00, ou seja, você gastará de cara R$ 400,00 (paulada mesmo). Mas, é claro, dá pra ir comprando aos poucos. Ou pedir para alguém trazer dos US – acabei de ver no site da Pearl Paint e cada Prismacolor está USD 2,50. Nem 5 conto. E eles estão com uma promoção do tipo 'compre-uma-leve-outra'! (Alguém está indo pra lá???)
A segunda tabela é mais completa. Eu separei por cores básicas e cores extras, para cada marca. Ao todo são 77 cores. As cores 'extras' são cores bonitas também, mas que eu não uso com tanta freqüência.

Os cinzas
Deve-se ter um pouco de cada tipo de cinza, pois são bem diferentes quando aplicados no papel.
Warm grey para sombras, pisos e asfalto.
Cool grey para vidros.
French grey para tons neutros. Eu demorei a comprar os cinzas neutros, mas hoje não vivo sem eles. Ótimos para equilibrar os verdes em uma árvore por exemplo. Para tons de parede neutros também. Ótimos para tom de concreto.

Com essas tabelas, espero poder ajudar a quem quer começar a brincar com essas canetas fantásticas, que produzem desenhos fortes, cheios de estilo, e rápidos. Mas não se engane, não dá pra 'despirocar' e tentar fazer uma perspectiva em 2 minutos com os marcadores. Esse material exige um certo treino e tem umas pegadinhas. Quem sabe falo mais sobre o assunto em breve.

08 fevereiro 2010

Estudos em Aquarela


Dois estudos de aquarela, com base em fotos. Tentei valorizar a luz e as sombras alongadas, e os brilhos na água.
Na aquarela de baixo, não gostei muito do fundo com o edifício - começou a ficar muito detalhado, o que eu tentei evitar (mudando de estratégia no meio do caminho), para não tirar a atenção do tema da aquarela (os simpáticos velhinhos se esquentando no sol de uma fria manhã de outono). Mas no fim acho que o chafariz segura a composição, atraindo a atenção para ele.
Quanto mais simples melhor. Less is more aplicado na pintura é válido também.
As duas aquarelas foram postadas no meu blog de relatos de viagens.
A primeira, do castelo de Chenonceau, aqui. E a segunda, do Louvre, aqui.

02 fevereiro 2010

Sesc Pompeia

Desenho feito no último domingo, no SESC Pompéia, complementando os desenhos feitos em agosto do ano passado. Para fazer essa vista das passarelas eu tive que fazer duas tentativas: a primeira não deu certo logo no começo, e então a abandonei. A segunda foi pra frente, embora eu queria ter mostrado todas as passarelas sobrepostas - faltou aparecer uma, lá em baixo.
Eu não tenho medo de altura, mas ficar com o caderno apoiado no peitoril, olhando pra baixo por cerca de 50 minutos não foi muito confortável. Tanto que não pintei tudo lá. (ia ser um tal de cair canetas lá pra baixo...). Terminei de colorir em casa, usando as mesma canetas da primeira vez (acho que faltou um tom de bege no concreto dessa vez - o "pastel beige")

Essa vista eu consegui apartir do oitavo andar do prédio da administracão, na escada de emergência - tudo corria bem até que um segurança veio pedir (educadamente) para eu sair dali...Deixei para colorir depois - logo logo postarei a versão colorida. Essa avenida é para mim, uma das mais bonitas da cidade, com suas belas árvores na calçada central. Pena que o trânsito na região esteja tão problemático.

Clique aqui, e veja os desenhos feitos em agosto do ano passado.
Clique aqui, e veja esses desenhos postados no Urban Sketchers! (english information).

30 janeiro 2010

Influências e Inspirações – Parte 06– John Haycraft

Continuando a falar sobre os caras que eu admiro, agora já não levando tanto em conta a ordem com que essas influências foram aparecendo. Conheci o trabalho do australiano John Haycraft em 2008 através do site da ASAI – American Society of Architectural Illustration. Logo entrei em contato com ele por e-mail, louco para comprar o livro "Where was I? A Collection from 60 years of drawing and painting" – repleto de desenhos lindíssimos e pinturas de cair o queixo. O livro é dividido em dois temas principais: desenhos de arquitetura e desenhos de sketchbook. Aqui vão alguns exemplos:






Vocês podem ver que as aquarelas são de tirar o fôlego – de uma elegância sem igual, e ao mesmo tempo expressivas, com pinceladas poderosas. É esse o meu parâmetro de expressividade: um desenho preciso e bem executado, mas super vigoroso e cheio de personalidade. Nos desenhos dele, cada traço e cada pincelada tem uma segurança que me faz sentir uma criança. Às vezes eu tento 'soltar a mão' na hora de fazer um céu, ou esticar um verde de grama, mas falta ainda essa segurança toda, que eu acho que só vem com o tempo.
Fato é que ele é muito gente fina, e eu acabei mandando alguns desenhos meus para pedir uma opinião. Ele respondeu com comentários muito enriquecedores. De vez em quando mando alguns trabalhos novos, e ele sempre procura responder. Show de bola não é?
Esse cara também foi um dos responsáveis pela nova fase em que eu me encontro hoje – ele me incentivou a sair às ruas para desenhar, insistindo que não há melhor maneira das habilidades de um ilustrador se desenvolver, do que essa. Ele disse, em um dos e-mails: "You will find it rewarding and I urge you to do it". And I did.
Eu já havia falado sobre ele, neste post, logo após começar o meu primeiro sketchbook. Recentemente finalizei o segundo e o terceiro já está em uso.
O livro dele pelo que vi não está à venda pela Amazon, mas quem se interessar pode comprar diretamente com ele.
Site: http://www.haycraftduloy.com.au/
E-mail: john@haycraftduloy.com.au
Na época paguei 55 dólares. Ele mandou o livro pelo correio (com dedicatória). Assim que chegou, enviei o dinheiro por carta mesmo. Deu certo, felizmente.
Ainda há disponível o "book review", escrito por Frank Constantino, no site da ASAI.
Clique aqui para ler.

26 janeiro 2010

Desenhando no feriado

Esse feriado foi bem proveitoso para mim. Domingo fui desenhar com o Tiago Pimentel em Higienópolis, nas praças Vilaboim e Buenos Aires.
Eita bairro charmoso! Depois da Pompéia, é meu bairro preferido. Vi muitas pessoas fazendo caminhada, passeando com seus cachorrinhos, lendo no banco da praça. Um casal veio conversar conosco, surpresos por nunca terem visto (no Brasil) pessoas desenhando ou pintando nas ruas.
O prédio da direita é o Edifício Louveira, dos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, e foi construído em 1946. São dois blocos separados por um jardim de acesso, que incorpora o visual da praça em frente. Eu gosto muito das janelas guilhotinas e do térreo livre, com pilotis.
Felizmente eu havia levado um bom set de marcadores, e pude chegar nas cores originais do prédio com certa precisão. Ficamos neste ponto cerca de uma hora e meia.

O outro foi feito na Praça Buenos Aires, com direito à bandinha de MPB e chuva repentina:
Ontem fui à USP desenhar, enquanto minha mulher fazia uma caminhada. Meu foco foi o prédio da FAU – Faculdade de Arquitetura, projetado e construído na década de 1960 por Vilanova Artigas, o mesmo arquiteto do Louveira, mencionado acima. Não consegui um ângulo muito abrangente, mas esse desenho foi gostoso fazer – sob a sombra da cobertura, sentado em um bancão de madeira, com os marcadores espalhados a minha frente.

21 janeiro 2010

Pessoas nas perspectivas: com ou sem?

No caso das perspectivas da Chácara Ondina (veja o post deste trabalho aqui), foram com pessoas. E com muitas. Achei hoje o arquivo onde juntei todas as 'pessoinhas' que fiz para complementar esses desenhos. Como as aquarelas estavam prontas, tive que fazê-las a parte, e colá-las no photoshop, para atender o pedido do cliente: mais pessoas, mais pessoas. Estou postando novamente os desenhos, com a versão original e a 'povoada'. No fim, foi divertido fazer.




18 janeiro 2010

Memorial da America Latina




No último sábado rolou mais uma 'saída' às ruas da cidade para exercitar a mão.
O alvo da vez foi o Memorial da América Latina, com toda a sua beleza de gigantescos edifícios branquelos, e com todo o seu calor, emanado de tanto concreto aparente, concreto escondido e concreto esculpido. Concreto para todo o lado. Seco e calorento, mas ainda assim, lindo.
Eu, Cacciari e Tiago Pimentel nos encontramos às 9:00hs e, é claro, não demoramos a achar um tema para o primeiro desenho. A simplicidade das linhas arquitetônicas facilitou, e nos deixou com mais tempo para nos atermos às proporções e a perspectiva correta.
Para mudar um pouco, optei por nanquim e aquarela. Procurei representar o céu tal como eu via, um fundo cinza-azulado. Ainda bem que céu estava assim nebuloso, se não seria impossível desenhar lá por mais de meia hora. Mesmo com protetor, eu, que não sou tão branquelo quanto os edifícios, me queimei legal. Onde não passei protetor, a pele fritou - nas mãos por exemplo.
No final, tivemos que nos abrigar do calor em baixo de um chorão, que fica ali, isolado no cantinho, para não atrapalhar a paisagem. Para completar a saga meteorológica, caiu um pé d'água tão repentinamente que mal deu tempo para jogar tudo da mala e sair correndo.
Faltou cruzar a passarela e desenhar o outro lado...Alguém tá afim?

13 janeiro 2010

Condomínio Industrial


 Este trabalho desenvolvido para o escritório do Roberto Loeb é parecido com o do Park Taquaral, mas foi feito em janeiro de 2009. Dependendo da circunstância, eu preciso de uma aprovação do cliente para poder publicar as imagens no meu blog - e só recentemente vi que este projeto já estava online, no site deles, por isso estou tirando 'da gaveta' só agora.
Fiz duas perspectivas: uma "aérea", e uma "observador". Na perspectiva aérea, a idéia foi destacar os edifícios do projeto deixando-os brancos, e os edifícios existentes cinzas. A base para essa perspectiva foi uma foto aérea. Já a perspectiva do 'obs' (como chamamos no dia-a-dia), ficou bacana, mas o arquiteto achou um pouco árida, pois há muito piso de asfalto. Concordo com ele - poderíamos ter aumentando um pouco as áreas gramadas na imagem.

12 janeiro 2010

Desenho de rua...

Último sábado, saí para desenhar com meu amigo Alessandro Cacciari. O alvo foi a bela Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Avenida Dr. Arnaldo. Dessa vez optei pelo grafite e me preocupei bastante com as proporções exatas da fachada. Quero voltar lá para desenhar alguns detalhes, como o nicho da santa, alguns medalhões e as volutas do frontão.

08 janeiro 2010

Park Unimep Taquaral

Em dezembro fiz mais um trabalho para o escritório dos arquitetos Roberto Loeb / Luis Capote.
Trata-se de um masterplan de uma grande área ligada à Unimep – Universidade Metodista de Piracicaba. O projeto urbanístico compreende um shopping center, hotel, edifícios comerciais e residenciais, além de três condomínios de casas.
Fiz a perspectiva em um dia e meio e usei marcadores e um pouquinho de lápis de cor para colorir.
Neste link dá pra ver uma apresentação de slides com o projeto completo.
E neste link o site do escritório do Roberto Loeb. Logo na página de abertura, vemos que o escritório foi premiado pelo projeto da Mahle, do qual eu fiz alguns desenhos. Veja aqui um deles.

06 janeiro 2010

Livro Marcos Tomanik II

O arquiteto Marcos Tomanik está lançando o segundo livro comemorativo de sua longa e importante trajetória. Neste volume são apresentadas 20 belas casas de diferentes épocas e estilos. Cada casa é mostrada em um capítulo com uma fachada de abertura, fotos externas e internas e uma prancha com croquis e plantas. Arquiteto extremamente versátil, Tomanik sabe fazer casas de qualquer estilo – do clássico francês ao colonial brasileiro. Suas construções são muito ricas em detalhes originais, e isso é resultado dos cuidadosos e elaborados projetos. Eu sei disso porque vejo freqüentemente os projetos em Autocad de seu escritório, e posso dizer que são impecáveis.
Tive a oportunidade de trabalhar com eles na produção deste livro, fazendo algumas das fachadas (07 no total) e participando na elaboração das pranchas de croquis. Nestas, eu colori as plantas e alguns croquis do próprio arquiteto, 'costurando' o visual. Não foi muita coisa, mas foi um trabalho delicado e cuidadoso, e fiquei super feliz por ter participado.
O arquiteto e publicitário Vanildo Notolli foi o responsável pelo design e editoração do livro e a sócia do Marcos, a Sylvia Chaves, foi quem organizou todo o acervo de fotos e desenhos e coordenou toda a equipe.

Aqui estão algumas das fachadas que eu fiz para o livro e um exemplo das pranchas de croquis.

Três dias antes do Natal recebi um exemplar, presente do próprio Marcos e da Sylvia...
Foi um presente e tanto!