Nas ruas da Pompéia eu cresci.
Joguei bola, esconde-esconde,
policia e ladrão, beijo abraço aperto de mão.
Na ladeira meus carrinhos
corriam. Assim como a bola e os moleques na cola.
Busca-pé, fogueira, São João.
Primeiros olhares. Beijo na
bochecha, sorriso no rosto.
Brincadeiras e brigas. Taco e
Porrete.
A policia e o ladrão.
Do chute na cara, da faca
quebrada, do dedo torcido.
A construção da rampa, o
terreno carpido, banho de esguicho.
Nas ruas da Pompéia eu andei.
Na volta da escola, na volta
da rua.
“Hora da janta!”
No asfalto meu cotovelo um
dia ficou. O skate, no buraco estancou.
O menino cresceu.
As tardes encurtaram.
O humor oscilou. Emburrou.
E continuou crescendo, aquele
menino.
O skate abandonou.
O beijo à boca chegou, a mão
aos peitos. Fumaça, fogo e incêndio.
O recreio virou cervejada.
A aula, uma ideologia.
Arquiteto um dia seria.
A família no carro já não
tinha mais graça.
Caros amigos, fiéis namoradas.
Postos na estrada.
Cheiro de cana queimada no
ar.
E a barra é bonita demais.
No papel, o impossível
acontece. Na parede, apenas tinta e pincel.
Do projeto à construção, da
construção à decepção.
É o desenho, a minha paixão.
Nas ruas da Pompéia, eu
cresci.
O menino virou homem, juntou
e casou.
Explorou fora.
Investigou dentro.
O copo um dia secou, o papel
um dia molhou.
Os quintais viraram garagens.
O jardim da frente, guaritas.
Nas calçadas eu sento.
Bom dia, Boa Páscoa.
Cumprimento.
A criança colori, o menino
desenha.
Caderno no colo. Bunda no
solo.
Na Pompéia envelheço.
E a paixão eu desenho.