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01 outubro 2016

Palestra "Do Papel Carbono aos Sketchbooks" na UNIFIEO

Semana passada estive na UNIFIEO para uma palestra com estudantes da faculdade de arquitetura, a convite da minha ex-aluna, a arquiteta Luciane Virgilio, que lá leciona. Fiquei muito entusiasmado com o pessoal! Tivemos um ótimo papo sobre a relação do desenho a mão livre com arquitetura, sobre mercado de trabalho, experiencias profissionais, etc, tudo pontuado através de dezenas de imagens que utilizo para contar sobre minha carreira. O pessoal interagiu fazendo perguntas e se mostrando animados em se dedicarem ao desenho a mão livre!

 Levei meu portifólio e alguns sketchbooks, motivo da curiosidade dos rapazes ali do lado esquerdo da foto :)

01 janeiro 2016

Feliz 2016!

Li ontem mesmo uma frase de Heinrich Wolfflin, em seu livro "Conceitos Fundamentais da História da Arte", que me chamou a atenção. Ele diz que o valor de uma obra de arte reside no seu caráter de inevitabilidade, segundo o qual nada pode ser alterado ou removido, devendo tudo ser exatamente como é.
Ah se pudéssemos tratar nossas vidas assim como uma obra de arte! Eliminando tudo o que é supérfluo e inútil, atuando com convicção, presença e plena consciência, além de abrir espaço para a nossa intuição fazer o que tem que ser feito. A vida, que é um grande exercício de transformação, seria uma pintura que levaria décadas e décadas para ficar pronta e, no final, seria imutável e permanente, o que é um paradoxo.

Desejo a todos um Feliz 2016!

E para ilustrar essa postagem, não ousaria colocar um desenho ou pintura minha, mas escolhi uma aquarela de um dos grandes mestres: Anders Zorn.
Aprecie o permanente fragmento da realidade que é essa pintura.


06 junho 2014

Curso do Bajzek em Brasília!

No final do mês de Abril, fui à Brasília para ministrar o Curso do Bajzek em sua versão intensiva, na Universidade Nacional de Brasília (UNB). Também ministrei palestras "Do Papel Carbono aos Sketchbooks - O Desenho na Vida de um Arquiteto" nesta instituição e na UNIP - Campus Brasília.
Foram 4 dias muito intensos mas muito gratificantes e enriquecedores. Aprendo muito nestes cursos e sempre fico contente de ver o desenho à mão livre sendo valorizado nas instituições de ensino de arquitetura deste país.
Aproveito para agradecer aos Prof. Luana Kallas e Prof. Juan Carlos Guillén Salas que proporcionaram a realização destes cursos e tão bem me receberam em Brasilia.
Um grande agradecimento também a todos os participantes do curso e das palestras!

Alunos avaliando o resultado da primeira manhã - a planta baixa valorizada, onde já aplicam a técnica de marcadores e lápis de cores.

Alguns desenhos reunidos...esse é o exercício de perspectiva com 01 ponto de fuga, focado principalmente na valorização gráfica
Alunos desenhando no campus da UNB na aula de Urban Sketching

Desenho de observação!
Sob forte chuva, arrumamos um cantinho na capelinha do Niemeyer. Espremidos.

Apesar da chuva da última tarde, trabalhamos até o final.
Palestra "O Desenho na Vida de um Arquiteto", ministrada na UNIP

Falando sobre como o Desenho movimentou e determinou toda a minha vida profissional (e pessoal)

Do Papel Carbono aos Sketchbooks, na UNB.
Turma  reunida ao final do curso

Belo grupo...foi demais.

17 junho 2011

Charles Landseer





Um post para falar sobre uma exposição que acabei de ver no Instituto Moreira Salles, em São Paulo.
Trata-se de desenhos, aquarelas e óleos originais produzidos por Charles Landseer, durante sua visita ao Brasil entre 1825 e 1826.
Eu já tinha folheado o livro dele em uma loja da Livraria Cultura (e fiquei babando), mas poder ver os originais foi certamente muito enriquecedor. Pra não dizer que sai de lá super afim de desenhar e com fôlego para produzir muito, mas muito mais.
Não pude deixar de imaginar o sabor de aventura e descoberta que essa viagem deve ter proporcionado a esse artista, que tinha apenas 26 anos quando embarcou ao Brasil. Naquela época em que a fotografia estava apenas nascendo, pode-se imaginar o valor que esse tipo de registro possuia. Eu fico pensando em como deveria ser conhecer o mundo, sob o olhar apenas de um artista. Abrir um sketchbook desses devia ser como abrir um pacote de fotografias recém reveladas...como acontecia há 10 ou 15 anos atrás. Mas a sensação de ansiedade e surpresa deveria ser muito maior.
Imaginem as pessoas na Europa vendo o Pão-de-Acúcar e o Corcovado pela primeira vez, através de um desenho?
Lendo o livro fiquei fascinado também com a história de como esse sketchbook foi 'descoberto' pelos brasileiros: apenas em 1924, um historiador chamado Alberto do Rego Rangel teve acesso a esse tesouro em uma visita a familia de Charles Stuart, o 'comandante' da expedição, que manteve o caderno por muitos anos, velado do acesso público. Deve ter sido algo parecido com o que eu descrevi acima...dá pra imaginar a emoção do cara?
Eu fiquei encantado com os desenhos e principalmente com as aquarelas. Os óleos não são muita coisa, mas deve ser levar em conta a idade do artista quando fez os trabalhos, apenas 26 anos. Reparei em alguns erros de perspectiva, muito embora às vezes me pareceram conscientes, com o intuito de evidenciar algum detalhe arquitetônico importante. Também nesse sentido, ele parecia ser parcimonioso no uso de sombras profundas e escuras (para não ocultar nada). Falta um pouco de perspectiva atmosférica nas panorâmicas mas, novamente, como intuiro era fazer um registro da cena tão fiel quanto fosse possível, ele parece ter abidicado de algumas possbilidades artisticas em função disso. Desenhou além das paisagens, as pessoas das cidades e os escravos. Usava hachuras com muita habilidade. Produziu cerca de 300 desenhos em 19 meses, e registrou Lisboa e arredores, Açores, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Vitória, Recife, Florianópolis e Santos.

Nesta página mais detalhes sobre o "Highcliffe Album", como ficou conhecido essa material.
Aqui, um pouco mais sobre o artista.
Neste link, uma galeria com imagens do livro.
E informações sobre a exposição.

Abraço!

15 setembro 2010

Workshop com o Cárcamo

Entre os dias 09 e 12 de setembro fiz um workshop com o grande ilustrador e aquarelista Gonzalo Cárcamo, em Ilhabela. A viagem é longa, a ilha é linda, e o hotel muito agradável. Minha preocupação inicial, que era ser atacado por borrachudos (sou muito alérgico a essa praga), ficou pra trás. Pudera, eu usei calça jeans e tênis o tempo todo, além de gastar um tubo de repelente Exposis. A única picada que tomei foi quando fomos à praia fazer uma aquarela plein-air. No cotovelo.
Bom, o curso foi excelente. O Cárcamo é um cara muito bacana, atencioso, com uma ótima didática. Fala coisas inspiradoras e ver ele pintar é animal (não consegui outra palavra).
Lições aprendidas (ou pelo menos compreendidas):
1 - Podemos substituir o preto (ivory black) pela mistura entre vandyke brown e ultramarine. Que o preto deve ser usado com (muita) moderação todos ouvem falar quando começam a aprender aquarela. O fato é que eu fui esquecendo disso e passei a usar bastante o preto com o tempo. Não para usá-lo isoladamente, mas para escurecer cores. Mesmo assim, é melhor usar a combinação sugerida pelo Cárcamo.
2 - Para criar um degrade sem 'degraus' ou emendas feias, é necessário ter bastante água no pincel ou ter o papel bem úmido. Eu sofri e sofro muito com isso. Já fiz céus que eu odiei como se fossem infernos. E o segredo para o sucesso é manter sempre uma 'barriguinha' de tinta no papel, na qual se emenda a camada inferior. Trabalhar de cima para baixo é lei universal, reforçada agora pelo Mestre.
3 - É preciso brincar mais com as cores, buscar mais combinações.
4 - Todos sabem que o branco da aquarela deve ser evitado, como cor isolada. Mas eu vinha usando o branco para criar tons de pele e chegar a cores específicas, daquelas de catálogo de tinta, recebidas dos arquitetos. Eu ainda não sei como vou mudar isso, mas necessito tentar. Branco, só para (poucos) highlights, e deve ser gouache.
5 - O uso de máscaras líquidas, é permitido, com moderação. Mas só para ilustrações. Para trabalhos pessoais deve-se evitar (palavras do Mestre). Usar sal grosso também. Eu nunca brinquei disso, mas vou brincar.
6 - Simplificar, simplificar, simplificar. Limpar a imagem de referência, ou o que se vê. Não precisamos colocar tudo o que está na referência, muito menos tudo o que está na sua vista.
7 - Preciso desenhar menos nas aquarelas. Costumo fazer uma base muito desenhada, cheia de detalhes. Não precisa (pelo menos para trabalhos pessoais).
E agora, para mim a maior lição de todas:
8 - É preciso ousar. Ousar nas intesidades e nos contrastes. É impressionante como a aquarela "se apaga" alguns minutos depois de pintada, quando já está bem seca. Ou seja, é preciso carregar um pouco mais nas intensidades, para se obter o ponto desejado quando está seca. Quantas vezes já tive essa sensação: Na hora que estou pintando, com a tinta ainda brilhando no papel, está tudo lindo, vivo, iluminado. Quando volto do almoço, ou olho o trabalho no dia seguinte, penso: cadê a aquarela que estava aqui? Quem apagou a luz?
No curso isso ficou mais evidente do que nunca. Principalmente quando vi o Cárcamo pintar um rosto. A hora que ele aplicou a tinta no papel, foi inevitável pensar: "hum...pesou, ficou muito saturado"...bastou a aquarela secar e a surpresa: PERFEITO. O tom exato, na intensidade exata. Coisa de Mestre? Deve ser.
9 - Para ousar, é preciso ter domínio técnico.
10 - Para o trabalho crescer, é preciso produzir muito, muito e muito. Sem medo, sem grandes exigências pessoais. Material de qualidade é fundamental.
Well, para não ficar só no texto aqui vão alguns trabalhos que produzi nestes memoráveis dias em Ilhabela.
Essa é uma pequena construção que fotografei no vilarejo de Ínsua, município de Penalva do Castelo (Portugal), terra natal dos meus queridos avós paternos. Acho que aquarela ficou com um constraste bacana, mas as portas deviam ser bem mais escuras. A sombra, segundo o Cárcamo, deveria ter mais nuances de ocre, e ter ficado menos cinza. Gostei de ter optado por não fazer o céu, e deixar o chão meio 'estourado', como na foto de referência.

Cidade espanhola de Ronda, com esse viaduto fantástico - paisagem de sonho.
Gostei da aquarela, principalmente do céu pintado pelo próprio Cárcamo. Mas faltou luz, faltou vigor, faltou peso.
Essa foi pintada 'plen-air', em frente ao hotel. Levei cerca de uma hora. Acho que foi meu melhor trabalho realizado no curso, porque consegui uma harmonia de cores bacana, um movimento interessante nas palmeiras, e consegui simplicar o que estava vendo (por exemplo, aqueles umbrelones brancos, faziam parte de um quiosque movimentado, cheio de coisas) A praia está deserta não por acaso, mas porque eu não consegui pintar figuras ali. Eu até desenhei algumas, mas na hora de pintar desencanei e passei por cima. A minha desculpa para isso é que o fdps dos borrachudos já estavam me rodeando há um tempo, mesmo com o repelente. FDPs.

Essa é a aquarela que estava linda enquanto estava úmida, e depois se apagou e me deixou frustrado. Nessa hora que começou a cair a ficha. Consegui alguns efeitos interessantes (sugeridos pelo Cárcamo, claro) como movimentar a base pra lá e pra cá, para sugerir o movimento do pêlo da Lapopie (minha gata top model, que nesta imagem parece um gizmo), mas ousei pouco nas cores.
Por fim, e finalmente, o último estudo que eu fiz, já no domingo de manhã. Eu fiz direto, praticamente sem desenho, o que levou a algumas linhas tortas e poucos detalhes (o que pode ser bom). Esta aquarela teve duas fases: quando eu achei que havia acabado, e depois de ver o Cárcamo pintando o rosto na aquarela da minha colega. Não deu outra, voltei para a prancheta e intensifiquei mais os tons. Ok, 'deu certo' no final.

Nossa, que post mais longo, acho que foi meu recorde. Mas também não poderia ser diferente, depois de tanto aprendizado e novidades. Espero que tenham tido paciência de ter lido até aqui.

E vamos em frente, desenhando sempre.

30 janeiro 2010

Influências e Inspirações – Parte 06– John Haycraft

Continuando a falar sobre os caras que eu admiro, agora já não levando tanto em conta a ordem com que essas influências foram aparecendo. Conheci o trabalho do australiano John Haycraft em 2008 através do site da ASAI – American Society of Architectural Illustration. Logo entrei em contato com ele por e-mail, louco para comprar o livro "Where was I? A Collection from 60 years of drawing and painting" – repleto de desenhos lindíssimos e pinturas de cair o queixo. O livro é dividido em dois temas principais: desenhos de arquitetura e desenhos de sketchbook. Aqui vão alguns exemplos:






Vocês podem ver que as aquarelas são de tirar o fôlego – de uma elegância sem igual, e ao mesmo tempo expressivas, com pinceladas poderosas. É esse o meu parâmetro de expressividade: um desenho preciso e bem executado, mas super vigoroso e cheio de personalidade. Nos desenhos dele, cada traço e cada pincelada tem uma segurança que me faz sentir uma criança. Às vezes eu tento 'soltar a mão' na hora de fazer um céu, ou esticar um verde de grama, mas falta ainda essa segurança toda, que eu acho que só vem com o tempo.
Fato é que ele é muito gente fina, e eu acabei mandando alguns desenhos meus para pedir uma opinião. Ele respondeu com comentários muito enriquecedores. De vez em quando mando alguns trabalhos novos, e ele sempre procura responder. Show de bola não é?
Esse cara também foi um dos responsáveis pela nova fase em que eu me encontro hoje – ele me incentivou a sair às ruas para desenhar, insistindo que não há melhor maneira das habilidades de um ilustrador se desenvolver, do que essa. Ele disse, em um dos e-mails: "You will find it rewarding and I urge you to do it". And I did.
Eu já havia falado sobre ele, neste post, logo após começar o meu primeiro sketchbook. Recentemente finalizei o segundo e o terceiro já está em uso.
O livro dele pelo que vi não está à venda pela Amazon, mas quem se interessar pode comprar diretamente com ele.
Site: http://www.haycraftduloy.com.au/
E-mail: john@haycraftduloy.com.au
Na época paguei 55 dólares. Ele mandou o livro pelo correio (com dedicatória). Assim que chegou, enviei o dinheiro por carta mesmo. Deu certo, felizmente.
Ainda há disponível o "book review", escrito por Frank Constantino, no site da ASAI.
Clique aqui para ler.

23 dezembro 2009

Influências e Inspirações – Parte 05 – Fabrice Moireau




Loire Valley Sketchbook foi o primeiro que eu comprei.
Paris, Gardens of Paris, Venice, New York e Provence foram os seguintes.

Os 'sketchbooks' desse artista francês são extraordinários. Seus desenhos e aquarelas são simplesmente de tirar o fôlego, e sempre me deixam com vontade de produzir. De pegar papel e pincéis para quem sabe um dia, chegar em seu nível. É uma meta, mas não sei se é uma meta real.

Difícil explicar porque tanta admiração. Adoro a maneira como ele deixa partes da pintura incompleta, revelando o cuidadoso e expressivo desenho aqui e ali. As texturas são sempre muito bem exploradas e a luz que ele consegue obter é linda.
Uma vez fiz um estudo, copiando uma das suas aquarelas. Veja
aqui.
Escaniei apenas algumas páginas, mas já dá pra ter uma noção do que esse cara é capaz.
Não há quase nenhuma informação sobre ele na internet, mas você pode encomendar os livros pela Livraria Cultura ou pela Amazon. Vale a pena.

13 dezembro 2009

Influências e Inspirações – Parte 04 - Francis D. K. Ching

Francis D. K. Ching – Esse arquiteto de 66 anos publicou inúmeros livros interessantes dos quais tenho três:
Arquitetura – Forma, Espaço e Ordem;
Representação Gráfica para Desenho e Projeto;
A Visual Dictionary of Architecture;
Seus desenhos me cativaram desde o inicio: pela precisão e qualidade do traço, pelas texturas de preenchimento com tracinhos em diagonal, pela brincadeira que faz com os contornos das margens, pelo trabalho de luz e sombra. Seus desenhos de linhas são extremamente precisos, mas longe de serem duros. Seu traço é de uma qualidade impar. De cair o queixo.
Me lembro de tentar particularmente adotar em meu trabalho a forma de preenchimento de texturas (preenchimento em diagonal) e o jogo de vai-e-vem dos contornos das margens, que é uma maneira muito legal de enriquecer as imagens.

Na imagem acima, é muito interessante a forma como ele cria uma margem apenas na parte de cima do desenho, deixando o restante solto. Outro detalhe legal: ele valorizou com a textura apenas o centro da imagem, criando um ponto focal marcante.

Neste simples desenho me chama a atenção as formas humanas apenas sugeridas pelo contorno, em primeiro plano.


Escaniei os outros desenhos principalmente pela qualidade de preenchimento das texturas, jogo de luz e sombra e qualidade do traço.

29 novembro 2009

Influências e Inspirações - Parte 03 - Frank Lloyd Wright

Logo quando entrei na faculdade tive contato, assim como todo estudante de arquitetura, com a obra de Frank Lloyd Wright. E associado ao nome, vem a sua mais famosa obra, a Fallingwater, ou Edgar J. Kaufmann House. Um ícone da arquitetura do século XX e um ponto de partida para uma paixão pela obra desse grande mestre. E com o conhecimento da arquitetura dele veio a identificação com seus desenhos, principalmente depois que eu comprei um livro chamado Frank Lloyd Wright Drawings, by Bruce Brooks Pfeiffer (isso já no 4 ano da faculdade). Esse livro é uma compilação dos desenhos de toda a carreira de Wright, dos croquis de estudo às perspectivas de apresentação.
 
Perspectiva feita no meu primeiro estágio, 1995.
Perspectiva para trabalho da faculdade.
Quando pensei na influência que esses desenhos tiveram sobre mim, me veio à cabeça a maneira de fazer céus, gramados ou sombras, através de traços feitos à régua. Desenho linear levado ao extremo, ou seja, linhas até pra preencher áreas. Eu fiz isso em várias ocasiões – eu achava uma forma rápida de dar acabamento.
Hoje eu vejo que essas áreas todas feitas com traços à régua são úteis, além da velocidade de preenchimento, para 'chapar' uma área. Por exemplo, quando FLLW cobre uma montanha toda com tracinhos na vertical, acaba 'juntando' tudo visualmente e assim torna a leitura da imagem mais limpa. E através da direção dos traços enfatiza a horizontalidade (característica de sua obra), ou a verticalidade, quando é conveniente. (
veja este desenho)

Prancha da minha tese de graduação
Outro aspecto que talvez eu tenha incorporado nas minhas perspectivas foi criar molduras no desenho, com o próprio desenho. Por exemplo, quando um céu forma uma caixa atrás da casa e assim 'solta' a construção do papel. Esse tipo de emolduramento enriquece muito o trabalho.

Preciso fazer isso mais vezes, embora em uma ocasião eu tenha feito em um empreendimento e o incorporador não comprou a idéia. Ele disse: "porque você não foi com o céu até o fim? " Balde água fria... Mas de certa forma ele tinha razão – se achou alguma coisa estranha é porque havia alguma coisa que eu não soube transmitir. Frank Lloyd Wright saberia.

27 novembro 2009

Influências e Inspirações - Parte02 - Frank Lloyd Wright

FLLW adorava desenhar. Sentia-se seduzido pela folha de papel em branco, com a mão cheia de lápis de cores, como gostava de dizer.
Afirmava que nunca sentava para fazer um croqui sem ter a idéia pronta na cabeça. Dessa forma não ficava rabiscando no papel aleatoriamente, sem que cada traço tivesse um pensamento por trás, um sentido, um objetivo. Isso durante a fase de concepção de projetos.

Uma vez que o projeto estivesse resolvido, Wright costumava instruir seus desenhistas sobre como gostaria de mostrar o projeto para os clientes, escolhendo o tipo de vista, o ângulo, etc. Certamente, pelo volume de trabalho que seu escritório tinha, o próprio FLLW não conseguia ele mesmo fazer todas as perspectivas, mas depois que a base do desenho estava pronta ele freqüentemente finalizava a perspectiva adicionando cor, vegetação, sombras e pessoas, ou seja, dando o 'molho' na imagem.

Nas imagens acima, a elevação foi certamente feita por ele próprio, enquanto que a perspectiva foi feita por algum de seus desenhistas, com o toque pessoal de Wright na vegetação.

Alguns detalhes arquitetônicos difíceis eram elaborados pelo próprio arquiteto, diretamente nas perspectivas. No elegante desenho acima vemos facilmente a mão do Wright, que gostava muito da arte oriental, nas ondas do mar.

A imagem acima foi feita inteiramente pelo próprio Wright, em uma época em que seu escritório estava bem mais enxuto.


Nessa perspectiva interna do Guggenheim, o arquiteto, ao ver o desenho pronto realizado por um de seus aprendizes tomou seu lápis e desenhou o io-io na mão da criança, dizendo que "nós, apesar de todo esse trabalho, nunca devemos perder o bom humor".

Estas são imagens extraídas do livro Frank Lloyd Wright Drawings, by Bruce Brooks Pfeiffer, uma ótima opção para quem quiser conhecer mais a fundo a obra dele.

No próximo post eu continuarei o assunto do FLLW, postando alguns desenhos meus também.

24 novembro 2009

Influencias e Inspirações - Parte01

Este blog era para ser apenas um portifólio on-line, que substituísse a difícil tarefa de atualizar meu site principal, que apesar de ser muito bacana, foi feito em flash. Assim, eu queria postar apenas trabalhos profissionais, mas com o tempo fui me dando algumas liberdades e hoje tenho postado muitos desenhos pessoais também. A divisão por técnicas tornou a navegação fácil para quem quer ser objetivo.

Ontem tive uma idéia para uma seqüência de posts aqui no blog. Quero falar sobre as influencias e inspirações que me levaram a adotar o desenho como forma de trabalho e como diversão.
Antes de tudo, foi a paixão por desenhar que me direcionou à Arquitetura. E a faculdade me deu muita base para fazer perspectivas inicialmente como 'bico' e depois, como trabalho definitivo.

Então vamos lá: minha primeira influência no mundo do desenho foi, adivinhem? Meu pai.
Meu pai desenha muito bem, e costumava fazer desenhos em papel carbono para cada um dos filhos ter sua cópia para colorir. Imagina que legal? Muitas vezes ele não nos deixava ver o que estava fazendo (ele desenhava 'de cabeça'), e a expectativa e a surpresa eram tantas que segurava a atenção de 3 crianças por horas. Graças à minha mania de colecionar coisas, tenho muito desses desenhos guardados, e aqui está dois deles.



No próximo post, falarei sobre Frank Lloyd Wright, o gênio que me encantou desde o começo da faculdade com sua arquitetura e desenhos fantásticos.