09 junho 2010

Viagem ao Chile - Valparaiso e Vina del Mar

Fizemos um tour bate-e-volta para as cidades litorâneas de Valparaíso e Vina del Mar.
O tempo estava nublado, o que não ajudou muito a deixar a cidade de Valparaíso mais bonita. Essa cidade portuária é bem confusa e tumultuada. Com seus morros abarrotados de casas e casabres definitavamente não é bonita, apesar de alguns belos edifícios isolados. Mas é pitoresca, fotogênica, e muito 'desenhável'. Seria uma mistura de Santos com Rio de Janeiro (sem a natureza exuberante).  Em um primeiro momento você pode até dizer que seus morros se parecem com favelas. Mas um olhar mais atento (e um guia de viagens mais informado) vão fazer você mudar de idéia. Essas áreas estão consolidadas há décadas - tem toda a infraestrutra e pagam-se impostos.
Bom, vamos aos desenhos.
Em uma parada rápida no porto de Valparaíso, saquei meu caderno e me dispus a retratar alguns barcos em 10 minutos. Tarefa árdua para algúem que se perde em pormenores. É preciso selecionar o que desenhar e pensar rapidamente até que ponto ir. Captar a vista toda? Ou desenhar só um barco, um poste ou uma gaivota? É preciso colocar a caneta no papel e seguir em um ritmo constante. Eu só parei em dois momentos: quando os barcos estavam desenhados, vi que o poste à esquerda podia arrematar bem o desenho e criar um elemento vertical no desenho. Depois, pensei em usar uma caneta-pincel preta para fazer alguns reflexos e 'unir' os elementos do desenho (dica de John Haycraft). Enfim, captei a vista toda, desenhei os barcos, o poste e a gaivota! Fiquei feliz por ter cumprido meu auto-desafio.

O segundo foi feito nas mesmas condições. Com tempo apertado e ansiedade: se tiro fotos, ou se faço um desenho, se vou conhecer um monumento um pouco adiante com a turma, ou se fico ali, sozinho no mirante, tomando um baita vento gelado na cara. Felizmente optei pela segunda opção.
Dessa vez era a baia de Valparaíso inteira que se descortinava à minha frente. E um porto com milhares de containers, guindastes de todos os tipos, navios cargueiros, navios de guerra...Nossa, quanta coisa! Chego a ficar com o coração acelerado nessa horas, como se estivesse me preparando para uma atividade física...
Apenas deliniei as linhas da baia, e me ative mais ao porto. Acho que eu podia ter encontrado outra solução para desenhar os containers, mas não deu tempo de pensar. Gosto do cargueiro fazendo a curva na baia e dos guindastes.
Apesar do tempo feio, o colorido dos containers podia ter deixado o desenho mais alegre. Mas não dava tempo de pegar os markers na mala e eu estava com medo de deixar alguma coisa cair pelos buracos do deck do mirante. E a tentação de adicionar uma cores depois?


Caderno fechado.
Mais alguns minutos...mulheres fazendo comprinhas.
Resolvi então começar outro sketch - fiz os guindastes e o cargueiro, que a essa altura já estava atracando.
Porque não adicionar algumas notas, como o Gabi Campanario? Vou começar a fazer mais isso.
Ah, e depois o relaxamento...sentado no conforto do restaurante, esperando a comida, há tempo pra rabiscar mais um pouco (na mesma folha, já em Vina del Mar).
Bacana é ficar famoso entre os garçons, que vem curiosos olhar  o que você esta fazendo...me levaram para conhecer o casarão centenário onde o restaurante está instalado, me mostraram detalhes arquitetônicos interessantes...muito legal.
Desenhar em viagens é gostoso demais!

08 junho 2010

Viagem ao Chile - Jardins e Parques

Os jardins e parques de Santiago são muito bonitos nessa época,  principalmente pela profusão de tons dourados e castanhos das árvores que ainda levam as cores do outono. A cidade é muito arborizada e esse tipo de vegetação dá um clima europeu muito romântico à cidade. O 'plus' é que dá pra andar tranquilamente, com máquina fotográfica no pescoço, sem tropeçar em cachimbos de crack ou prostitutas. Pena de São Paulo.


O sketch acima fiz bem acomodado, apesar do frio de trincar e da pouca luz do final da tarde. Procurei diferenciar os tipos de plantas pela mudança da linha, já que sabia que não teria tempo de colorir ou fazer sombras e texturas. Resisti à tentação de mexer no desenho, no quarto do hotel.


Esse eu fiz em duas etapas. No primeiro dia, fui por um caminho meio detalhista e não consegui finalizar. Não dá pra ficar amarrando a família toda por muito tempo. Mas no dia seguinte voltei para finalizar o desenho, já que esse local ficava próximo ao hotel.
Não resisti e acabei colorindo a árvore mais tarde, porque ela era o foco do desenho...um dourado brilhante com a luz baixa de fim de tarde. Dá pra ver? Hehe, acho que não.
Esse parque percorre as margens do Rio Mapocho, que corta a cidade como o nosso Tietê (bem... quase). Muito agradável caminhar por ali, mesmo com o barulho da avenida de 7 faixas ali ao lado. É só olhar em frente, ver as cordilheiras ao fundo e esquecer da vida. Claro que isso só vale pra quem é turista - os chilenos também são apressados e estressados no trânsito.

07 junho 2010

Viagem ao Chile - Cerros

Semana passada eu estava de férias no Chile, desfrutando de boa comida, boa companhia e ótimos vinhos. Estou com inveja de mim mesmo, recordando agora os melhores momentos dessa viagem.
Consegui desenhar bastante, apesar de estar com minha família. Aproveitei todo momento possível : nas paradas para um descanso, nas mesas dos restaurantes, ou nos intervalos dos 'city-tours'.
O tempo de cada sketch variou muito, desde 10 minutos até quase 1 hora. Um dos desenhos foi feito em duas etapas, inclusive.
Vou postar em 4 tacadas, sendo: Cerros (morros), Jardins e Parques, Valparaiso e Vina del Mar, e por último dois feitos com markers.
Não que sejam muitos, mas quero falar um pouco sobre cada um deles.
Os dois primeiros eu fiz sentado, apreciando as belissimas vistas de Santiago e a Cordilheira, que se ergue à distância, 3.000 metros acima da bruma e da cortina de poluição que nessa época fica evidente no horizonte de Santiago.
O primeiro foi feito no Cerro Santa Lucia, um parque em forma de morro bem no meio da cidade, que conta com belos jardins e miradores diversos. Como o pessoal estava cansado da subida acentuada, aproveitei para fazer este sketch a grafite. Acho que às vezes tenho mais dificuldade com desenhos a grafite - nesse eu quase me perdi no overwork, mas salvei a pátria com minha mini-caneta-borracha, cortando as bordas que tinham ficado muito regulares. Demorei uns 30 minutos.
O outro foi feito em 15 minutos no Cerro San Cristobal, um outro parque fascinante, com acesso via funicular e vistas incriveis. Esse mirante fica a cerca de 300 metros acima do centro de Santiago.

A propósito: Santiago não foi muito afetada pelo terremoto. Vimos apenas alguns prédios com danos evidentes, como rachaduras e revestimentos que cairam. Em quase todos os casos, os problemas já estavam sendo sanados - eles não perdem tempo e o país está bem preparado para lidar com esses desastres. Apenas três edifícios que fazem parte de roteiros turísticos estavam fechados à visitação - dois em Valparaíso e um em Santiago. Não fomos para o sul, onde o terremoto teve graves consequencias, mas mesmo assim foi um pouco assustador ouvir os relatos do guia de turismo que nos acompanhou na viagem.

03 junho 2010

Palácio das Indústrias

No domingo seguinte à Virada Cultural fui ao Parque Dom Pedro para visitar uma exposição de carros antigos com minha esposa. Minha idéia era desenhar e fotografar os carros, é claro. Mas a exposição já estava no final e eu acabei retratando apenas um deles.
Depois fui ver mais de perto o Palácio das Indústrias e fiquei doido com a riqueza arquitetônica do prédio. O prédio foi concluído na década de 1920, e foi obra do italiano Domiziano Rossi, sócio do escritório de Ramos de Azevedo.
O que diriam os modernistas e contemporâneos sobre àquela miscelânia de estilos e profusão de detalhes rebuscados?? Provavelmente desdenhariam.
Mas eu adoro esses prédios, pois fico sonhando com a história das construções e com a época em que foram feitos. Se há curiosidades sobre as obras, sobre os arquitetos envolvidos... E sempre há um 'causo' interessante. Assim como há histórias marcantes em cada pequena obra que eu já fiz, ou nas obras que meus caros colegas arquitetos ainda fazem.
Ah! E desenhar prédios como esse é muito mais legal!!!

25 maio 2010

Condominio de Alto Padrão

Em Março desse ano recebi uma solicitação para fazer algumas imagens de um empreendimento diferenciado em Bragança Paulista, São Paulo. Na verdade o condomínio já existe há 10 anos e está consolidado, mas a incoporadora está lançando a última fase de lotes, associada à construção de um novo clube para o local.
O prazo parecia razoável: seriam apenas 4 pranchas para fazer em 25 dias. Fato é que quando comecei a primeira, vi o quanto eu teria que produzir. As 3 plantas baixas teriam 80 x 50cm e a perspectiva 60 x 40cm. Haja grafite e aquarela! Devo ter gasto um tubinho inteiro de veridiano...
Enfim, consegui entregar tudo no prazo e o clinte parece ter gostado. 
Ele pediu para eu não mencionar o nome do condomínio por enquanto, mas me autorizou a divulgar o trabalho.
A primeira prancha que eu fiz foi a implantação dos lotes novos (acima). A novidade foi eu mesmo ter feito as legendas - normalmente isso fica a cargo das agências de publicidade, mas foi bom cuidar dos desenhos até a etapa final.
A segunda foi a implantação geral do condomínio, mostrando a sede, os lagos, clube hípico, campo de golfe e áreas de mata preservada, além das trilhas, ciclovias e circuitos de cavalo.

A terceira prancha foi a implantação do clube, com projeto do Marcos Tomanik que, gentilmente, me indicou para a incorporadora para fazer o trabalho.
Enfim, a perspectiva. Uma das maiores que eu já fiz em aquarela. Gosto dos ipês amarelos formando uma curva na base do desenho e a luz do sol no canto superior.

Essa foi a montagem do desenho.
E uma foto da minha mesa com o desenho colado.
Foi um trabalho bacana de fazer, mas foi um desafio lidar com desenhos tão grandes.

19 maio 2010

David, de Michelângelo.

Desenho feito com base em fotografia.
Minha admiração pela arte da escultura vem crescendo...Fico impressionado como se criam figuras humanas, pela retirada de material, e não pela adição. Assim, de um bloco tosco de pedra, nasceu o David, de Michelângelo - o icone maior da beleza humana na arte.
Eu fiz um desenho dele ao vivo, mas ficou muito ruim - eu matei a proporção perfeita da escultura, fazendo as pernas atarracadas. Coitado do David. Para minha desculpa eu estava muito próximo...
Tenho muitas fotos de esculturas que espero um dia virarem desenhos...álias, tenho um sketchbook que ganhei da minha esposa só pra isso. Só duas páginas por enquanto: O David, e o "Tormento", do post baixo astral de sexta passada.

15 maio 2010

Sem enxaqueca!

Foi sem enxaqueca.
Meu sétimo Sketchcrawl foi sem enxaqueca e muito proveitoso.
Fiz vários desenhos menores e detalhes. Detalhados, mas apenas detalhes - nada de edifícios inteiros e panoramas urbanos muito complexos.
Nos encontramos no Páteo do Colégio, dessa vez sobre a escadaria daquele edifício fabuloso que é o Tribunal da Alçada Cível, desenhado alguns meses antes.

Comecei desenhando a coluna "Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo", de Amadeo Zani,  encimada pela estátua representativa de São Paulo (não sei porque é uma figura feminina). Usei marcadores Celadon Green, Black Green, French Gray e Pastel Beige.
Depois desenhei um dos característicos postes de iluminação pública do centro.

Um detalhe da Igreja do Páteo, e uma carranca, que aparece ameaçadora nas esquinas do prédio do Tribunal. Aliás, tem esse prédio mereceria um Sketchcrawl só pra ele...muito rico em detalhes interessantíssimos.

Mais um croqui de um prédio, dessa vez em pé.


Depois uma vista bem urbana, num local pra lá de conturbado: olhando do viaduto Santa Efigênia em direção à Avenida Prestes Maia. Cheia de trânsito, mesmo num sábado de manhã. Meio estressante fazer este desenho, com tipos suspeitos passando perto das minhas costas.
Um almoço, lás pelas 14:30hs, no Café Girondino, com direito a Affogato e croqui.

E um desenho bem agradável dentro do Mosteiro de São Bento, sozinho, ouvindo o cântico baixinho das beatas tentando afugentar o barulho vindo de lá fora. Estava começando a Virada Cultural.
Eu não tive pique pra ficar.
A minha virada foi essa: do bode da enxaqueca de ontem ao dia agradável e feliz de hoje.
A vida é uma gangorra não é?

14 maio 2010

Tormento

Dois posts no mesmo dia...O primeiro, bem humorado, feito logo após a hora do almoço, apesar da vozinha da auto-crítica sussurando na minha orelha: "perdendo tempo com isso...com tanta coisa pra fazer!"
O segundo, algumas horas depois, não é bem humorado. Não é feliz e nem vai mostrar o meu 'melhor lado'.

Uma recaída no vício de sofrer. Uma crise de enxaqueca repentina, no final de uma tarde de sexta-feira.
Dizem que você só encontra a luz se olhar para a escuridão. É preciso fazer amizade com os seus demônios, é preciso colocar pra fora seus medos e inseguranças para eles perderem a força.
Por isso que eu escrevo agora sobre isso:
Porque é ridículo!
É ridículo ter refluxo, enxaqueca ou tendinite.
É ridículo ter espinha no rosto e bronquite com 30 anos de idade.
É ridículo ter que tomar remédio para dormir, com 30 e poucos anos de idade.
Não que eu tenha tudo isso agora, ao mesmo tempo. Mas já tive um pouco de cada, em épocas diferentes.
Esse é o vício de sofrer. O vício da auto-punição. Da auto-sabotagem.
Não sei muito bem para quem eu escrevo isso...para mim mesmo talvez. Na verdade eu já escrevi muito sobre as minhas 'mazelas' (ou picuinhas), mas nunca pensei em escancarar. Talvez porque eu esteja puto com essa recaída.

Mas amanhã será um novo dia. Dia de Sketchcrawl, dia feliz.
Eu vou, com enxaqueca ou sem enxaqueca.

E vamos em frente, desenhando sempre.

Minha 'Work Station"

Desenho feito especialmente para a minha participação na Revista Ilustrar

12 maio 2010

Domingão no Estadão

No último domingo tive a alegria de ver a matéria sobre o Urban Sketchers publicada no Estadão, na seção Metrópole.
Eu, o João Pinheiro e a Juliana Russo, como correspondentes de São Paulo,  fomos entrevistados e fotografados em locais diferentes, e fizemos sketches especiais para a publicação.
Eu fui no Ibirapuera em um domingo ensolarado, e acabei escolhendo como tema o auditório projetado pelo centenário Oscar Niemeyer, até porque esse era o ponto de encontro com o fotógrafo.
Fiz alguns sketches antes dele chegar:
Depois fiz uma aquarela, fotografada passo-a-passo:

Foi muito legal! Tive lá meus momentos de insegurança, mas no geral deu tudo certo.

E é  verdade que a alegria de ver o Painel da Avenida Paulista na sala de estar do Alexandre, de Salvador, não teve preço! Mas eu me lembro quanto cobrei...
A página do jornal foi escaneada pela Juliana Russo - obrigado! 

08 maio 2010

Monumento às Bandeiras

O Monumento às Bandeiras foi concebido e construído entre 1921 e 1953, pelo escultor Victor Brecheret.
Talvez eu teria dado mais atenção antes, à estes gigantes de granito, se tivesse lido as seguintes palavras, de Menotti de Picchia:
"Não há quem desconheça a concepção de Brecheret:  é uma arrancada de bandeirantes para a conquista da Terra Virgem. É um instantâneo da vida de uma Bandeira, apanhado com impressionante felicidade. Tudo ali é força, movimento e ação. Os homens, surpreendidos numa subida, caminham para o alto: é o idealismo paulista em ação."

 Para fazer a aquarela, tive que observar cada detalhe da escultura, separando visualmente cada figura. 
Descobri detalhes curiosos e interessantes: a raposa no ombro de um deles e o bebê mamando no colo de uma índia. Depois tentei reagrupar as figuras novamente, organizando as áreas de sombra e simplificando o máximo que podia. Enquanto fazia o estudo a grafite, eu pensava: "como é difícil fazer isso em um papel...Imagine com àquelas dimensões...e em pedra! "
Tarefa colossal. Pensar nessa empreitada que Brecheret enfrentou, fez com que a aquarela parecesse coisa de criança.

03 maio 2010

Revista Ilustrar 16

A Revista Ilustrar foi criada pelo ilustrador Ricardo Antunes e já está em sua 16 edição, sempre trazendo grande material relacionado ao mundo da ilustração, em um visual impecável. Fui procurado pelo Ricardo esse mês para participar da sessão "Sketchbook", para minha surpresa e total felicidade. Agradeço o Ricardo pelo convite e pela super atenção! O cuidado e carinho com que ele trata a revista é fantástico e se reflete nas lindas páginas de cada edição.
Neste mês a revista tem matérias com os ilustradores Flavio Fargas, Jason Seiler, Paulo Brabo e Luis Trimano, sem contar o ótimo texto da coluna do Renato Alarcão e Brad Holland.
Clique neste link e baixe a revista gratuitamente.
Valeu Ricardo!!